Júri

Caso do advogado Marco da Silva deve ir a júri nesta quarta

O policial aposentado foi morto a tiros na frente de sua casa no dia 23 de janeiro de 2017

12 de Outubro de 2021 - 15h48 Corrigir A + A -

Por: Cíntia Piegas
cintiap@diariopopular.com.br 

Julgamento deve ocorrer nesta quarta (Foto: Divulgação - DP)

Julgamento deve ocorrer nesta quarta (Foto: Divulgação - DP)

Devem ir a julgamento nesta quarta-feira (13), no Tribunal de Júri de Pelotas, duas pessoas envolvidas na morte do advogado e policial civil aposentado Marco Antônio Silva da Silva, ocorrida no dia 23 de janeiro de 2017. Um deles, F.L.S., seria o mandante. O outro a ser julgado teria envolvimento por fornecer o veículo para que os autores da execução (que já foram julgados) se deslocassem de Rio Grande para Pelotas.

Na ocasião, a vítima sofreu uma emboscada quando estava chegando em sua casa, na rua Domingos Guedes Cabral, bairro Fragata, em Pelotas. Uma mulher desceu de um carro para falar com ele quando um rapaz apareceu e disparou várias vezes contra o inspetor, que chegou a ser levado para o Pronto Socorro de Pelotas, mas não resistiu. Quase dois meses depois, a Delegacia de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), com apoio da Polícia Civil de Rio Grande, desencadeou uma operação dentro dos presídios das duas cidades que levou até a localização e apreensão de dois veículos, sendo um deles o utilizado no crime, além de muitas drogas. Na época, oito pessoas foram indiciadas pelo Ministério Público e julgadas.

Para este caso, a atuação do Ministério Público fica a cargo da promotora Lúcia Helena Callegari, do Tribunal do Júri de Porto Alegre. A sessão tem início marcado para as 9h e, devido às medidas de segurança sanitária, em função da pandemia da Covid-19, não haverá plateia. Este foi um dos casos de maior repercussão de 2017, quando o número de homicídios chegou a 109 na cidade. Alguns crimes marcantes voltaram à mídia este ano, quando grande parte dos envolvidos nos casos, elucidados pela Polícia Civil, com indiciamento do Ministério Público, está indo a júri popular. De acordo com o promotor de justiça Márcio Schlee Gomes, daquele ano até os dias atuais foi intensificado o trabalho no Tribunal do Júri, tendo sido realizados, desde então, mais de 270 julgamentos, os quais contam diretamente com a participação da comunidade, pois, em se tratando de júri popular, os jurados decidem pela condenação ou absolvição dos acusados.

“A atuação no júri busca efetivar a defesa do direito à vida e segurança das pessoas, sendo que o trabalho da Promotoria é batalhar pela realização de justiça em cada caso específico, pedindo a condenação naqueles em que há provas claras e suficientes, e mesmo a absolvição se inexistirem elementos seguros quanto ao crime e sua autoria” destacou. Para o promotor, casos rumorosos, extremamente graves, envolvendo feminicídios, assassinatos de crianças e idosos, crimes por vingança, homicídios violentos e brutais, têm sido julgados ultimamente no Foro e recebido punição efetiva pelo júri de Pelotas, com punições severas. “Isso demonstra que a própria sociedade não tolera mais a violência e a agressividade como forma de contenção de conflitos.”

Cem casos em um ano

Com atuação desde 1998, quando iniciou em Pinheiro Machado e na Promotoria do Júri de Rio Grande, por 15 anos, Gomes já esteve à frente do Juizado da Violência Doméstica, em 2016, da Promotoria Criminal de Pelotas, em 2017, na 2ª Vara Criminal, passando depois para a 1ª Criminal a partir de 2020, participando de um regime de exceção de júris, que foram mais de cem casos, em 2018.

Sobre a redução da criminalidade em Pelotas, que segue batendo recorde de 77 dias sem registro de homicídios (até ontem), o promotor considera que a ação desenvolvida pelo Pacto pela Paz é muito importante, enfrentando a questão da segurança pública sob vários aspectos, com o trabalho integrado entre as instituições. “Nesse sentido, é sempre importante registrar que o trabalho da Promotoria de Justiça e do Judiciário, com a efetiva punição dos criminosos nos julgamentos pelo júri, é fundamental para a garantia da eficaz proteção do direito à vida em nossa comunidade pelotense e sensação de segurança das pessoas. E o trabalho tem sido muito forte nesse sentido, mesmo agora neste período de pandemia, com a realização de inúmeros julgamentos e muitas condenações exemplares.”


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