Descaso

Casarão na Osório é alvo de invasões

É recorrente a entrada no imóvel, na esquina com a Antônio dos Anjos; ocupantes inclusive usam a lareira, possivelmente para queima de fios de cobre

10 de Janeiro de 2022 - 09h42 Corrigir A + A -
Os invasores usam a lareira para queimar objetos, possivelmente fios de cobre para venda ou troca por drogas (Foto: Jô Folha - DP)

Os invasores usam a lareira para queimar objetos, possivelmente fios de cobre para venda ou troca por drogas (Foto: Jô Folha - DP)

Invasões são recorrentes no imóvel (Foto: Jô Folha - DP)

Invasões são recorrentes no imóvel (Foto: Jô Folha - DP)

Na esquina da General Osório com Antônio dos Anjos, região central de Pelotas, uma casa de estilo alemão, construída na década de 1940, tem sido alvo de constantes invasões de possíveis pessoas em situação de rua. A ação é recorrente e coloca em risco a imponente construção, sem residentes há mais de 15 anos. Os invasores usam a lareira para queimar objetos, possivelmente fios de cobre para venda ou troca por drogas.

O imóvel de esquina de dois andares, construído em estilo alemão pela família ainda proprietária, está localizado em um terreno amplo e arborizado, em área nobre de Pelotas, junto a casarões construídos na metade do século passado.

A reportagem esteve em uma tarde no meio da semana em frente à casa e flagrou a situação de invasão. Um homem aproximou-se com uma sacola na mão, pulou o muro de tijolos através de uma brecha que o torna mais baixo, entrou na casa e, poucos minutos depois, foi possível ver a fumaça preta saindo da chaminé.

No interior do terreno há até uma cadeira de praia levada pelos invasores, além de muita sujeira, como garrafas pet, restos de marmita e até fezes humana. Dentro da casa, segundo um dos seis proprietários do imóvel, o estudante de medicina Luís Otávio Behrensdorf Kaiser, há sinais de deterioração e toda a fiação já foi furtada.

O imóvel está em situação de inventário e a família corre para regularizá-lo, pagando IPTU e contas com o Sanep, para tentar vendê-lo. Desde meados da década de 2000 não há mais moradores, mas durante alguns anos a residência recebeu cuidados de um proprietário que morava em um apartamento em frente. Desde que este faleceu, a casa tornou-se inabitada pela família.

Kaiser relata que já foram gastos mais de R$ 30 mil para medidas de proteção do terreno, como a construção de um muro de tijolos. Na semana passada foi contratada uma empresa de segurança particular, que fixou dois cartazes na cerca em frente.

Segundo o proprietário, até o Corpo de Bombeiros já foi chamado por causa da ação dos invasores, pelo temor de que a residência estivesse pegando fogo. Eventualmente, conforme atestam vizinhos, a casa passa por um processo modesto de manutenção, como o corte da grama do jardim.

A ideia da família é regularizar o inventário entre os seis proprietários para a venda da casa. De acordo com Kaiser, há bastante procura e a prioridade é para um comprador que comprometeu-se em reformar o imóvel e instalar um empreendimento, mantendo a planta original.

"A gente dá prioridade para quem for comprar e reformar. A gente tem um apreço pela casa ter sido sempre da nossa família, construída pelos meus bisavós, mas não temos mais como mantê-la", relatou Luiz Otávio Kaiser.

O funcionário do posto de combustíveis localizado na diagonal do terreno, Marcos Vinícius Medeiros Barbosa, relata que a invasão é diária, "24 horas por dia". Moradores não relatam situações de violência na região, ao contrário do que acontecia nas invasões à Casa Kraft, em frente, quando havia roubos nos imóveis adjacentes.

Ainda de acordo com Barbosa, mesmo com a contratação da empresa de segurança particular, ainda ocorrem invasões. "Às vezes passam até a noite ali, ou então chegam, queimam os fios de cobre e vão embora", aponta.

De acordo com o comandante do 4º Batalhão de Polícia Militar, major Paulo Renato Scherdien, é comum a prática da queima de fios de cobre para revenda. Sobre a invasão à casa, ele afirma que a Brigada Militar não tem poder de atuação por meio de denúncias de vizinhos, a menos que seja em situação de flagrante criminal.

"No momento que já se tomou posse do imóvel, é uma ação privada. Se está dentro de uma residência ou terreno que o proprietário não moveu uma ação, não tem o que a polícia fazer naquele momento", explica. "Os vizinhos podem procurar a Promotoria para solicitar uma providência do proprietário, se for o caso", completa.


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