Diminuição

Homicídios em queda no Rio Grande do Sul

Número de vítimas voltou a reduzir na comparação com o ano anterior, após dois meses em alta

10 de Julho de 2020 - 12h20 Corrigir A + A -
Integração das forças é apontada como grande responsável pelos bons números (Foto: Rodrigo Ziebell - SSP)

Integração das forças é apontada como grande responsável pelos bons números (Foto: Rodrigo Ziebell - SSP)

Mesmo diante dos menores índices de criminalidade da última década, alcançados no ano passado, o Rio Grande do Sul conseguiu aprofundar as reduções no primeiro semestre de 2020.

Com a retração de 21,9% no número de homicídios em junho, na comparação com o mesmo mês de 2019, o total acumulado na primeira metade deste ano também fechou em queda, de 8,7%. Divulgados pela Secretaria da Segurança Pública (SSP) na quinta-feira (9), os indicadores de criminalidade mostram ainda que os crimes patrimoniais continuam em declínio.

Enquanto houve 987 vítimas de assassinato no RS nos primeiros seis meses do ano passado, foram 901 no semestre inicial de 2020, mantendo o acumulado no período abaixo de um mil pelo segundo ano consecutivo, o que não ocorria desde 2011, que teve 870 óbitos.

Vítimas de homicídio no 1º semestre

A redução na leitura isolada de junho teve importante contribuição para o resultado no acumulado semestral. O total de vítimas passou de 160 para 125, o menor para o mês desde 2009, quando foram 123 mortes. Entre esses 125 óbitos em junho, 16 foram de presos que tiveram liberdade concedida pelo Judiciário - 12,8% do total. As libertações ocorrem durante a vigência da recomendação 62 do Conselho Nacional de Justiça, que “recomenda aos tribunais e magistrados a adoção de medidas preventivas à propagação da infecção pelo novo coronavírus (Covid-19) no âmbito dos sistemas de justiça penal e socioeducativo”. Desde março, chega a 56 o número de detentos soltos e que acabaram assassinados, 47,4% acima dos 38 mortos após soltura no mesmo período de 2019.

Fora esse ponto, a pandemia da Covid-19, que nos crimes patrimoniais tem mostrado efeito redutor, não tem grande influência sobre os assassinatos. Em abril e maio, quando a retomada de atividades proporcionada pelo modelo de distanciamento controlado não havia sido tão intensa quanto em junho, o indicador teve altas.

De acordo com a delegada Vanessa Pitrez, diretora do Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia Civil, a redução dos homicídios no último mês reflete a intensificação do trabalho integrado entre as forças de segurança da SSP em áreas conflagradas, o que possibilitou ampliar as prisões de suspeitos de assassinato. Foi essa intensificação do trabalho integrado que permitiu zerar os casos de homicídio em alguns dos mais populosos municípios do Estado em junho. Canoas, Pelotas e Gravataí - terceira, quarta e sexta cidades no ranking de habitantes do RS - encerraram o sexto mês do ano sem nenhum registro de assassinato. Novo Hamburgo, sétimo em número de moradores, teve apenas um caso.

Latrocínios têmqueda de 12,8%

O primeiro semestre de 2020 também representou a redução dos roubos com morte. Na comparação com igual período do ano passado, a queda foi de 12,8% _ o número de casos no período caiu de 39 para 34. É o menor acumulado desde 2009, quando houve 29 latrocínios nos seis primeiros meses. Em junho, houve sete ocorrências, duas a mais (40%) do que no mesmo mês de 2019, mas o total ainda é o segundo mais baixo desde 2012.

Roubo de veículos

Além das significativas baixas nos crimes contra a vida, o primeiro semestre de 2020, com mais da metade do período já sob a influência da pandemia do novo coronavírus, encerrou com marcas inéditas entre os delitos patrimoniais. Um dos destaques positivos foi a redução de 19,8% nos roubos de veículos em relação aos primeiros seis meses de 2019, passando de 6.045 ocorrências para 4.850 - 1,1 mil casos a menos. Na comparação mensal, o resultado foi recorde: o número de veículos roubados em junho caiu de 864, no ano passado, para 663 (-23%) - menor total para o intervalo desde que a SSP iniciou a contabilização de crimes no Rio Grande do Sul, em 2002.

Para o comandante-geral da Brigada Militar, coronel Rodrigo Mohr Picon, o cenário está diretamente atrelado à estratégia elaborada pelo RS Seguro a partir das análises realizadas pela GESeg. O roubo de veículos é um dos três indicadores fixos que, junto ao indicador local de cada cidade priorizada, são avaliados no ciclo mensal. O acompanhamento inicia nos municípios e culmina com a validação dos planos de combate na reunião A1.

Ataques a bancos e a transporte coletivo

A manutenção integral do trabalho das forças de segurança, aliada às restrições de circulação por conta da pandemia do novo coronavírus, fez despencar o número de ataques a banco e a transporte coletivo no Estado. No acumulado do primeiro semestre de 2020, comparado a igual período do ano passado, esses dois tipos de crime caíram pela metade e para o menor total da série histórica, iniciada em 2012. Nos ataques a banco, somados furtos e roubos, os casos reduziram de 59 para 29 (-50,8%). No transporte coletivo, o número baixou de 1.298 para 656 (-49,5%).


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