43 homicídios

Criminalidade em Rio Grande em maior número é praticada por adolescentes

Afirmação é do coronel Cláudio Goggia, em reunião no Legislativo rio-grandino

05 de Maio de 2022 - 11h11 Corrigir A + A -
Segurança pública foi tema de reunião na Câmara dos Vereadores (Foto: Divulgação - DP)

Segurança pública foi tema de reunião na Câmara dos Vereadores (Foto: Divulgação - DP)

Uma nova reunião sobre segurança pública aconteceu na Câmara de Vereadores de Rio Grande, na noite de terça-feira (3), com a presença do comandante do Comando Regional de Polícia Ostensiva (CRPO Sul), coronel Cláudio Goggia, do comandante do 6º BPM, Marcelo Nunes Ferreira, do comandante do 5ºBPChq, major Anderson Wenitt, e do secretário de Segurança da cidade, major Anderson Castro, além de parlamentares.

Na ocasião, o comandante do CRPO Sul, coronel Goggia, enfatizou que Rio Grande está passando por um momento complicado, com 43 mortes violentas. “Os homicídios começaram por um plano falso de fuga da Penitenciária de Alta segurança de Charqueadas (Pasc) e isso gerou uma briga, uma discórdia dentro do presídio. Essa discórdia acabou em acerto de valores aqui na cidade. Antigamente todos estavam juntos e depois, pela discórdia financeira, se separaram. E aí começou a ocorrer a criminalidade por briga de espaço, uma briga orçamentária”.

Ele apontou que o crime de homicídio é um crime diferenciado, um crime que não tem como controlar. Mas que vai, sim, ser solucionado com algumas medidas que estão sendo adotadas, como a vinda de todo reforço policial, com pagamento de horas extras e até a transferência dos apenados. “Pedimos que todos confiem na nossa instituição”, ressaltou. Ele apontou, ainda, a descapitalização das organizações criminosas, em torno de R$ 700 mil em apreensão de drogas e a apreensão de armas, em torno de R$ 900 mil. “Quanto mais tiramos, mais eles precisam se capitalizar.”

Goggia falou também sobre o assassinato da motorista de aplicativo Kellen Barbosa, na sexta-feira, quando dois homicídios foram cometidos. Também um menor de idade foi vítima de uma tentativa de homicídio praticada por dois adolescentes. Como vítima, ele relatou e identificou quem seriam os autores da tentativa. Esse menor foi apreendido com outro adolescente e mais dois adultos, presos quatro dias antes do crime contra Kellen, com dois veículos clonados, duas pistolas, um revólver, e três coletes. O jovem, que tem ampla ficha criminal por porte ilegal de arma restrita e até um homicídio doloso, foi entregue à família. No dia 5 de abril, um homem foi preso com cinco armas de fogo. Ele tem antecedentes por tráfico, sequestro, porte ilegal e homicídio.

Uma hora depois da morte da motorista, praticada também pelo menor apreendido com veículos clonados e armas, e entregue para a família, o homem preso com as cinco armas cometeu o segundo assassinato daquele dia. Ele foi preso uma hora depois. Antes disso, após ser detido no dia 5, foi posto em liberdade no dia seguinte. “De alguma forma temos que manter preso quem tem que ficar preso. É inadmissível um homem ser preso com cinco armas de fogo, em flagrante, e não pode ficar detido em razão de normas jurídicas. Se estivessem presos e não soltos, não teriam ocorrido os dois homicídios na semana passada”.

Na reunião foi apresentado um vídeo que circulou em toda a rede, onde dois carros com adolescentes armados atiram contra uma casa, para matar outro menor. Coronel Goggia enfatizou que a criminalidade em Rio Grande, em maior número, é praticada por adolescentes, “que não têm medo da morte, não tem valores”. “Esses jovens muitas vezes pertencem a famílias que estão inteiras no crime. Que fique claro que, enquanto houver usuários, o tráfico está sendo alimentado. Enquanto houver receptadores, as organizações criminosas estão sendo alimentadas”. Goggia também reportou que, das 43 mortes, 39 foram de pessoas com antecedentes criminais. Os dois mortos em confronto com a BM também tinham antecedentes.

Impossível
O pedido de intervenção federal, feito pelo vereador Júlio Lamim, foi considerado pelo comandante do CRPO Sul como impossível. “Primeiro porque não estamos em um caos e espero que toda comunidade rio-grandina saiba disso. E porque é inconstitucional”, apontou.

solução difícil
O secretário da Segurança municipal, major Anderson Castro, salientou que este tema é de solução difícil e não imediata. “As pessoas têm uma falsa impressão de que a segurança pública se resolve com uma ou outra ação. Mas na verdade ela não funciona sozinha. Quem hoje fuma um baseado, quem compra um celular que vale R$ 5 mil, por R$ 100,00 ou R$ 500,00, quem compra pneu sem nota fiscal, está alimentando as organizações criminosas. Então o problema está no comportamento da sociedade. E a sociedade, com essa mudança de comportamento, pelo conhecimento correto, vai conseguir, a longo prazo, ter uma mudança cultural. E essa mudança começa na família, com as escolhas”.


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