Luta

Dia de lembrar o combate ao abuso e exploração sexual de crianças

Em Pelotas, uma pessoa foi presa este ano sob acusação de crime contra menor de idade

18 de Maio de 2022 - 09h15 Corrigir A + A -
Criminosos usam a Internet para atrair vítimas (Foto: Divulgação - DP)

Criminosos usam a Internet para atrair vítimas (Foto: Divulgação - DP)

Em 2000, por meio da Lei 9.97, foi instituído o dia 18 de maio como o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. A data foi escolhida como forma de dar visibilidade à problemática em função do crime brutal ocorrido com uma menina de apenas oito anos de idade, a menina Aracelli, que vivia em Vitória, no Espírito Santo, e nessa data, em 1973, desapareceu da escola, sofreu violências e foi assassinada.

De acordo com dados do Disque 100, que recebe denúncias anônimas de violações de Direitos Humanos, em 2021, 18,6 mil ligações envolveram crianças e adolescentes, meninos e meninas, e eram relacionadas com violência sexual. Os pais, mães, padrastos e madrastas são os suspeitos em 38% dessas ocorrências e a maior parte dos abusos é praticada dentro da casa da vítima, ou da vítima e do suspeito, pois em quase metade dos casos eles moram na mesma residência.

Em Pelotas, este ano, houve uma prisão relacionada a exploração sexual infantil. Segundo a titular da Delegacia de Proteção à Crianças e ao Adolescente, Lisiane Mattarredona, é um rapaz de 30 anos. “Passamos a monitorar e descobrimos que ele vinha armazenando material pornográfico infantil em computadores, meios eletrônicos, distribuindo e vendendo este material. Ele tinha, inclusive material em tempo real”, relata. A delegada informa que no ano passado foram realizadas nove prisões e instaurados 19 inquéritos, todos por crimes baseados na internet. “A exploração infantil é o crime que mais prospera na internet”, diz a delegada.

Ela aponta que nem tudo chega até a polícia. “Precisamos muitas vezes de uma denúncia. Por isso é importante que os pais venham ate nós, quando verificar nos meios eletrônicos dos filhos, conversa ou nudes. É muito importante porque a partir da chegada deste material vamos iniciar um trabalho de investigação. Nós temos mecanismos e formas de chegar até a autoria desses crimes.” Segundo a delegada, a partir do momento que pegam o material eletrônico desses indivíduos, a polícia tem acesso a tudo que eles fazem.

Muitos pais têm levado até a delegacia os celulares dos filhos e a partir disso os policiais realizam o trabalho de investigação. “Muitas vezes para sair o flagrante temos que encontrar o material. Há criminosos que são muito cuidados e não deixam rastros, tem uma sofisticação maior ao lidar com a internet. Mas enviamos para o Instituto Geral de Perícia (IGP), que eles tem formas de recuperar esses materiais;”

Como agem?
E como agem estes criminosos? A delegada Lisiane aponta que por redes sociais criam grupos, se articulam. E o público que se interessa por esse material sabe onde encontrar. As idades também influenciam na escolha dos criminosos, que preferem crianças entre oito e 13 anos, que são as que já utilizam celulares sozinhos, que entram em jogos online, fazem amizades. “Estes criminosos entram nos jogos, se fingem de crianças e vão conquistando a confiança e aos poucos pedem fotos, indicando como as querem. Algumas destas crianças estão entrando na adolescência, com a autoestima baixa e começam a mandar essas fotos e sentem que estão agradando. Quem capta este tipo de material sabe trabalhar muito bem para conquistar a confiança.”

A titular da especializada detalhou ainda o perfil do pedófilo: a maioria é homem, embora mulher também possa praticar, com idade entre 20 e 50 anos, mais ou menos. Homens que acessam, que armazenam a pornografia infantil, geralmente são solitários, separados e a maioria com filhos. “Muitos se satisfazem só em ver o material pornográfico, não são necessariamente abusadores. E há abusadores que não são necessariamente pedófilos. Eles se aproveitam de uma situação. Alguns que temos prendido, dizem que não fazem nada físico, só acessam o material. Mas há o crime”, reforça a delegada.

Ela esclarece ainda que, com a pandemia, o uso da internet aumentou e esses crimes começaram a vir à tona. “Importante dizer também que muitas vezes a gente nota que os pais vem a contragosto, envergonhados de ter o filho envolvido. Se sentem culpados de não ter criado um suporte. Por isso é importante monitorar o filho. Tem aplicativo, formas de rastrear e limitar o acesso dos filhos a alguns conteúdos e mesmo assim pode acontecer. Pedimos que os pais, ao se deparar com uma situação envolvendo o filho em pornografia, venha até a delegacia. É importante dizer que toda a investigação será feita de forma a proteger a criança, o adolescente.”

Onde procurar ajuda
Quando verificada alguma situação suspeita, deve ser informada diretamente ao Conselho Tutelar – disponível 24 horas por dia, sete dias por semana, à rua Três de Maio, 1.060, ou pelos telefones (53) 3227-5613 e 99118-1661 -, ou anonimamente ao Disque 100 e para a Brigada Militar, pelo 190.A Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente fica localizada na rua Padre Anchieta, 3056, telefone (53) 3225-4567.


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