Distanciamento

Líder de facção de Pelotas é transferido para prisão federal

Mais seis presos também foram enviados para o Sistema Penitenciário Federal durante a Operação Império da Lei III

27 de Julho de 2021 - 18h52 Corrigir A + A -

Por: Redação
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A Império da Lei III teve participação de 12 instituições estaduais e federais.(Foto: Divulgação SSP)

A Império da Lei III teve participação de 12 instituições estaduais e federais.(Foto: Divulgação SSP)

Sete líderes de organizações criminosas foram transferidos nesta terça-feira (27) para penitenciárias federais. Um deles comandava uma facção na Zona Sul, principalmente em Pelotas, e o outro no Vale dos Sinos, mas com atuação na região da Campanha. A Operação Império da Lei III, que envolveu 300 agentes, 20 viaturas e uma aeronave, teve a coordenação do programa RS Seguro, das Secretarias da Segurança Pública (SSP) e de Justiça e Sistemas Penal e Socioeducativo (SJSPS). A ação dá continuidade às duas etapas da Operação Império da Lei que, em março e novembro de 2020, enviaram um total de 27 líderes de grupos criminosos para estabelecimentos do Sistema Penitenciário Federal (SPF). Somadas as três etapas da Operação, já são 33 presos transferidos para casas prisionais federais.

A SSP não divulgou o nome dos presos, mas a reportagem apurou que um deles é Michel Dannemberg Leivas, conhecido como “Chaulin”, um dos expoentes de uma facção da Zona Sul do Estado. Em sua ficha criminal há denúncias de ameaça, extorsão, organização criminosa, tráfico e homicídio. Com atuação principalmente em Pelotas, Chaulin acumula uma pena de 49 anos, dois meses e 18 dias. Esta é a primeira vez que o criminoso é encaminhado ao SPF. Quatro transferidos integram organização criminosa no Vale dos Sinos. Luis Henrique Gravi Silveira, conhecido como “Rique” ou “Macaco”, também atuava nas cidades de Dom Pedrito, Bagé e São Borja. O apenado tem histórico policial por latrocínio, tráfico, homicídio e também por coação no andamento processual. O criminoso ainda deve cumprir pena de 50 anos, seis meses e 19 dias e também será sua primeira vez no SPF. Outros dois ocupavam posição de liderança em quadrilha com base no bairro Bom Jesus, na capital. Os presos vão para Mossoró, no Rio Grande do Norte, e para a Penitenciária Federal de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul.

“São várias as origens dos pedidos de transferência, em alguns casos vindo diretamente do trabalho dos agentes dentro das casas prisionais”, ressalta o subprocurador-geral de Justiça para Assuntos Institucionais do Ministério Público, Júlio César de Melo. A partir do trabalho das áreas de inteligência para abastecer os relatórios da Polícia Civil, o Ministério Público Estadual, no interior do Estado, entrou com a solicitação para remoção de três dos transferidos. Um quarto foi enviado para fora do RS a partir de representação feita pela Polícia Civil. Outros dois foram alvo de solicitação da Polícia Federal em processos da Vara Criminal Federal gaúcha. O último teve a transferência validada pela Justiça a partir de recurso do MP - ele teve a permanência no SPF negada no ano passado e, agora, retorna a partir da decisão do Judiciário, que acolheu as razões apresentadas pela Promotoria Estadual. O Secretário adjunto disse ainda que o Estado está atento e vai atuar constantemente no combate ao crime, para ampliar a redução nos indicadores de criminalidade.

Esquema

A Império da Lei III teve participação de 12 instituições estaduais e federais. Pelo RS, além da SSP e da SJSPS, atuaram Brigada Militar (BM), Polícia Civil (PC), Instituto-Geral de Perícias (IGP), Corpo de Bombeiros Militar (CBMRS), Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe), Ministério Público e Poder Judiciário. Pela União, além do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), somaram-se esforços da Polícia Federal (PF) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF). “Essa integração permitiu a eficiência na transferência dos presos, garantindo segurança para a sociedade, sem colocar nenhuma pessoa ou agente em risco. Conseguiremos, assim, cumprir o objetivo de dissipar a articulação dessas lideranças nas organizações criminosas “, afirmou o secretário da SJSPS, Mauro Hauschild.

Com os alvos da Império da Lei III, chega a 47 a soma de detentos do Rio Grande do Sul isolados em penitenciárias federais. Um dos detentos está sendo encaminhado ao sistema penitenciário federal pela terceira vez.

Planejamento

O trabalho para a remoção e transferência dos presos começou ainda na noite de segunda-feira, por volta das 22 horas, com a remoção dos apenados que seriam transferidos. Os presos foram encaminhados de diversas casas prisionais para a Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (PASC). Com todos os alvos reunidos, fechando o grupo de sete transferidos, foi iniciada a saída do comboio único de 30 veículos. Às 10h30min de ontem, as viaturas da Divisão de Segurança e Escolta (DSE) e do Grupo de Ações Especiais da Susepe (GAES), do Comando de Policiamento de Choque (CP Chq) e do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) da BM, da PRF, da Polícia Civil, da PF e uma ambulância do CBMRS partiram da PASC. Em cerca de uma hora, percorreram o trajeto de 55 quilômetros até o Batalhão de Aviação da BM (BAV-BM), ao lado do Aeroporto Internacional Salgado Filho.

Para eventuais emergências, o CBMRS posicionou uma viatura de combate a incêndio na origem do trajeto, além da ambulância de resgate junto ao comboio, para possibilitar o socorro imediato na hipótese de acidentes. No BAV-BM, os veículos ingressaram em um estacionamento exclusivo com acesso ao hangar. Em uma sala reservada do Batalhão, os detentos passaram por exames de corpo de delito, realizados por um perito médico do IGP. Na sequência, foram entregues a agentes do Depen para embarque em um avião da PF com destino a penitenciárias federais, onde serão mantidos isolados de qualquer contato com outros presos. Antes da viagem, os transferidos realizaram testes RT-PCR para detecção da Covid-19 e o resultado de todos foi negativo. O embarque ocorreu às 16h40min.

Além de toda a mobilização para o transporte, dias antes de deflagrar a Império da Lei III e durante a execução do plano, as forças de segurança reforçaram o patrulhamento em pontos estratégicos levantados pela área de inteligência da operação, em especial nas regiões de atuação dos transferidos.


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