Incertezas

Desacordos causam incerteza na cadeia do tabaco na região

Cadeia de uma das principais produções da região vive instabilidade de pagamento

14 de Julho de 2021 - 10h10 Corrigir A + A -
Cadeia vive tempos incertos - (Foto: Evair Ehlert)

Cadeia vive tempos incertos - (Foto: Evair Ehlert)

Uma das principais produções da região, envolvendo mais de 7 mil famílias, o tabaco vive dias incertos. Desnivelamento entre o valor pago aos produtores nos primeiros meses do ano e nos períodos seguintes, aliado ao descumprimento de normas no processo de comercialização fizeram, recentemente, a Frente Parlamentar em Defesa dos Produtores da Cadeia Produtiva do Tabaco da Assembleia Legislativa buscar a Procuradoria Regional da República da 4ª Região (PRR4) para uma audiência virtual sobre a negociação da safra 2020/2021.

Coordenador da frente, o deputado estadual Zé Nunes (PT) foi o responsável por enviar ofício ao procurador Marcelo Veiga Beckhausen alertando sobre o assunto. Na visão dele, houve negociação inadequada da safra atual e descumprimento da lei federal de integração, que define regras como valor mínimo para o fumo produzido. Zé Nunes frisa que diversos produtores relataram disparidade no preço pago no início do ano, muito inferior ao que foi oferecido nos últimos meses, quando já havia pouco estoque à disposição. "Não somos contra a boa remuneração aos produtores, mas os critérios usados até que a comercialização chegasse a 80% do total deixaram prejuízos financeiros consideráveis a quem teve de vender sua safra nos períodos iniciais", explicou o parlamentar", disse.

Ao Diário Popular, o engenheiro agrônomo da Emater, Evair Ehler, explica que, nos atuais moldes, a comercialização ocorre geralmente levando-se em consideração a classificação atingida pelo tabaco e o preço mínimo. Segundo ele, há problemas graves na remuneração do tabaco folha seca por serem muitas classificações possíveis de enquadrá-lo, nas chamadas estufas de secagem do tabaco. A qualidade depende de clima, do manejo produtivo, irrigação, do momento da colheita, da localização das folhas na planta de tabaco no momento de colher, entre outras tantas variáveis do processo.

"Com estes parâmetros todos interferindo na qualidade do tabaco seco, sempre em todas as safras, o final, mesmo com reajustes ou não, sempre é uma combinação de negociação com as empresas. Havendo a concordância entre produtor e empresa, o tabaco segue na linha de produção. Tendo divergências, pode ser acionada a empresa Ascar, que fará a classificação do produto de acordo com a regra oficial definida pelo Ministério da Agricultura", prossegue Ehler.

Na opinião do deputado estadual, porém, nos fóruns que estabelecem o reajuste dos preços pagos pelo tabaco, cada empresa tem colocado custo de produção próprio. "Não aceitam um custo único e ao mesmo tempo não aceitam um reajuste. Cada uma exerce o seu poder econômico frente a esses produtores", prossegue.

Com a palavra, quem produz

Produtor de tabaco há dezoito anos em São Lourenço do Sul, César Lilge vê, no acúmulo de critérios, a mais absoluta falta de critérios. "Pagam o que bem entendem. São mais de 50 classes e eles vão jogando. Ano passado mesmo, que teve seca e a qualidade caiu, eles pagaram muito abaixo da média. Sempre foi por volta de R$ 10 o quilo e pagaram R$ 8", diz, salientando que, em 2021, acabou sendo beneficiado por ter realizado as vendas em um segundo momento. "As regiões que colheram antes praticamente não pegaram nada. Para eles, o preço foi muito ruim."

O pagamento abaixo da média, ele justifica, tem se tornado insustentável ao trabalhador do tabaco pelo custo da produção, sempre em alta pelo aumento do dólar. Atualmente, o gasto é de R$ 1 por pé de tabaco. "Vendendo por R$ 10, dá mais de R$ 1 por pé no ganho. Mas com menos que isso, dá só pra empatar."

O que é a Lei da Integração

Legislação federal que regula os sistemas de produção de setores industriais que beneficiam matérias-primas através do fornecimento de tecnologias, insumos e assistências técnicas para na sequência comercializarem essa produção. O objetivo é determinar normativas para essa relação entre as empresas e o produtor.

A importância do tabaco para a região 

Produzido em oito municípios: Amaral Ferrador, São Lourenço do Sul, Turuçu, Arroio do Padre, Pelotas, Morro Redondo, Canguçu e Piratini
Número de famílias produtoras: 7.216
Preço médio pago ao produtor: R$ 12 o quilo
Produtividade: 4.000 a 4.500 kg/ha.
Total recebido pelos produtores pelas empresas: R$ 687.288.000,00

(fonte: Emater)


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