Eleição 2020

Roger Ney diz que irá processar vice-presidente do PP

Presidente do partido e vice indicado à chapa de Paula Mascarenhas, vereador nega acusações de compra de voto na convenção

05 de Setembro de 2020 - 21h18 Corrigir A + A -

Por: Vinicius Peraça
vinicius.peraca@diariopopular.com.br 

 * Matéria atualizada às 22h50min para inclusão de posicionamento da vice-presidente do PP

WhatsApp Image 2020-09-05 at 21.11.47

Convenção que indicou PP como vice na chapa governista é contestada por integrantes do partido; Roger Ney diz que abrirá processo por conta de acusações de irregularidades (Foto: Vinicius Peraça - DP)

O racha em que mergulhou o Progressistas de Pelotas deve ir parar na Justiça. Após a vice-presidente, Beth Marques Dias, encaminhar recurso à Comissão Executiva estadual pedindo a dissolução do diretório local sob a alegação de suposta compra de votos para favorecer a coligação da sigla com o PSDB, o presidente Roger Ney disse que ele e o partido entrarão com ação judicial contra a dirigente.

Indicado pelo PP como vice-prefeito na chapa de Paula Mascarenhas (PSDB) em convenção realizada na terça (1º), Roger Ney reuniu integrantes do diretório e da Executiva municipal na tarde deste sábado (5) e rebateu as acusações contidas no documento que será julgado por dirigentes estaduais progressistas na próxima quarta (9). Ao lado do advogado Carlos Mario de Almeida Santos, referiu-se às alegações de interferência na convenção através de oferta de dinheiro e cargos nos governos municipal e estadual como "tentativa de golpe".

"Estou interpelando judicialmente a vice-presidente, senhora Beth Marques Dias. Ela terá que provar que houve compra de voto. Tanto eu, pessoalmente, quanto o partido iremos processá-la", afirma.

De acordo com Roger Ney, a votação que assegurou sua indicação para a chapa governista não contraria o resultado da pré-convenção realizada por apoiadores de Fetter Jr. no dia 2 de agosto. Na ocasião, o ex-prefeito recebeu 28 votos favoráveis à sua candidatura a prefeito. Contudo, ata do evento indica que dos 30 votantes, seis eram suplentes do diretório.

"O que aconteceu é que na convenção todos os titulares do diretório votaram, não houve suplentes. E dentre todos eles, somente um mudou o voto e declarou isso abertamente a Roger Ney lá no evento. Se for necessário, essa pessoa poderá abrir mão do voto secreto e declarar", argumenta Santos.

Desgaste

Para o advogado do partido e do presidente progressista, os pedidos de anulação da convenção e dissolução do diretório são "bobagens" que, caso acatadas pela direção estadual do PP, poderiam colocar em risco a participação da sigla na eleição à prefeitura e à Câmara de Vereadores, já que a ata com as candidaturas está registrada no sistema da Justiça Eleitoral.

"A intenção de tudo isso é fragilizar o Roger Ney perante o grupo de partidos que integram a coligação por conta de uma possível insegurança jurídica. São acusações criminosas. Esperamos que a reposição da verdade interrompa esse processo de desgaste", indica o segundo vice do partido e secretário municipal de Governo, Abel Dourado.

O que diz a vice

A reportagem entrou em contato com a vice-presidente Beth Marques Dias para que se manifestasse sobre o recurso apresentado à Executiva estadual do PP e comentasse a declaração de Roger Ney de que entrará com processo judicial.

Através do advogado Pedro Piegas, Beth afirma que não se posicionará sobre o que disse Roger Ney quanto a possível ação na Justiça, classificando como "boataria". A dirigente partidária também assegura ter provas das supostas irregularidades elencadas no recurso e que estas, embora não tenham chegado a conhecimento da imprensa, estão incluídas na peça enviada à direção do PP em Porto Alegre. "Acreditamos que a Executiva estadual acatará nosso recurso. Se esse não for o entendimento, iremos até a Executiva nacional para garantir o direito partidário de termos candidato a prefeito em Pelotas."

Piegas aponta que a vice-presidente do partido estaria sendo alvo de represálias dentro do partido por conta de sua posição favorável a uma candidatura própria da sigla à prefeitura. "A ameaça do presidente Roger representa, mais uma vez, a vontade de censura à vontade de uma grande maioria do partido que apoia a candidatura de Fetter Jr. à prefeitura de Pelotas", diz o advogado.

Propriedade intelectual do Jornal Diário Popular

Comentários


Diário Popular - Todos os direitos reservados