Criminalidade

Feminicídios registram queda de 86% em julho no Estado

Já os latrocínios - roubo seguido de morte - tiveram aumento de 66,7%

13 de Agosto de 2020 - 12h33 Corrigir A + A -

O Rio Grande do Sul obteve em julho uma dupla vitória na luta por igualdade e respeito às mulheres. Além de completar o terceiro mês consecutivo com redução nos feminicídios, a queda foi tão expressiva que conseguiu reverter o cenário do acumulado do ano de alta para queda. Enquanto julho de 2019 teve 14 mulheres assassinadas por razões de gênero no Estado, o total de vítimas no mês passado caiu 86%, para duas vítimas – o menor número para o mês em toda a série histórica, iniciada em 2012. Com essa retração profunda, a soma de feminicídios em 2020 chegou a 53, dois a menos (-4%) do que os 55 registrados no mesmo período do ano passado, interrompendo a tendência de alta que se verificou no primeiro semestre. Os dados integram os indicadores criminais apresentados na manhã desta quinta-feira (13) pelo governador Eduardo Leite e o vice-governador e secretário da Segurança Pública, delegado Ranolfo Vieira Júnior, em videoconferência com a as chefias de vinculadas da pasta e jornalistas.

Gráfico de barras com números de Feminicídios em julho no RS, entre 2012 e 2020. Mostra queda de 14 em 2019 para 2 em 2020 (-86%). Menor total e maior queda percentual para o mês em toda a série histórica. Gráfico de barras com números de feminicídios de janeiro a julho no RS, entre 2012 e 2020. Mostra queda de 55 em 2019 para 53 em 2020 (-4%). Menor total para o período desde 2017.

O governador Eduardo Leite destacou a importância da redução nos índices de criminalidade dentro dos objetivos de deixar o Estado mais mais atrativo e acolhedor a investidores, o que gera mais emprego e renda e mais qualidade de vida a toda a população. “Estamos em um processo de redução da criminalidade em todas as frentes do nosso Estado. O processo de inflexão da curva de indicadores começou na gestão anterior, mas se acentuou neste governo e se tornou consistente e permanente. Isso nos deixa mais seguros, não somente do ponto de vista pessoal de cada gaúcho e gaúcha, mas também porque faz parte da nossa agenda de competitividade para o RS. ”, apontou Leite.

O vice-governador e secretário da Segurança Pública, delegado Ranolfo Vieira Júnior ressaltou os resultados obtidos de um trabalho constante. "Segurança Pública é um trabalho de continuidade, sempre aferindo e medindo as evidências científicas. Foi dessa forma que em 2019 chegamos aos menores indicadores da década e, agora em 2020, conseguimos ainda aprofundar essas reduções. Isso se resume nas três premissas do RS Seguro: integração, inteligência e investimento qualificado", destacou.

Além disso, todos os demais indicadores de violência contra a mulher fecharam em baixa, tanto no recorte mensal quanto no acumulado. Os estupros, por exemplo, caíram 33,6% na comparação de julho deste ano, com 95 casos, contra os 143 registrados no mesmo mês em 2019. Em igual leitura, as lesões corporais reduziram de 1.364 para 1.155 (-15,3%), as ameaças, de 2.739 para 2.295 (-16,2%), e as tentativas de feminicídio ficaram estáveis, com 22 casos.

O paralelo de acumulados nos primeiros sete meses em 2019 e 2020 mostra que já são quase 3 mil ocorrências de ameaça a menos, passando de 21.952 para 19.200 (-12,5%). Nas lesões corporais, a redução supera 1 mil casos, de 12.056 para 10.876 (-9,8%). A soma de tentativas de feminicídio caiu de 205 para 188 (-8,3%) e o estupros, de 929 para 920 (-1%).

Gráficos de barras com números de Violência contra a mulher em julho no RS, entre 2019 e 2020. Mostra quedas de 16,2% nas ameaças, de 15,3% nas lesões corporais e de 33,6% nos estupros, e estabilidade de 22 tentativas de feminicídio em ambos os anos. Gráficos de barras com números de Violência contra a mulher entre janeiro e julho no RS, entre 2019 e 2020. Mostra queda de 12,5% nas ameaças, de 9,8% nas lesões corporais, de 1% nos estupros e de 8,3% nas tentativas de feminicídio.

Dados comprovam que, ao contrário das expectativas sobre possível aumento da violência contra a mulher em razão do distanciamento social imposto pela pandemia do novo coronavírus, todos os indicadores apresentaram redução justamente no período em que o isolamento passou a ser necessário. De outro lado, as maiores altas ocorreram em janeiro e fevereiro, exatamente os dois meses em que o Estado ainda não convivia com as restrições para prevenção à disseminação do vírus.

Conforme a diretora da Divisão de Proteção à Mulher (DIPAM) da Polícia Civil, delegada Tatiana Bastos, o recorde na queda de feminicídios fica ainda mais relevante quando considerado o contexto da Covid-19. Ao contrário dos demais indicadores de violência contra a mulher, a eventual subnotificação gerada pelo isolamento em razão da pandemia é praticamente inexistente entre os assassinatos consumados por motivo de gênero. “Para tabulação de feminicídios, analisamos todas as ocorrências que versam sobre morte de sujeito passivo do sexo feminino, e não somente os classificados com esse tipo criminal. Dessa forma, a pandemia não interfere na precisão desse dado específico, que reflete as várias ações integradas que temos adotado”, explica a delegada, enfatizando a parceria com o Observatório da Violência contra a Mulher da SSP nas análises de cada uma das ocorrências com mulheres vítimas.

Tatiana também destaca um aumento expressivo de denúncias de terceiros, como vizinhos e familiares, em todos os canais de comunicação, as quais a Polícia Civil procura atender em no máximo 48h. “Quanto mais rápido a informação chegar, mais chances temos de proteger a vítima e seus filhos. Ademais, temos realizado busca ativa de mulheres em suas residências, feito campanhas de prevenção para mobilizar a sociedade, intensificado as ações de repressão, como cumprimento de mandado de prisão e busca e apreensão de armas, além de priorizar a remessa dos procedimentos graves e de descumprimento de medidas protetivas de urgência ao Poder Judiciário”, acrescenta delegada.

Gráfico de barras mostra que as Patrulhas Maria da Penha aumentaram de 46 cidades em 2019 para 98 em 2020, alta de 113%. Acompanham o gráfico os logos da BM e das Patrulhas.

A coordenadora estadual das Patrulhas Maria da Penha (PMPs) da Brigada Militar (BM), major Karine Pires Soares Brum, ressalta o trabalho articulado e integrado de todos os órgãos da rede de proteção a mulher, cada um dentro de suas atribuições, que tem impacto direto na redução dos indicadores. “A Brigada Militar incrementou as PMPs em 113% em relação a 2019, hoje com 98 municípios cobertos, e em 33% o número de visitas às vítimas, o que certamente contribuiu para essa sequência de três meses de queda dos indicadores. O trabalho de monitoramento dos agressores, de orientação e de acolhimento às vítimas permanecem sendo o mote da atuação das Patrulhas”, afirma.

Em março, as PMPs ampliaram de 46 para 84 o número de municípios atendidos no Rio Grande do Sul. No mês seguinte, o total subiu para 97 e, em julho, a cidade de Minas do Leão foi a 98ª cidade a ganhar a cobertura do efetivo especialmente capacitado para o monitoramento das medidas protetivas de urgência requisitadas pela Polícia Civil e concedidas pelo Judiciário.

Comitê Interinstitucional agrega ação dos três poderes e
16 instituições em políticas públicas para proteção da mulher

A integração, que já é uma das três premissas do RS Seguro, também foi consolidada como matriz da política pública de proteção às gaúchas com a criação do Comitê Interinstitucional de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher, lançado na última sexta-feira, quando se completaram 14 anos da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006). Instituído por decreto assinado pelo governador Eduardo Leite, o Comitê integra o mais amplo conjunto de medidas voltados ao tema na história do Rio Grande do Sul.

Inserido nas estratégias do Programa RS Seguro, a iniciativa transversal já nasce com uma tarefa estruturada, o Projeto Agregador, que reúne o trabalho dos três Poderes, 16 instituições das esferas municipal e estadual, além de nove secretarias de Estado. Do planejamento à execução de ações concretas, o objetivo central é fortalecer a rede de apoio às vítimas e promover entre os gaúchos uma mudança de cultura, que valorize a proteção da mulher na sociedade em todas as suas formas, tendo como premissa a atuação integrada. 

O Projeto Agregador identificou os desafios a serem enfrentados e já propôs o desenvolvimento de 11 subprojetos. Destes, cinco foram priorizados para início imediato. O primeiro foi concretizado com a instituição do Comitê Interinstitucional. Os outros quatro estão voltados para:

  • 1 - Monitoramento do Agressor;
  • 2 - Ações nas Escolas;
  • 3 - Informar, Prevenir e Proteger;
  • 4 - Grupos Reflexivos de Gênero.

Essa nova política de enfrentamento à violência contra mulher assume um compromisso com a efetividade dos objetivos propostos ao estabelecer, desde seu início, um cronograma para preparação e implantação das entregas pactuadas. A maior parte se dará no prazo de um ano, até julho de 2021. No site da SSP há mais detalhes sobre cada uma das linhas de ação do Projeto Agregador.

Homicídios tem queda de 12% em julho e mantém acumulado em baixa

Assim como as mortes por motivo de gênero, os demais assassinatos também reduziram em julho, aprofundando a queda no acumulado de 2020. No mês, os homicídios no Estado baixaram 12,2%, de 148 no ano passado para 130, o menor total em julho desde 2008, quando houve 125 vítimas. No paralelo das somas a partir de janeiro, a queda é de 8,1%, com quase uma centena de vidas preservadas. Foram 1.134 homicídios no período em 2019, contra 1.042 neste ano, o menor total para o intervalo desde 2011, quando o número de vítimas foi de 1.031.

Gráfico de barras com números de Homicídios em julho no RS, entre 2005 e 2020. Mostra queda de 148 em 2019 para 130 em 2020 (-12,2%). Menor total para o mês desde 2008, que teve 125 vítimas. Gráfico com números de Homicídios entre janeiro a julho no RS, entre 2005 e 2020. Mostra queda de 1.134 em 2019 para 1.042 em 2020 (-8,1%). Menor acumulado desde 2011, que teve 1.031 vítimas.

Roubos de veículos caem 27% em julho e somam o menor total da série histórica

Além dos ataques a banco, outros delitos contra o patrimônio continuam em franca descendência no Estado. Um destaque é o roubo de veículos, que em julho caiu ao menor total de ocorrências para o mês desde que a contabilização foi iniciada pela SSP, em 2002. Com a manutenção integral do trabalho das forças de segurança e a menor circulação de pessoas em razão da pandemia, foram registrados 632 roubos de veículos no sétimo mês deste ano, 27% menos do que os 867 de igual período em 2019.


om isso, o acumulado desde janeiro também apresentou redução. Enquanto no ano passado a soma do início do ano até o fim de julho foi de 6.912 casos, em 2020 esse total caiu 20,6%, para 5.490 ocorrências, a menor marca desde 2003, quando foram contabilizados 5.029 roubos de veículo.

Ainda entre os delitos contra o patrimônio, houve retração em julho nos furtos de veículo (-34,6%), nos roubos (-37,3%) e nos furtos (-38,2%) em geral, e nos ataques a comércio (-39,8%). Os roubos a transporte coletivo, somadas as ocorrências envolvendo passageiros e trabalhadores de ônibus e lotações, teve cinco casos a mais do que no mesmo mês de 2019, mas o acumulado desde janeiro ainda é 42,9% menor do que o número registros em igual período do ano passado.

Gráfico de barras de crimes patrimoniais em julho no RS entre 2019 e 2020. Mostra queda de 34,6% nos furtos de veículos, de 37,3% nos roubos, de 38,2% nos furtos, de 39,8% nos ataques a comércio (soma roubo e furto) e alta de 2,9% nos roubos a ônibus.

 

RS tem dois latrocínios a mais em julho, mas acumula queda de 7,1% no ano

Consequência mais grave dos crimes patrimoniais com uso de violência, os roubos com morte somaram duas ocorrências a mais em julho deste ano na comparação com o anterior. O número de casos em todo o Estado passou de três para cinco (66,7%), ainda a segunda menor marca para o mês desde 2009, com quatro ocorrências.

No acumulado entre janeiro e julho, porém, o total de 39 latrocínios segue 7,1% abaixo dos 42 registrados no mesmo período de 2019. A soma atual é também a menor desde 2009, que teve 33 ocorrências entre o primeiro e o sétimo mês do calendário.

Gráfico de barras com números de Latrocínios em julho no RS, entre 2002 e 2020. Mostra alta de 3 em 2019 para 5 em 2020 (66,7%). Segundo menor total para o mês desde 2009, que teve 4 casos.
Gráfico de barras com números de Latrocínios entre janeiro e julho no RS, entre 2002 e 2020. Mostra queda de 42 em 2019 para 39 em 2020 (-7,1%). Menor acumulado desde 2009 e segunda menor marca da série histórica.

 


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