Levantamento

529 solicitaram Medidas de Urgência

Além das MPU, mais de 1,7 mil mulheres foram vítimas de ameaça, agressão e estupro em 2018

09 de Fevereiro de 2019 - 14h05 Corrigir A + A -

Por: Giulliane Viêgas
giulliane.viegas@diariopopular.com.br

No ano passado foram presos 49 agressores, sendo 15 em flagrante e 34 por ordem judicial (Foto: Infocenter DP)

No ano passado foram presos 49 agressores, sendo 15 em flagrante e 34 por ordem judicial (Foto: Infocenter DP)

Levantamento da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) aponta que 529 mulheres solicitaram Medidas Protetivas de Urgência (MPU), no ano passado, em Pelotas. O número representa que, ao mês, 44 mulheres pediram proteção de seus agressores - em sua maioria, companheiros e ex-companheiros - à Justiça, a média foi de mais de uma solicitação por dia. Além disso, dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP) do Estado mostram que 1.740 mulheres prestaram queixas de ameaças, agressões e estupros sofridos. Em 2018, cinco mulheres foram assassinadas em Pelotas. Em contrapartida, a Deam realizou 49 prisões de agressores - sendo 15 em flagrante e 34 por ordem judicial - e apreendeu diversas armas de fogo. "A denúncia é fundamental. Se a vítima não denunciar, um terceiro que saiba da violência deve informar à polícia. O silêncio mata", comentou a titular da Delegacia Especializada, Maria Angélica Gentillini da Silva.

A delegada salienta ser importante que a mulher, vítima de violência, tenha conhecimento da Rede de Proteção e que preste queixas à polícia para que se possa tomar as providências e evitar que uma agressão acabe em feminicídio. "A violência existe. Temos policiais preparados para atuar em casos de violência doméstica e toda uma rede de apoio. O agressor é preso se descumprir as medidas impostas pela vítima", disse.

Integrante do Conselho Municipal do Direito das Mulheres (Condim), Diná Lessa, considera que apesar de ser alto o número de mulheres que solicitaram Medidas Protetivas de Urgência no ano passado, significa que as vítimas estão denunciando e se dando conta dos seus direitos. "É assustador, mas ao mesmo tempo representa que nosso trabalho, da Rede de Proteção, tem apresentado efeitos". Quanto aos indicadores da violência contra a mulher divulgados pela SSP, Diná avalia que os índices são maiores. "Nós, que estamos diariamente trabalhando com as vítimas, sabemos que esses números são bem maiores. Muitas não registram e procuram apoio somente quando acabam sendo agredidas fisicamente".

Um dos problemas enfrentados pela Rede é a falta de recursos, preocupação dos órgãos em todas as esferas em relação à violência contra mulher e apoio para que as ações tenham resultados ainda melhores, uma vez que todas elas são feitas por voluntários. "Nosso trabalho é no estilo "formiguinha", é aos poucos. Falta preocupação, sensibilidade e interesse no Executivo municipal, estadual e federal em investir para que a violência contra a mulher diminua. Por enquanto, diante do que tem se visto, é acreditar em dias melhores", afirmou Diná.

Indicadores, segundo a SSP
Ameaça - 1.011
Lesão corporal - 670
Estupro - 51


Denuncie
Central de Atendimento à Mulher - 180
Polícia Civil - 197
Brigada Militar - 190
Guarda Municipal - 153


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