Excursão

Grupo denuncia agência de viagens e exige reembolso dos valores pagos

A dona da agência garantiu que reembolsos já foram realizados, inclusive possui extratos de pagamento. Ela disse que desconhece a situação das pessoas do grupo

24 de Janeiro de 2020 - 18h00 Corrigir A + A -

Por: Giulliane Viêgas
giulliane.viegas@diariopopular.com.br

 (Foto: Carlos Queiroz - DP)

(Foto: Carlos Queiroz - DP)

Conhecer o parque do Beto Carrero, em Santa Catarina, e passar três dias desfrutando das atividades do local com passagem de ônibus e estadia em hotel, pelo valor de R$500,00, parecia um sonho até que se tornou em pesadelo para auxiliar administrativa, Esther dos Santos, 25. Ela contratou os serviços de uma empresa de viagens, Giane Tur, para aproveitar o passeio com familiares em outubro do ano passado. Estava tudo pronto para o embarque até que, horas antes da excursão partir de Pelotas, foi informada pela proprietária da empresa que a viagem não se concretizaria devido à doença na família. De lá pra cá, a auxiliar tenta reaver o valor investido. "Estávamos empolgados com a viagem. Achamos o preço atrativo e compramos. Não sabíamos da fama da empresa. Infelizmente, foi uma frustração. Não quero que mais pessoas passem por isso. O sentimento de ter sido enganada é terrível porque mexe com a expectativa, planos e organização financeira de meses de trabalho", desabafou.

O drama de Esther é o mesmo de, pelo menos, 40 pessoas de diversas cidades da Zona Sul (Pelotas, Rio Grande, Jaguarão, São Lourenço do Sul e Canguçu) que tentam reembolso dos valores investidos em viagens que não saíram do papel. Indignados com a situação, elas criaram um grupo de WhatsApp para ouvir os relatos e tentar - juntos - uma solução. "Ela sempre dá uma desculpa para a viagem não sair. É doença na família ou mau tempo. Comprei para o Beto Carrero e ela nos informou momentos antes que a excursão não sairia devido ao mau tempo. Inconformada, liguei para o parque para saber do clima e me disseram que estava ótimo e sem previsão de chuva", desabafou uma compradora. A professora Fernanda Clain, 29, faz coro e também diz que foi informada do cancelamento da viagem para Foz do Iguaçu horas antes do embarque. "Íamos em seis pessoas e menos de 12 horas ela avisou que não sairíamos. Tudo bem que a viagem não tenha saído, mas quero meu dinheiro de volta", comentou.

A promessa de reembolso já é conhecida pelos compradores que tentam - alguns na Justiça - reaver o dinheiro. "Ela diz que vai pagar em sete dias e nada acontece. Só vai adiando e nos enrolando. Tentei encontrar com ela e fiquei esperando, mas não apareceu. A proprietária da empresa faz isso com todos, não foi só comigo. Além de não nos entregar o dinheiro, ameaça nos processar por estar falando mal da postura dela e da agência", comentou Fernanda. Outras pessoas que se sentem lesadas pela empresa, afirmam que a proprietária faz depósitos vazios, sem valores. Para uma das vítimas, a mulher depositou R$ 2,00 com a justificativa de que era para ter certeza de que o destinatário estava correto e desde então não houve outros depósitos.

CPF

Em termos de acordo para pagamento em que a dona da empresa firmou com alguns compradores, a mulher apresenta um outro CPF como sendo o seu, com nome de uma outra pessoa. Em boletins de ocorrência registrados pelas vítimas, o CPF cadastrado da dona da empresa é outro. Pelo telefone, a proprietária da agência disse que possivelmente houve erro no momento da formalização do Termo de Acordo. Já o advogado da mulher disse que somente formaliza o documento e os dados são entregues pela proprietária, no entanto, segundo ele, não há intenção de ludibriar o termo.

Devolução do dinheiro

A dona da agência garantiu que reembolsos já foram realizados, inclusive possui extratos de pagamento, e que a empresa atua há dez anos no mercado oferecendo excursões para diversos lugares do país. Ela disse que desconhece a situação das pessoas do grupo. O advogado da proprietária também afirmou que a empresa já devolveu dinheiro aos compradores que tiveram as viagens canceladas, entretanto, salientou que não trabalha para a agência. A proprietária do estabelecimento acrescentou que, para quem teve a viagem cancelada, foi oportunizado um outro passeio. "Não devo nada para ninguém", disse a mulher.

Polícia Civil

Nas delegacias da região há, ao menos, 30 boletins de ocorrência prestando queixa contra a mulher e a empresa. Em Pelotas, pela 3ª Delegacia de Polícia, há cinco inquéritos, todos remetidos ao Judiciário, sendo três com indiciamento e dois sem.

Procon

No Procon de Pelotas há sete registros formalizados e diversas reclamações telefônicas pelos serviços prometidos e não cumpridos. O Procon já tentou localizar a mulher, mas sem sucesso porque os endereços informados não existem ou ela se mudou. O Ministério Público (MP) já tem conhecimento do caso.

Redes sociais

Em uma página do Facebook criada para denunciar serviços mal prestados, em uma publicação sobre a agência de viagens há mais de mil comentários sobre o caso que também ocorreu com outras pessoas.


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