Estado

2.056 vidas preservadas

O 2021 foi de redução nos homicídios e latrocínios, mas de aumento do feminicídio no Rio Grande do Sul

13 de Janeiro de 2022 - 21h44 Corrigir A + A -
Dados foram apresentados em Alvorada, cidade de maior redução nos assassinatos (Foto: Rodrigo Ziebell - SSP)

Dados foram apresentados em Alvorada, cidade de maior redução nos assassinatos (Foto: Rodrigo Ziebell - SSP)

Imagine todos os 932 habitantes de Engenho Velho, na Região Norte, mais os 1.084 residentes de União da Serra, riscados do mapa. Ou que a população inteira de Pedras Altas, de Doutor Ricardo ou de São José do Inhacorá deixasse de existir. Essa é a dimensão do resultado alcançado nos três anos do governo, com a implantação do Programa RS Seguro, na redução dos crimes violentos letais e intencionais (CVLI) no Rio Grande do Sul. Somados os homicídios, latrocínios e feminicídios, as quedas em sequência nas ocorrências do tipo desde 2018 alcançam a marca de 2.056 vidas preservadas no período, número maior que a população de 52 municípios gaúchos, conforme a estimativa populacional do IBGE. É o que revelam os dados do balanço de indicadores criminais do Estado, divulgado ontem pelo governador Eduardo Leite (PSDB) e pelo vice-governador, Ranolfo Vieira Jr., também secretário da Segurança Pública, na praça central de Alvorada.

O Programa Transversal e Estruturante de Segurança Pública implantou a governança estratégica e o planejamento orientado por evidências que deram qualidade na gestão da área. Amparado pelas premissas de inteligência, integração e investimento qualificado, o RS Seguro proporcionou a otimização dos recursos materiais e humanos para combater o crime onde ele mais se faz presente. Com o lançamento do Sistema GESeg, em dezembro, a oferta de análises automatizadas em padrão visual a partir da ciência de dados, que operava inicialmente com os 23 municípios priorizados, está agora disponível para aprimorar a tomada de decisão pelos gestores locais das 497 cidades do Estado.

A queda ano após ano que coloca os crimes contra a vida no menor patamar da série histórica é ainda mais impressionante entre os delitos contra o patrimônio. Nos roubos de veículos, ao obter entre 2019 e 2021 um número cada vez menor que os 16.122 casos ocorridos em 2018, o Estado deixou de registrar 24.419 ocorrências nos últimos três anos. Se esses roubos tivessem acontecido, seria como se toda a frota em circulação no município de Torres, no Litoral Norte, desaparecesse. Ou como se ladrões tivessem deixado a pé, juntas, as populações dos 24 municípios com as menores frotas do Estado, conforme dados do Departamento Estadual de Trânsito (DetranRS).

Homicídios

O balanço de 2021 aprofundou uma marca alcançada já no primeiro ano da gestão Eduardo Leite e delegado Ranolfo: pelo terceiro ano seguido, o Rio Grande do Sul alcança novo recorde na redução de homicídios, com a menor taxa de vítimas para cada cem mil habitantes desde 2010. Em 2018, quando o Estado teve 2.368 mortes por assassinato, a taxa foi de 20,9 óbitos a cada 100 mil moradores, um ano antes, os gaúchos amargaram o pior cenário já vivenciado, com taxa de 26,4. Já no primeiro ano do atual governo, o número de vítimas de homicídios voltou, pela primeira vez desde 2011, a ficar abaixo de dois mil, e a taxa por cem mil habitantes caiu para 16,1. Em 2020, baixou para 15,8 e, no ano passado, fechou em 13,6, bem próximo da marca estabelecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) como situação de normalidade em grandes ocupações urbanas, de dez homicídios para cada cem mil residentes.

O resultado reflete o esforço contínuo das forças de segurança a partir do foco territorial adotado pelo RS Seguro. Além de Alvorada, que liderou o ranking da redução de homicídios na comparação com 2020, outras sete das 23 cidades priorizadas pelo programa ocupam posições na lista das dez maiores quedas nesse indicador. Entre 2020 e 2021, o número de assassinatos caiu de 1.811 para 1.561, uma retração de 13,8%. E dos 250 homicídios a menos, 159 foram reduzidos no conjunto dos 23 municípios.

Com cerca de 80% dos homicídios do Estado relacionados a disputas entre organizações criminosas, em especial às ligadas ao tráfico de drogas, a busca pela descapitalização desses bandos, o rompimento de suas cadeias hierárquicas e a crescente responsabilização não apenas de executores, mas também daqueles que ordenam assassinatos, compõem a linha de ação que colabora para a queda contínua no índice de homicídios. O elevado índice de resolução das investigações, com apontamento de autoria em 76% dos inquéritos de homicídio remetidos ao Ministério Público, também colabora retirar das ruas criminosos perigos e ainda tem efeito pedagógico para inibir crimes em potencial. Também impulsiona essa estratégia a continuidade no isolamento de líderes de organizações criminosas em penitenciárias federais fora do Estado.

Latrocínios

Ainda no âmbito dos crimes contra a vida, os roubos com morte também sofreram redução no ano passado na comparação com 2020. Numa queda de 13%, o número de casos passou de 69 para 60, o menor total desde que teve início a série de contabilização em 2002. Na comparação com 2018, último ano antes da atual gestão, quando houve 91 registros de latrocínio, a retração chega a 34,1%. Frente ao pior momento já vivido no Rio Grande do Sul, no ano de 2016, quando 169 assaltos terminaram em perdas de vida, o dado atual representa uma queda de 64,5%.

No mês de dezembro, por exemplo, o número de latrocínios no Estado subiu de cinco em 2020 para oito em 2021, ainda assim num patamar 68% abaixo dos 25 registros do pico da série histórica, em 2005. Dos oito casos do último mês no ano passado, seis já estão com autoria identificada e resultaram na prisão de 12 suspeitos. Um sétimo caso está parcialmente elucidado e apenas um, ocorrido no último dia de 2021, em Rio Grande, ainda não teve autores apontados.

Latrocínios em dezembro 2021

3/12 - Arvorezinha: elucidado, um foragido
9/12 - Rio Grande: elucidado, um preso e um foragido
10/12 - Lajeado: parcialmente elucidado
10/12 - Palmeira das Missões: elucidado, três presos
14/12 - Pelotas: elucidado, dois presos
15/12 - Porto Alegre: elucidado, um preso e um foragido
23/12 - Três Coroas: elucidado, cinco presos
31/12 - Rio Grande: ainda sem autoria identificada

Abigeatos

Os abigeatos, característicos do meio rural, atingiram um novo recorde com o menor total desde o início da contabilização, em 2012. Foram 5.199 registros em 2021, 2% menos que os 5.306 do ano anterior.

Feminicídios têm alta em 2021

Entre os principais indicadores monitorados pela SSP, o crime de feminicídio foi o delito que contrariou a tendência de redução. O número de mulheres assassinadas por motivo de gênero passou de 80, em 2020, para 97 no ano passado, uma alta de 21%. Ainda assim, o total de casos permaneceu abaixo da marca de 2018, antes do RS Seguro, quando houve 116 vítimas.

O aumento ocorreu em um dos anos em que mais foram realizadas ações preventivas e repressivas pelas instituições de segurança, em todos os âmbitos. Entre as 97 mulheres assassinadas por razão de gênero em 2021, apenas dez tinham MPU.


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