Tragédia

MP denuncia filho, nora e amigo por execução de casal em Jaguarão

Paulo Adão Almada Moraes e Manoela Renata Araújo Chagas, foram assassinados enquanto dormiam no dia 11 de setembro

15 de Outubro de 2020 - 12h25 Corrigir A + A -
A arma do crime foi localizada dentro do rio Jaguarão. (Foto: Divulgação Polícia Civil)

A arma do crime foi localizada dentro do rio Jaguarão. (Foto: Divulgação Polícia Civil)

O Ministério Público de Jaguarão denunciou o jovem de 20 anos pela execução dos pais em setembro. O acusado vai responder por dois homicídios duplamente qualificados cometidos no dia 11 daquele mês. Além dele, a promotora de Justiça Lara Guimarães Trein denunciou pelos mesmos crimes a namorada, de 18 anos, e um amigo do casal, de 19 anos.

A promotora conta que, conforme previamente combinado entre os três denunciados, o amigo do casal entrou na casa das vítimas às 4h30min com a ajuda dos dois comparsas, que lá também residiam. Seguindo o plano, a nora foi até o quarto das vítimas e atirou na cabeça dos sogros, que dormiam na cama. Enquanto isso, o amigo lhe dava cobertura e o filho do casal aguardava em outro cômodo, conforme ajustado. Em seguida, de forma a simular a ocorrência de um roubo, o amigo pegou o carro de uma das vítimas e dirigiu até um local ermo, onde abandonou o veículo. Ele levou consigo a arma utilizada nos assassinatos, encontrada dias após o crime no rio Jaguarão por mergulhadores do Corpo de Bombeiros.

Na denúncia, a promotora destaca que os três acusados ajustaram e planejaram previamente a execução, além de prestarem apoio, incentivo e solidariedade mútua no cometimento dos crimes. O filho e a nora das vítimas, segundo a promotora, prometeram vantagem econômica ao amigo pela participação. Ainda conforme a promotora, as vítimas, por ocasião dos fatos, estavam impossibilitadas de esboçar qualquer reação ou gesto de defesa eficaz, pois estavam dormindo, deitadas na cama. Uma delas, inclusive, estava sob efeito da substância Midazolam, um sedativo.

Relembre

No dia 11 de setembro, Paulo Adão Almada Moraes e Manoela Renata Araújo Chagas, foram assassinados enquanto dormiam. Eles chegaram a ser socorridos, mas não resistiram aos ferimentos na cabeça. Inicialmente, a polícia trabalhou com a hipótese de duplo latrocínio, uma vez que a caminhonete da família foi levada e posteriormente abandonada. A cena do crime e as inconsistências no depoimento do filho levou a polícia a desconfiar do possível roubo. Com os depoimentos de testemunhas, o filho do casal acabou confessando o envolvimento no crime.

O jovem, que segundo a delegada Juliana Guarrastazu teria vendido dois celulares e uma televisão para comprar a arma, acabou preso na madrugada de domingo. Segundo a autoridade policial, ele planejava o crime há aproximadamente dois anos, desde quando estava tentando cooptar alguém para a execução de seu plano. Três dias após o crime, foi cumprido mandado de busca e apreensão na residência de um suspeito de envolvimento, local onde foram apreendidos três estojos deflagrados de munição calibre 22, exatamente o calibre da arma de fogo utilizada no crime. O jovem também foi preso. "Ele teria ficado na porta do quarto das vítimas, enquanto a menina executava o crime", relatou a delegada.

A arma

Após a indicação de uma testemunha sobre a localização da arma, a delegada Juliana acionou o Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Sul (CBMRS), para que fossem realizadas buscas no rio Jaguarão. A equipe de mergulhadores fez buscas no local e encontrou um revólver, sendo entregue à Polícia Civil que estavam na operação.

No dia 16, a Polícia Civil concluiu que a autora dos disparos foi a namorada do filho das vítimas. Ela foi presa após ter recebido alta da Santa Casa, onde estava internada depois de ter atentado contra a vida. A jovem de 18 anos foi levada para a Penitenciária Estadual de Rio Grande (Perg).


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