Caso Xico

Mais quatro testemunhas devem ser ouvidas no julgamento de Weiduschadt

Tribunal do Júri está lotado para acompanhar a sessão; pelo menos 100 pessoas fizeram vigília em frente ao Foro para exigir Justiça

23 de Março de 2015 - 22h15 Corrigir A + A -

Por: Redação
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Familiares de Rodrigo Xavier durante a sessão do júri de um dos acusados de matar o administrador de empresas na madrugada de 18 de abril de 2013

Familiares de Rodrigo Xavier durante a sessão do júri de um dos acusados de matar o administrador de empresas na madrugada de 18 de abril de 2013

O policial militar Diego Weiduschadt, 30 anos, réu do julgamento do caso Xico; Weiduschadt dirigia o carro do qual seu colega desceu para disparar contra Rodrigo Xavier na madrugada do dia 18 de abril de 2013. Ele responde por homicídio qualificado

O policial militar Diego Weiduschadt, 30 anos, réu do julgamento do caso Xico; Weiduschadt dirigia o carro do qual seu colega desceu para disparar contra Rodrigo Xavier na madrugada do dia 18 de abril de 2013. Ele responde por homicídio qualificado

Atualizada às 13h35min

O Tribunal do Júri de Pelotas retormou às 13h30min desta sexta-feira (24) o julgamento de Diego Weiduschadt, acusado de homicídio qualificado pela morte de Rodrigo da Sila Xavier. Pela manhã, três testemunhas de acusação foram ouvida. Ainda falta mais um e três tstemunhas de defesa.  

Pela manhã, o segundo depoimento no Tribunal foi do capitão Bastos Alves, da Brigada Militar. Ele disse que a atitude tomada pelo policial militar Diego Weiduschadt na ocasião do assassinato do representante comercial Rodrigo Xavier, o Xico, não é a recomendada pela corporação. 

>> Veja abaixo, imagens do julgamento

Arrolado como testemunha de acusação, Bastos Alves disse que o réu "no mínimo" deveria ter chamado a Brigada Militar para comparecer no local do crime ou ter dado voz de prisão ao também PM Marcos Canez Lacerda, 26 - acusado de disparar contra a vítima. O crime aconteceu na madrugada do dia 18 de abril de 2013, na esquina das ruas General Telles esquina Félix da Cunha, no centro da cidade. Diego dirigia o carro do qual Canez desceu para atirar em Xavier. Após o crime, os dois fugiram o local. Bastos Alves também foi questionado sobre manuseio da arma utlizada no crime, uma pistola ponto 40. "Todo PM deve saber que tiro para cima como advertência não é permitido." O oficial foi questionado, uma vez que um dos réus teria argumentado que o tiro dado na época foi para dispersar um grupo de pessoas que estavam na rua. 

O vereador Luiz Eduardo Nogueira, o Adinho (PPS), foi a terceria testemunha de acusação a falar. Rodrigo Xavier foi aluno de Adinho desde os 11 anos de idade no Colégio Municipal Pelotense. 

A primeira testemunha de acusação a prestar depoimento foi o promotor Rogério Caldas. O clime esquentou quando Caldas começou a ser sabatinado pelo advogado Conrado Ernani Bento da Silva. O promotor José Olavo Bueno dos Passos, que já havia questionado a testemunha, considerou as perguntas da defesa do réu "irrelevantes" para a ocasião. Bento da Silva recorreu a uma palestra feita por Caldas sobre o sistema carcerário no Estado. A discussão entre acusação e defesa provocou a interrupção do julgamento por 10 minutos.

Cenário
O Tribunal do Júri esteve durante toda manhã lotado. O clima entre os familiares de Rodrigo Xavier é de consternação. A mãe da vítima não conseguia segurar as lágrimas e se apoiava a fortaleza do marido, Carlos Xavier. Após a morte do filho, a mãe caiu em depressão. Já o pai aguarda pela justiça e deixa como mensagem para outras famílias que estão passando pelo mesmo drama, que nunca desistam. 

Familiares de Diego Weiduschadt também acompanham o julgamento. Eles não quiseram falar com a imprensa. 

Movimento
Desde às 8h desta terça-feira (24) pelo menos 100 pessoas portando faixas e cartazes e vestindo camisetas com a foto da vítima fizeram uma vigília silenciosa diante do Fôro, na avenida Ferreira Viana. Eles pedem Justiça. Em uma das faixas podia ser lido "Até quando vidas serão interrompidas nas ruas e esquinas de Pelotas? #basta". A maioria pertence ao Movimento Emaús, da Igreja Católica, no qual Rodrigo Xavier fazia parte. Ele era formado em Administração de Empresas e trabalhava no negócio da família.  

O crime
De acordo com a denúncia do Ministério Público na madrugada de 18 de abril de 2013, os policiais militares Diego Weiduschadt, 30, e Marcos Canez Lacerda, 26, que estavam de férias em Pelotas. Eles teriam passado por um bar e duas boates nos arredores onde aconteceu o crime.

Após a confusão os dois embarcaram em um carro dirigido por Weiduschadt e voltaram ao local. Lacerda estava, conforme a denúncia, armado com uma pistola ponto 40.

Ao avistar Xavier, o autor teria o confundido com outra pessoa. Ele desceu e atirou contra o representante comercial, que chegou a ser levado para o hospital. Uma campanha de doação de sangue invadiu as redes sociais, mas o jovem não resistiu aos ferimentos. O inquérito policial provou que Xico não estava envolvido na confusão com os PMs e acabou morto por engano. Lacerda ainda é acusado de fazer disparos contra outro homem que passava pelo local instantes antes.

 


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