Energia sustentável

Ventos que poderão mover o RS

Enquanto Santa Vitória e Piratini esperam próximos passos para novos parques eólicos, consulta pública pode viabilizar parque na Lagoa dos Patos

05 de Janeiro de 2022 - 19h40 Corrigir A + A -

Por: Vitória Leitzke
vitoria@diariopopular.com.br

Zona Sul terá mais dois parques eólicos e projeta um terceiro (Foto: Divulgação - DP)

Zona Sul terá mais dois parques eólicos e projeta um terceiro (Foto: Divulgação - DP)

A força dos ventos do Extremo Sul do Estado poderá gerar ainda mais energia para os gaúchos e também para todo o Brasil. Após Santa Vitória do Palmar e Rio Grande receberem os gigantes "cataventos", como são popularmente chamados os aerogeradores, além da ampliação do parque santa-vitoriense, Piratini deve receber, nos próximos anos, um parque eólico. Também está em fase de consulta pública o projeto de um empreendimento dentro das águas da Lagoa dos Patos.

Podendo tornar-se pioneira no país, a obra com aerogeradores offshore teve estudo prévio da Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura do Rio Grande do Sul (Sema) para que haja a publicação futura do edital de concessão de uso de lotes da lagoa à iniciativa privada. Para isso, uma consulta pública foi aberta na última segunda-feira e irá até o próximo dia 21 para que empresas e população em geral, que tenham interesse no investimento ou contribuições a fazer para o projeto, possam participar. No mesmo dia, de forma virtual, uma audiência pública será realizada, a partir das 9h, para ampliar o debate ao tema. A expectativa é que o edital seja publicado ainda entre fevereiro e março deste ano.

O projeto feito pelo Estado divide a Lagoa dos Patos em dois lotes, Norte e Sul, podendo atrair ou um investidor para ambos, ou dois diferentes - um para cada área. A divisão é feita a partir de uma linha reta que vai do ponto mais ao Norte da lagoa até o ponto mais ao Sul, dividindo-se em um ângulo reto os dois lotes (confira a imagem). Com uma extensão de 128,946 quilômetros, o lote Sul, o qual abrange a região, é resultado do processo de separação do lote Norte e do espaço de um quilômetro que divide os dois trechos. Na divulgação, o governo estadual afirma que o investimento em parques eólicos é uma solução de médio e longo prazo para a geração de energia renovável e limpa, além de garantir o desenvolvimento sustentável da região e que irá fiscalizar toda a prestação de serviço.

O secretário da pasta, Luiz Henrique Viana, conta que o estudo foi prévio à viagem a Madri, na Espanha, realizada em comitiva pelo Estado no ano passado, e, por isso, foi pauta de diversas reuniões com empresas visitadas. Viana afirma que algumas já têm parques instalados no Rio Grande do Sul. "Levamos esse 'projeto de projeto' para essas reuniões e para a COP (26ª Conferência das Partes da Organização das Nações Unidas). É importante que nós aumentemos cada vez mais a capacidade instalada que a gente já tem", defende.

Ele informa que hoje o Rio Grande do Sul tem 80% da capacidade instalada de energia limpa, contando a hídrica, mas que desse percentual, 20% já são de eólica. Na visão do secretário, o empreendimento pode ter vários pontos positivos: a capacidade eólica do Estado, a extensão da lagoa e o Porto do Rio Grande, que deve facilitar o transporte de equipamentos.

"A partir daí vai então começar todo um trabalho que é muito complexo. As empresas que se habilitarem precisam desenvolver. Vai desde uma modelagem técnica, passando pelo econômico-financeiro, ambiental, própria jurídica também para que tudo esteja de acordo com todas as técnicas necessárias para que se tenha aquilo que se pretende, que é mais desenvolvimento aliado à sustentabilidade", garante.

Mudanças no cenário da Zona Sul

Mas a população que, com a notícia, já aguarda a possível mudança do cenário, terá que esperar ainda uns anos. Isso porque só o estudo de viabilidade do projeto pode levar até três anos de execução, o qual será realizado pela empresa vencedora da concessão. Após isso, há a etapa de licenças: prévia, de instalação e de operação, emitidas pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam).

No caso dos novos parques em Santa Vitória do Palmar e Piratini, a atual etapa é de emissão da licença prévia - a primeira emitida no final de dezembro de 2021 e a segunda em setembro do mesmo ano. Na fronteira Sul, o Complexo Eólico Canelões conta com 11 parques, totalizando 83 aerogeradores, próximo à subestação Santa Vitória do Palmar 2, onde a energia gerada será entregue ao Sistema Integrado Nacional (SNI). Já no Complexo Eólico Serra dos Antunes, situado no 2º distrito de Piratini, serão 39 aerogeradores divididos em cinco parques.


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