Colheita

Perspectiva de boa safra da uva

Mesmo com condições climáticas adversas, expectativa é de que sejam colhidas 650 toneladas

06 de Fevereiro de 2016 - 17h29 Corrigir A + A -
Prefeito Eduardo e vice Paula participaram da abertura da colheita (Foto: Rafa Marin)

Prefeito Eduardo e vice Paula participaram da abertura da colheita (Foto: Rafa Marin)

Nos anos anteriores, a abertura da colheita da uva na região de Pelotas ocorreu uma semana antes do início da safra de 2016, realizada na última quinta-feira (4), na propriedade da Família Ribes, 7º distrito de Pelotas. A menor incidência de dias frios e a ocorrência de geada tardia no ano passado afetaram a produção, o que, além de atrasar o amadurecimento dos frutos, pode representar perdas na colheita. Mas, mesmo com as condições adversas e com algumas plantas ainda novas, a safra deve ser satisfatória e girar em torno de 650 toneladas. “Alguns cachos ainda não estão totalmente maduros, então haverá oferta de uvas depois de outras regiões produtoras. A expectativa é que o preço acabe compensando”, explica o pesquisador da Embrapa Clima Temperado, Jair Nacthigal.

Desde 2006, a produção de uvas está sendo incentivada na região para estimular a diversificação da fruticultura, que tem em Pelotas o pêssego como principal atividade. Segundo dados do Censo Frutícola 2014, produzido pela Emater, o município abriga cerca de 40 hectares de videiras, divididos em 125 produtores. Destes, 12 hectares são mais especializados, com foco no consumo in natura. A produtividade média das variedades para mesa deve ficar em torno de 30 toneladas por hectare. Na regional de Pelotas, que engloba 22 municípios, a uva ocupa pouco menos de 250 hectares, boa parte voltada à indústria em função das grandes vinícolas, principalmente no município de Pinheiro Machado.

Abertura oficial
Esta foi a quarta vez que a abertura da colheita ocorreu na propriedade da família Ribes, que possui pouco mais de três hectares de parreirais. Este ano, seu Renato Ribes deve colher em torno de 50 toneladas, mas o produtor espera atingir 120 toneladas no próximo ano, já que algumas plantas ainda são novas e não estão no auge de produção. Para ele, a uva, vendida a cerca de R$ 3,00 o quilo, é uma das principais fontes de renda, além do pêssego. A comercialização é feita para os mercados locais. “Foi um ano chuvoso, teve geada, mas a expectativa é que vamos ter um retorno bom”, afirma o produtor. A capacidade de recuperação das videiras é um dos fatores que faz com que os técnicos incentivem a cultura para a diversificação. “Com os problemas do ano passado, a grande maioria das outras frutas teria a colheita totalmente comprometida”, completa Nachtigal.

Participaram da 6ª abertura da colheita cerca de 250 pessoas, como agricultores, técnicos agrícolas e representantes de entidades, tanto de Pelotas como dos municípios de Arroio do Padre, Rio Grande e Amaral Ferrador. O chefe do Executivo pelotense, Eduardo Leite (PSDB), também participou e abriu oficialmente a colheita junto da família Ribes. “Estamos aqui para prestigiar e reconhecer os esforços destes produtores que fazem avançar essa cultura que é tão importante para a geração de renda das famílias”, disse.

Na abertura da colheita, houve ainda um concurso que premiou a melhor caixa, o cacho mais característico da cultivar e o cacho de maior peso. E um momento de homenagens a algumas pessoas responsáveis por incentivar a retomada da cultura no município, como o agricultor Jordão Camelato - grande produtor nas décadas de 1920 e 1930, e o técnico da Emater Geraldo B. Torchelsen, além da própria família anfitriã. A realização do evento ficou a cargo da Embrapa, Emater/RS-AScar, UFPel, Cafsul e Sicredi.


Comentários


Diário Popular - Todos os direitos reservados