Desenvolvimento

Técnica é capaz de aumentar produtividade de grãos em 26 sacas por hectare no Sul

Técnica sulco-camalhão reduz estresse hídrico em período da seca e evita encharcamento em épocas com excesso de chuva, permitindo estabilidade na produção

16 de Junho de 2021 - 19h22 Corrigir A + A -
Os resultados da técnica de plantio têm gerado estabilidade da produção de grãos (Foto: Divulgação - DP)

Os resultados da técnica de plantio têm gerado estabilidade da produção de grãos (Foto: Divulgação - DP)

Uma técnica de plantio aplicada nas terras baixas gaúchas foi capaz de garantir uma ótima produtividade da soja na região, caracterizada por solos com deficiência em drenagem natural. Bons resultados foram registrados em estudo de viabilidade do uso do sistema sulco-camalhão, em que a cultura é plantada no trecho mais elevado (camalhão) e os sulcos laterais servem para escoamento da água de drenagem e irrigação e por onde passam os rodados das máquinas. O trabalho foi feito em seis propriedades com lavouras de soja e milho com o objetivo de adaptar culturas de terras altas às terras baixas gaúchas. Os dados obtidos serão divulgados em uma transmissão ao vivo, no dia 16 de junho.

Com a irrigação por sulcos houve aumento, na primeira safra do experimento, de mais de 20 sacas por hectare (sc/ha) em comparação à média de produção da área ao lado, que não usou essa tecnologia. Já na segunda safra o aumento foi de 26 sc/ha. O custo médio pela aplicação da tecnologia de sulco-camalhão ficou em R$ 637,00/ha.  Em dois anos de trabalho, a equipe de pesquisadores, técnicos e produtores envolvidos no Projeto Sulco considerou os dados animadores. 

“Os resultados têm sido muito bons, gerando estabilidade de produção. No sistema convencional, em anos secos ou de muita chuva, a produção de soja e milho é baixa. Já em anos em que está tudo bem com o clima, produz bem. E no sistema sulco-camalhão do Projeto Sulco temos tido boas produções com estabilidade”, destaca o pesquisador da Embrapa Clima Temperado José Maria Parfitt. O projeto é realizado em parceria público-privada.

Conforme os resultados desse trabalho, ao adubar bem a cultura da soja, é possível alcançar cerca de cinco mil quilos por hectare, com boa estabilidade e usando boas cultivares. Com a cultura do milho não é diferente, é possível chegar à produção de 12 toneladas do grão ano a ano, independentemente das condições climáticas.

“A primeira safra do Projeto (2019/2020) foi extremamente seca, com perdas de produtividade nas lavouras do estado, mas as áreas-piloto de soja irrigada produziram, em média, 20 sc/ha a mais do que as áreas não irrigadas na mesma propriedade, com produtividade média de 66,3 sc/ha. Essa produtividade corresponde ao peso da produção total obtida na colheita, ajustada para a umidade de 13% e descontadas as impurezas”, avalia Parfitt.

Quanto à viabilidade econômica, foi preciso considerar as cotações da época, os custos adicionais para a realização da irrigação e da drenagem por sulco-camalhão, resultando uma média de 3,5 sc/ha, indicando excelente viabilidade econômica do sistema. “Os custos adicionais incluem a suavização, a construção dos sulcos-camalhões, a aquisição dos politubos e o custo da água e energia para irrigação”, ressalta Centeno. Ele enfatiza que a suavização é um investimento, sendo adicionado aos custos na forma de depreciação em cinco anos.

Há pouco tempo foram colhidas as áreas da safra 2020/2021 nas propriedades-piloto do projeto, que apresentaram produtividade mais alta que a da safra anterior. “Um dos produtores parceiros é Geovani Weber, do município de Formigueiro (RS). Ele alcançou 105,8 sc/ha, muito próximo do potencial produtivo da soja em terras baixas do RS, estimado em 107 scs/ha (6,4 ton/ha) pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)”, diz Parfitt.

A tecnologia do sulco-camalhão

Trata-se da construção do camalhão, que provoca a abertura de um sulco no solo. O camalhão constitui a zona de cultivo com solo mais profundo e sem compactação, ideal para o desenvolvimento radicular das culturas, e o sulco, além de ser utilizado para a irrigação e drenagem da lavoura, também é utilizado como zona de tráfego para o rodado das máquinas. Conforme Parfitt, essa técnica, chamada Tráfego Controlado, traz melhorias para outro problema nas lavouras gaúchas: a compactação das áreas de cultivo.

Parfitt conta que o sulco-camalhão tem a forma de um ”telhado”, com ondulações pelas quais corre a água. Na parte alta, o camalhão, é feito o plantio da cultura; e na parte baixa, o sulco, a água corre e passam os rodados do trator ou arado puxado por tração animal.

Projeto Sulco

O projeto tem duração de três anos, tendo iniciado em 2019, e foi dividido em três ações junto aos parceiros. A primeira ação contempla atividades já em execução, realizadas pela Embrapa devido à expertise tanto na área de sistematização do solo com declividade variada, como na técnica de sulco-camalhão (safra 2019/20). A segunda ação inclui atividades futuras (safras 2020/21 e 2021/22) de pesquisa e validação, a serem planejadas, instaladas e conduzidas em seis propriedades parceiras, com a colaboração técnica de pesquisadores. Já a terceira, diz respeito às ações de transferência da tecnologia desenvolvidas no trabalho.

“Cada uma dessas empresas, atua com a sua expertise”, diz o pesquisador Parfitt, responsável técnico na Embrapa pelo projeto, cujo coordenador é Amilcar Centeno. A Trimble Brasil Soluções Ltda. fornece os equipamentos para a realização do projeto de sistematização (suavização); a Agco do Brasil Soluções Agrícolas Ltda. disponibiliza os tratores que vão realizar a suavização e semeadura das culturas, além da semeadeira em linha que possui sistema Precision Planting e adaptação ao sistema sulco-camalhão; a PipeBR realiza e executa o projeto de irrigação nas lavouras de milho e soja; e a KLR implementos fornece a camalhoneira para construção dos camalhões.


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