Discordância

Vereadores pedem que prefeitura recorra da bandeira

Fabrício Tavares e Anderson Garcia cobram solicitação ao Estado para que Pelotas e Rio Grande deixem de integrar mesma região Covid

08 de Julho de 2020 - 21h01 Corrigir A + A -

Por: Vinicius Peraça
vinicius.peraca@diariopopular.com.br 

Tavares e outros aliados querem que Paula reabra o comércio (Foto: Volmer Perez - Câmara de Vereadores)

Tavares e outros aliados querem que Paula reabra o comércio (Foto: Volmer Perez - Câmara de Vereadores)

A insatisfação de empresários com a classificação de bandeira vermelha em Pelotas e adoção de restrições às atividades por parte de Paula Mascarenhas (PSDB) provocou inversão de lógica na Câmara de Vereadores. Enquanto parlamentares de oposição apoiam a posição da prefeita, integrantes da base passaram a criticar o Executivo.

Nesta quarta-feira (8), o ex-líder do governo e o líder da bancada do PTB (partido do vice-prefeito Idemar Barz) cobraram da prefeitura revisão da opção por aceitar a bandeira vermelha e fechar o comércio. Fabrício Tavares (PP) e Anderson Garcia sustentam que Pelotas não ter buscado a manutenção em bandeira laranja mesmo com incidência de coronavírus inferior a outras regiões causou “estranheza”.

“Pelotas tem 90 casos para cada 100 mil (habitantes). Caxias tem 1.600 a cada 100 mil, recorreu e conseguiu. Pelotas não recorreu”, diz Tavares. Os números citados, no entanto, não batem com o monitoramento mantido pela Secretaria de Saúde do Estado. O painel da Covid-19 indica que Caxias do Sul possui incidência de 267 contaminados por 100 mil habitantes, enquanto Pelotas tem 95. Nos índices regionais, a Serra tem 497 e a Zona Sul 79 infectados por 100 mil moradores.

Para Garcia, o fato de Pelotas e Rio Grande integrarem a mesma região no mapa de bandeiras do governo do Estado deveria ser revista. “A prefeita poderia pedir revisão deste mapa. Eu e o vereador Fabrício não queremos abrir o comércio de qualquer maneira, fazer as coisas correndo. Mas a passividade às vezes assusta. Vem uma decisão de cima para baixo considerando que Rio Grande está esgotado e Pelotas sofre a bandeira”, argumentou. A posição foi apoiada também por Waldomiro Lima (Republicanos).

De outro lado, os oposicionistas Marcus Cunha (PDT), Fernanda Miranda (PSOL) e Ivan Duarte (PT) elogiaram a decisão da prefeita. “Há duas semanas éramos a única cidade do Brasil com mais de 200 mil habitantes que não tinha mortos. Hoje já temos seis”, justificou o petista. A defesa da posição de Paula Mascarenhas também foi feita pelos governistas Marcos Ferreira (PTB), Daiane Dias (PL) e Enéias Clarindo (PSDB).

Transparência

Fabrício Tavares e Anderson Garcia encaminharam ainda à prefeitura pedido formal para que detalhe recursos recebidos e estrutura de saúde para combate ao coronavírus. “A gente nunca sabe realmente quantos leitos a gente tem do SUS. Se a gente não sabe é porque a informação não está vindo”, disse Garcia. Já Tavares reivindicou prestação de contas sobre R$ 44 milhões enviados à cidade pelo governo federal. “Não duvido de forma alguma da probidade do governo. Mas isso tem que estar mais claro. Queremos saber onde o recurso foi ou será aplicado.”

Na próxima terça-feira, às 9h30min, a Comissão de Saúde da Casa irá ouvir o secretário da Fazenda, Jairo Dutra, para prestação de contas dos repasses recebidos pelos governos federal e estadual voltados à Covid-19.

“Pedido extemporâneo”, diz prefeita

Frente às cobranças dos parlamentares de sua base, Paula reafirmou que não viu motivo para recorrer da bandeira vermelha determinada pelo Estado por conta do quadro da Covid-19. A prefeita afirmou que não acolherá os pedidos de Tavares e Garcia para que solicite ao Estado mudança na classificação ou divisão da região em duas, separando Pelotas e Rio Grande como referências distintas.

“Esse pedido é completamente extemporâneo, já que a discussão sobre isso se deu entre sexta e sábado. Sobre Pelotas e Rio Grande não estarem na mesma região, parece-me inadequado também, porque efetivamente estamos na mesma região e somos as duas referências em saúde para os 23 municípios que compõem a Azonasul. O que acontece lá impacta aqui e vice-versa. É inevitável”, afirmou.


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