Caso Jussara Cames

Homem que matou a companheira na Guabiroba é condenado a 18 anos

Em depoimento ao juiz da 1ª Vara Criminal de Pelotas, João Pedro Gouveia da Silveira, disse que ficou "cego" no momento em que desferiu as facadas na vítima

12 de Novembro de 2019 - 17h04 Corrigir A + A -

Por: Giulliane Viêgas
giulliane.viegas@diariopopular.com.br

 (Foto: Carlos Queiroz - DP)

(Foto: Carlos Queiroz - DP)

O Tribunal do Júri condenou na tarde desta terça-feira (12), João Pedro Gouveia da Silveira a 18 anos de reclusão por feminicídio cometido por meio cruel contra a companheira Jussara Guiote Cames, em novembro do ano passado, dentro da casa da vítima, na Guabiroba, bairro Fragata. O crime ocorreu depois que Jussara saiu do sepultamento da mãe, em Canguçu. A sentença foi dada pelo juiz da 1ª Vara Criminal de Pelotas, Régis Adriano Vanzin.

Em depoimento ao magistrado, João Pedro confessou o crime e se disse arrependido. Gouveia contou que durante o velório da mãe de Jussara, a mulher teria trocado "sorrisinhos" com o ex-marido e isso teria causado ciúmes. Ao retornar para Pelotas, o casal discutiu e Jussara teria partido para cima dele com uma faca em punho e o atingido no peito. Conforme afirmou no Salão do Júri, ele conseguiu desarmar a vítima e depois disso ficou "cego". "Eu não lembro de nada o que aconteceu depois. Eu fiz isso com a mulher que eu amava, fiquei cego. Quero pedir perdão às filhas dela", disse. Jussara foi morta com mais de 15 facadas, algumas delas, conforme apontou a perícia, eram ferimentos que mostram que a vítima tentou se defender dos golpes. Contra o ex-porteiro do Pronto Socorro de Pelotas (PSP), há quatro registros de ocorrência - em 2007, 2011, 2012 e 2014 - por violência doméstica praticada contra suas ex-companheiras.

A versão contada pelo acusado de que a vítima teria o atacado, foi contrariada pelo promotor José Olavo dos Passos e pela assistente de acusação, Ingrid Ziebell. Nos autos consta que a filha de Jussara, na época com 16 anos, estava em casa e ouviu os gritos da mãe. Ao chegar na cozinha, a jovem viu Jussara caída no chão e se deparou com João Pedro se autoferindo. "Ele ficou tão cego que conseguiu esfaquear a vítima diversas vezes, guardar o instrumento e fugir. As autoperfurações foram para tentar mostrar uma legítima defesa", falou a acusação aos jurados. Testemunhas ouvidas ao longo do processo afirmaram que João Pedro era possessivo e, inclusive, chegou a instalar um GPS no celular de Jussara para saber do seu paradeiro quando não estava em sua presença.  

Emocionda, uma das filhas de Jussara, Milene Cames, 23, avalia que a condenação de Gouveia significa que a Justiça foi feita. "É uma alívio para nós, ainda que nada traga a nossa mãe de volta. Todo esse processo foi muito delicado e doloroso. Entendo que além de Justiça, se coloca um ponto final nisso tudo. Não tem um dia que eu não pense na mãe", desabafou.

João Pedro Gouveia da Silveira está recluso no Presídio Regional de Pelotas (PRP) desde o dia do crime. Ele trabalha na enfermaria da cadeia. Logo após a sentença que o manteve preso,  o acusado retornou ao PRP.


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