Pandemia

Casos da Covid-19 nos presídios da região preocupam Gitep

Boletim do Grupo Interdiciplinar da UCPel aponta que o número de contaminados teve salto a partir do mês de outubro na 5ª DPR

19 de Novembro de 2020 - 22h07 Corrigir A + A -
No Presídio Regional de Pelotas tem um caso suspeito.  (Foto: Divulgação - DP)

No Presídio Regional de Pelotas tem um caso suspeito. (Foto: Divulgação - DP)

O boletim técnico do Grupo Interdisciplinar de Trabalho e Estudos Criminais-Penitenciários da Universidade Católica de Pelotas (Gitep/UCPel) chama a atenção para o aumento de infectados pela Covid-19 nos presídios integrantes da 5ª Região Penitenciária do Estado. A partir do mês de outubro, foram registrados casos em cinco dos seis municípios. A 5ª DPR informa que, pelo dados atualizados, a maioria dos casos suspeitos foi descartada e que as medidas de contenção de contágio permanecem em cada casa prisional.

Divulgado diariamente pela Secretaria de Administração Penitenciária (Seapen) e pela Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe), o Boletim Diário de Covid-19 identificou somente no dia 16 de novembro 34 suspeitas em análise e dez confirmações. Na avaliação do coordenador do Gitep, professor Luiz Antônio Bogo Chies, esse dado permite compor um quadro de alerta, mesmo que a 5ª DPR ainda não tenha os piores índices do Estado.

Dentre os meses de julho a setembro, apenas a Penitenciária Estadual de Rio Grande (Perg) registrava índice preocupante, com 35 casos notificados no dia 6 de agosto e 28 casos em 30 de agosto. No mesmo período, também foram registrados mais dois casos, um em Canguçu em julho e um em Camaquã em setembro. “A partir de outubro identificamos casos em cinco dos seis municípios, e em números com tendência à elevação, haja vista a significativa constatação de casos suspeitos em alguns estabelecimentos”, comenta Chies.

O cenário mais preocupante, segundo o Gitep, é no municípios de Camaquã, que apontou 23 suspeitas; Pelotas teve oito casos suspeitos e cinco confirmações; e Santa Vitória do Palmar registrou duas suspeitas e cinco confirmações. De acordo com Chies, os casos de Pelotas se referem ao anexo do presídio regional. “Isso é preocupante devido ao espaço abrigar os chamados presos trabalhadores, os quais circulam pela área mais ampla do complexo prisional na execução de suas tarefas”, diz.

Divulgação dos números

O boletim técnico do Gitep ainda traz uma análise da metodologia escolhida pela Seapen para divulgação de casos registrados nos presídios do Estado. Conforme a nota, a divulgação privilegia os dados diários coletados nos estabelecimentos prisionais, o que não favorece a percepção imediata de evoluções e regressões sob perspectiva científica e epidemiológica. Na avaliação do grupo, questões sobre a evolução da pandemia dentro dos presídios podem ser melhor identificadas com o detalhamento de dados.

Contraponto

Segundo a titular da 5ªDPR, delegada Deisy Vergara, os dados atualizados apontam que no anexo do Presídio Regional de Pelotas há um caso suspeito, dois descartados e cinco recuperados. No interior da casa prisional não há casos registrados, sendo que 413 foram descartados. Já em Camaquã, os 23 suspeitos já foram testados: três positivaram e 20 negativaram. Os casos de Santa Vitória do Palmar deram negativos e os que estavam confirmados já estão curados. “Diante desses casos estamos sempre intensificando as medidas de prevenção, na tentativa de manter os índices baixos,e sem a necessidade de internação”, destacou Deisy.


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