Violência

Mulher é morta por companheiro em Jaguarão

Crime é o primeiro feminicídio registrado na Zona Sul em 2022. Autor foi preso após fugir do local

10 de Janeiro de 2022 - 12h30 Corrigir A + A -

Por: Vitória Leitzke
vitoria@diariopopular.com.br

A primeira semana de 2022 terminou de forma triste e revoltante na Zona Sul. Isso porque uma mulher foi vítima de feminicídio, em Jaguarão, na noite de sexta-feira, após seu companheiro disparar três tiros em sua cabeça - tudo na frente de uma das filhas do casal. O homem foi preso após fugir do local e confessou o crime.

Segundo a delegada responsável pela investigação, Juliana Ribeiro, o feminicídio foi cometido após uma discussão entre o casal. A mulher tinha 44 anos, enquanto o autor do crime, 68. “Eles andavam tendo algumas desavenças, houve uma separação anterior”, comenta Juliana, que afirma que a prisão foi feita em flagrante pela Brigada Militar. A arma também foi apreendida.

A vítima chegou a ser socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas acabou não resistindo aos ferimentos e morreu no hospital. Ela deixa três filhos e um neto. O corpo foi encaminhado a Pelotas para os devidos procedimentos.

O perigo pode morar na mesma casa

Conforme dados divulgados pelo Estado em setembro do ano passado, o único crime que insiste em ir na contramão da redução dos índices é o de assassinatos por motivo de gênero, o feminicídio. A situação, piorada com a pandemia e com a necessidade de isolamento social e, consequentemente, com maior contato da vítima com o agressor, fez os números aumentarem a cada ano. Em agosto de 2020 foram registrados quatro casos. Já no mesmo mês de 2021, foram 13 - um aumento de 225%.

Inclusive, foi em agosto que Pelotas registrou seu único feminicídio do ano passado, quando uma mulher de 53 anos teve queimaduras pelo corpo causadas pelo companheiro, vindo a óbito dias depois em decorrência dos ferimentos. De acordo com os indicadores da violência contra a mulher, com última atualização em 6 de dezembro, além desse, outros três crimes foram registrados: dois em Rio Grande e outro em Bagé. No Rio Grande do Sul, até aquele momento, eram 90 feminicídios.

O combate é a denúncia

Hoje o Disque Denúncia, pelo 181, e o Disque Denúncia Digital, no site da Secretaria de Segurança Pública do RS (ssp.rs.gov.br/denuncia-digital) estão disponíveis para que mulheres e testemunhas possam denunciar, inclusive de forma anônima, os agressores. A Polícia Civil também tem o WhatsApp 24h para receber as denúncias, sem a necessidade de identificação. O telefone é o (51) 98444-0606. No país, a Central de Atendimento à Mulher também está disponível pelo número 180. Urgências devem ser direcionadas ao 190.

Além do crime consumado, a tentativa de feminicídio, consumação e tentativa de estupro, ameaça, lesão corporal e violência psicológica também são criminalizados. O Instituto Maria da Penha reforça que as violências patrimonial e moral também são tipos de agressão contra a mulher. Mais informações sobre violência doméstica podem ser acessadas em institutomariadapenha.org.br.


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