Justiça

Empresário é absolvido no tribunal do júri

A tese de defesa do empresário partiu do princípio da inexigibilidade de conduta diversa o que exclui a culpabilidade do caso diante das graves ameças praticadas pelos suspeitos à família

11 de Dezembro de 2018 - 16h29 Corrigir A + A -

Por: Giulliane Viêgas
giulliane.viegas@diariopopular.com.br

Durante depoimento ao titular da 1ª Vara de Execuções Criminais (VEC), Régis Vanzim, Rogério Grimm contou que matou Élder e Wagner após a dupla ameaçar seus filhos de quatro e dez anos.

Durante depoimento ao titular da 1ª Vara de Execuções Criminais (VEC), Régis Vanzim, Rogério Grimm contou que matou Élder e Wagner após a dupla ameaçar seus filhos de quatro e dez anos. "Meu dever é proteger meus filhos, não pensei em outra coisa". (Foto: Gabriel Huth - DP)

O tribunal do júri absolveu na tarde desta terça-feira (11) o empresário Rogério Grimm, 45, pelas mortes de Élder Luz e Wagner Silva. A dupla foi morta a tiros dentro de uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) após praticar assalto ao comércio de bebidas do empresário, em abril deste ano. Grimm foi acusado pelo Ministério Público (MP) de duplo homicídio qualificado. Os jurados entenderam que o empresário agiu devido às graves ameaças praticadas por Élder e Wagner, sem alternativas diante do terror sofrido. 

A tese de defesa do empresário partiu do princípio da inexigibilidade de conduta diversa o que exclui a culpabilidade no caso diante das graves ameças praticadas pelos suspeitos à família. "Eles disseram que se fossem presos iriam matar a família dele. O Rogério não teve outra alternativa, foi inexigibilidade de conduta diversa naquele momento", disse o advogado Roger Cavichioli. Segundo a defesa, Grimm já havia sofrido outros cinco roubos em seu comércio no período de dois anos.

Em acusação, o promotor José Olavo dos Passos apontou os fatos e explicou o princípio aplicado pela defesa ao jurados."O voto do júri é soberano", comentou.

Durante depoimento ao titular da 1ª Vara de Execuções Criminais (VEC), Régis Vanzim, Rogério Grimm contou que matou Élder e Wagner após a dupla ameaçar seus filhos de quatro e dez anos. "Meu dever é proteger meus filhos, não pensei em outra coisa". Ao magistrado, o empresário contou ainda que foi agredido durante o assalto e, logo após a dupla sair do comércio, iniciou uma troca de tiros com os suspeitos. "Depois que eles foram embora, eu liguei pra polícia e disse o ocorrido. Em seguida me disseram que eles tinham sido presos e aí eu lembrei do que eles tinham dito que fariam caso fossem pegos, por isso, não tive outra reação". 

O salão do tribunal do júri estava lotado para acompanhar o julgamento do empresário. Por conta do caso, a segurança do Foro de Pelotas foi reforçada. Grimm foi escoltado e saiu pelos fundos do Foro. 

Relembre
Os suspeitos, armados, chegaram ao estabelecimento em uma motocicleta preta, anunciaram o roubo e fugiram levando o dinheiro do caixa. O dono do comércio de bebidas atirou contra os assaltantes que revidaram. Houve troca de tiros e os criminosos foram baleados. Feridos, os suspeitos tentaram fugir pela rua Mário Peiruque, mas acabaram perdendo o controle do veículo e caíram. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado. Minutos depois, a BM chegou ao local.

O dono do comércio de bebidas se dirigiu até onde estavam Wagner e Elder, invadiu a ambulância e atirou outras vezes contra os homens que recebiam atendimento do Samu. A Brigada Militar, então, atirou contra a perna do homem de 45 anos para contenção. Ele foi preso e encaminhado à Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA). No local, a BM encontrou com os suspeitos diversas munições, um revólver calibre .32, uma pistola, celulares e a quantia de R$ 634,00.

 

 


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