Comportamento

Madrugadas de muito caos e pouco sossego

Moradores de locais distintos da cidade relatam perturbação por música alta em pontos de encontro

07 de Dezembro de 2021 - 09h38 Corrigir A + A -
Imagens de câmeras de segurança da rua Santa Cruz mostram a algazarra que chega até às 7 horas

Imagens de câmeras de segurança da rua Santa Cruz mostram a algazarra que chega até às 7 horas

O som alto da música que vem das ruas não dá trégua e facilmente ultrapassa o horário das 22h. Embora assegurado por lei, o tão esperado sossego é interrompido pelo barulho dos jovens que utilizam as madrugadas para ouvir “pancadões”, abusar do consumo de álcool e drogas ilícitas em meio às vias e até mesmo urinar na frente de residências em diversos pontos da cidade. Alguns desses casos são registrados na rua Santa Cruz e se repetem semanalmente na avenida Bento Gonçalves.

Descrito por moradores como “calmo”, o trecho da rua Santa Cruz entre Uruguai e Almirante Tamandaré, passou, em outubro, a contar com um bar. Após o fechamento do estabelecimento, cujo horário de funcionamento é alterado dependendo do dia, jovens ocupam a extensão da rua como ponto de encontro com música alta e consumo de drogas lícitas e ilícitas.

Morando a algumas casas de distância, Pedro (nome fictício) conta que a música atinge um volume tão alto que as janelas do seu quarto, que ficam do lado oposto do bar, passam a noite vibrando. “Nem é muita gente, é um ou dois carros que eles abrem o porta-malas e têm aquelas caixas enormes de som. Além disso, eles usam a via pública como banheiro, as pessoas têm que acordar já limpando a frente das casas porque fica um fedor”, conta.

À reportagem do Diário Popular, o grupo de vizinhos enviou diversos registros do dia 3 de dezembro (sexta-feira), entre 5h07min e 5h23min, para servir como exemplo do que é presenciado todas as semanas. Nos vídeos de câmeras de segurança de residências ou celulares, a cena é de um veículo Corsa Sedan rebaixado com caixas alto-falante e luzes dentro do porta-malas, além de diversos jovens em volta com copos. “Não é algo pontual, não é uma situação em que termina uma festa e as pessoas ficam na rua conversando. A rua vira um carnaval, mas com pouca gente e muito som”, compara o morador.

Outra moradora, que não quis se identificar por questão de segurança, vive em frente ao novo estabelecimento e possui uma filha com deficiência intelectual. Ela relata que as noites dos últimos dois meses têm sido de desespero para a jovem e insegurança. Ela aponta também que não é possível dormir antes das 7h, quando as pessoas começam finalmente a deixar o ponto de aglomeração. “Minha filha fica incomodada [com o barulho]. Ela acorda e diz ‘mãe, vai estourar minha cabeça’, porque os carros com aquele som de batidão fazem retumbar a casa inteira e as janelas sacodem”, conta.

Além da música, a moradora relata que motos ficam acelerando em frente à residência. “Parece que eles estão dentro da minha casa. Eu tenho medo de ir ao menos ver o que está acontecendo. É insuportável, não respeitam as pessoas. A minha filha, por ser especial, fica gritando dentro de casa. Eu preciso acalmar ela, às vezes gritar para que ela me ouça”.

Problema persiste

Há várias quadras dali, na avenida Bento Gonçalves, o problema é semelhante - e constante. Carlos (nome fictício) mora em frente ao Altar da Pátria, local de encontro nas madrugadas do final de semana. De acordo com ele, o problema ocorre durante todo ano e já virou rotina, com ou sem pandemia. A junção de pessoas inicia à meia-noite de sexta-feira e traz a quem habita ou transita pelo local a sensação de insegurança. “Começa na sexta, dia que tem menos pessoas, mas o barulho já aparece. Já na madrugada de sábado para domingo, por exemplo, é ensurdecedor. Para se ter uma ideia, este final de semana foi até 6h da manhã a algazarra”, relata.

São caminhonetes paradas no acostamento e até em cima da calçada do parque Dom Antônio Zattera. “Eles têm caixas de som nos veículos, ligam aquilo e chega a tremer as janelas. Sinceramente não sei como nenhum morador ainda não fez uma besteira, porque dá uma raiva, é insuportável uma coisa dessas com alguém que trabalha e só quer algumas horas para descansar”, desabafa.

A respeito de ambos os casos, o Ministério Público já foi acionado. Além disso, os moradores das duas localidades relatam que a Guarda Municipal e a Brigada Militar são acionadas. Em alguns momentos as linhas 190 [BM] e 153 [GM] chegam a passar por congestionamento com tantos pedidos por ajuda; em outros, a resposta é a mesma por parte da população: “eles chegam, dispersam ou mandam baixar o som, mas em poucos minutos os jovens retornam ao local”.


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