Denúncia

Advogada de Campo Bom denuncia ação abusiva de policiais de Pelotas

Anália Goreti da Silva esteve na OAB/RS para pedir providência sobre a ação; equipe da Draco diz que cumpriu ordem judicial

04 de Junho de 2020 - 09h20 Corrigir A + A -

Por: Redação
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Advogada Anália pediu apoio da OAB/RS (Foto: Divulgação - OAB/RS)

Advogada Anália pediu apoio da OAB/RS (Foto: Divulgação - OAB/RS)

Atualizada às 14h14min para acréscimo de informações

A Secretaria da Segurança Pública (SPP) do Estado passa a acompanhar o caso envolvendo policiais da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) de Pelotas e uma advogada de Campo Bom. Na terça-feira-feira (2), cerca de dez policiais cumpriram mandados de busca e apreensão na residência de Anália Goreti da Silva, no Vale do Sinos. A ação foi considerada abusiva e a advogada pediu providência para a Ordem dos Advogados do Brasil do Rio Grande do Sul (OAB/RS).

A assessoria de Comunicação da Secretaria informou que a orientação é que seja dada máxima atenção à apuração desse procedimento e que a Polícia Civil já abriu sindicância e um inquérito policial para apurar as circunstâncias da ação, executada mediante autorização de mandado de busca e apreensão expedido pelo Poder Judiciário. O delegado da 18ª Delegacia Regional de Polícia, Márcio Steffens, confirmou a abertura do procedimento para analisar a denúncia de Anália, mas acredita que foi um procedimento normal de cumprimento de mandado judicial.

Em nota divulgada na página da OAB/RS, a advogada relatou ao presidente estadual da instituição, Ricardo Breier, que na manhã de terça teve sua residência invadida por policiais civis de Pelotas, participando de uma investigação, envolvendo tráfico de drogas. Segundo ela, houve um equívoco da investigação, que definiu o endereço da casa como o local a ser abordado pelos servidores públicos da Zona Sul, que “agiram de forma autoritária e levaram medo à família de Anália”. Ainda segundo a relatora, as marcas da violência na abordagem ficaram na porta, que foi danificada quando os policiais forçaram a entrada.

Conforme o material divulgado pela OAB, a família de Anália estava em casa, no bairro Bela Vista, quando ocorreu a invasão dos policiais. Ela lamentou a forma agressiva e truculenta da ação. “Eu sou transplantada. Nestas últimas semanas, ninguém praticamente me visitou”. A vice-presidente da subseção de Novo Hamburgo, que abrange Campo Bom, Juliana Martins da Silva, diz que já pediu providências à Chefia de Polícia e ao vice-governador, Ranolfo Vieira, que também é secretário de Segurança Pública, devido ao ocorrido. “É uma agressão, inclusive uma violação das prerrogativas profissionais, já que na residência também está registrado o escritório da advogada”, destaca Breier. “É um verdadeiro abuso de autoridade e que não poderá ficar impune”, complementou.

No mesmo texto, o presidente Breier manifestou sua indignação com o caso, pois, mesmo com Anália se identificando aos policiais como advogada e solicitando a presença de representantes da subseção da OAB, o direito lhe foi negado. “Ainda temos muitos abusos de autoridade em nosso país. Existem prerrogativas da advocacia que devem ser respeitadas. Nesse caso, foram ignoradas”, salientou. “Vamos acompanhar o andamento da ocorrência e do processo administrativo. É preciso ter punição para que casos assim não se repitam”, salientou Breier.

Investigação

Policiais da Draco de Pelotas estiveram no Vale do Sinos em razão de uma investigação, envolvendo tráfico de drogas. A partir da geolocalização de um aparelho de telefone celular apreendido com um traficante, na semana passada, eles se deslocaram para o endereço de onde teriam partido algumas mensagens. Foi a investigação que definiu a residência como o local a ser realizada a busca, mas para a advogada, houve um equívoco. Segundo relatos da comunidade, existe um ponto de compra e venda de drogas próximo à residência. Um dos familiares foi algemado, pois imaginou ser um assalto e tentou se refugiar do que imaginava serem criminosos. Após duas horas, Anália conseguiu fazer alguns contatos para tentar esclarecer o que estava ocorrendo. Depois disso, os policiais civis deixaram a residência.

Contraponto

De acordo com o delegado, Rafael Lopes, responsável pela operação, a equipe cumpriu os mandados de busca e apreensão em Campo Bom e em Novo Hamburgo, em meio a investigações sobre tráfico de drogas. “Não vou detalhar as investigações porque ainda estão em andamento. O que posso garantir é que não houve abuso algum”, considerou. O delegado disse ainda que os mandados foram expedidos pelo Poder Judiciário e foram cumpridos dentro da técnica policial e de acordo com o código de processo penal.


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