Tecnologia

Municípios gaúchos investem no combate ao crime de abigeato

O aplicativo é mais um avanço de transformação digital pela qual as prefeituras estão passando

17 de Maio de 2022 - 16h02 Corrigir A + A -
Em 2021, o RS registrou quase 5,2 mil ocorrências de roubo ou furto de animais (Foto: Polícia Civil - Divulgação)

Em 2021, o RS registrou quase 5,2 mil ocorrências de roubo ou furto de animais (Foto: Polícia Civil - Divulgação)

No dia 11 de maio, o Diário Popular publicou matéria registrando que Rio Grande havia adquirido um aplicativo que vai auxiliar no combate ao abigeato, o AbigeApp, desenvolvido pela empresa Be220, agência de tecnologia com sede em Porto Alegre. É importante frisar que ele é disponibilizado gratuitamente para a segurança pública do Estado, podendo assim ser adquirido por administrações municipais, como o município de Rio Grande o fez, assim como Canguçu e Santa Vitória do Palmar. Prefeituras de outras regiões também já investiram na tecnologia.

Este app é uma ferramenta inédita e de grande valia para a polícia e também para os pecuaristas, ainda mais quando se tem em mãos os números de ocorrências de crimes de abigeato no Rio Grande do Sul, que chegou a 5.199 registros em 2021, O total não contabiliza muitos outros casos que nem chegam a ser registrados. Neste ano, somente no mês de janeiro, foram 295 ocorrências, de acordo com o relatório da Segurança Pública do RS. Os crimes de furto envolvendo animais do campo, com destaque para o gado, costumam ser praticados durante o período noturno e aos finais de semana, quando a escuridão e a pouca vigilância facilitam a execução do delito, além de dificultar a identificação dos autores.

Banco de dados
O AbigeApp disponibiliza um banco de dados digital, com armazenamento em nuvem, para o registro de marcas e sinais de animais do campo, como bovinos, equinos e ovinos. A tecnologia substitui os livros de papel usados hoje neste serviço. A solução torna-se completa uma vez que as autoridades de segurança pública local, regional e estadual têm acesso gratuitamente a um aplicativo com recursos de inteligência artificial para consultar este banco de dados, identificar a propriedade dos animais apreendidos e agilizar a investigação em crimes de abigeato.

É uma ferramenta que possibilita ao agente da segurança pública desenhar na tela do celular a marca e o sinal encontrados no animal e fazer uma pesquisa online, com rapidez, aos registros de marcas e sinais que estão no banco de dados das prefeituras da região. A organização do crime de furto de gado dificulta o trabalho da segurança, uma vez que os criminosos costumam apresentar documentos falsos ao serem detidos em barreiras.

Quando a polícia faz abordagem a um caminhão carregado com animais na estrada, muitas vezes o abigeatário apresenta documentos falsos com os nomes de quem comprou ou de quem vendeu aqueles animais. Com o AbigeApp, as autoridades de segurança pública podem consultar imediatamente se os animais que estão no caminhão realmente pertencem ao proprietário mencionado no documento apresentado pelo condutor, assim como acessar os dados de contato do proprietário que registrou aquela marca e sinal na região.

Confirmação
Isso permite que o policial faça uma ligação por telefone e confirme se ele identificou o desaparecimento de animais da sua propriedade nas últimas horas ou se realizou uma venda de animais que podem estar em transporte naquele momento. Conforme o diretor executivo do AbigeApp, Diego Vilela, os criminosos costumam furtar o gado de um município e transportar a carga para outro. “Então, é importante aumentar a área de cobertura do aplicativo na região e consolidar uma espécie de cercamento eletrônico daquela faixa do mapa”, aponta.

Reconhecido no Rio Grande do Sul como uma solução diferenciada, o aplicativo é mais um avanço no processo de transformação digital, pelo qual as prefeituras gaúchas estão passando. O app utiliza recursos de inteligência artificial para comparar, em poucos segundos, a semelhança entre os traços das marcas de animais registradas no software e os traços do desenho da marca feito pelas autoridades de segurança na tela do aplicativo. O processo é semelhante para a pesquisa pelos sinais das orelhas dos animais, em que o agente utiliza uma tela interativa no app para clicar nos pontos da orelha em que existem os sinais e fazer a consulta, explica o diretor de tecnologia do AbigeApp, Rafael Abreu.


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