Entrevista - Eleições 2022

Ricardo Jobim defende “desburocratização do RS”

Pré-candidato ao Piratini pelo Novo esteve em Pelotas e defendeu a diminuição de secretarias

20 de Junho de 2022 - 10h10 Corrigir A + A -
Jobim aponta ideias do governo de Romeu Zema, em Minas, como inspiração (Foto: Adelar Martins - Novo)

Jobim aponta ideias do governo de Romeu Zema, em Minas, como inspiração (Foto: Adelar Martins - Novo)

O pré-candidato ao governo do Estado pelo Novo, Ricardo Jobim, esteve em Pelotas para participar do lançamento de pré-candidaturas de políticos do partido na região. Natural de Santa Maria e novato na política, ele conversou exclusivamente com o Diário Popular sobre seus ideais para o Rio Grande do Sul e a postura do Novo no pleito de 2022. Confira a entrevista completa:

Diário Popular - Como foi a visita em parte da Zona Sul? Quais seriam as prioridades para cá?
Ricardo Jobim - Estamos viajando o Estado inteiro e o que chama a atenção, principalmente nesta região, onde o Porto de Rio Grande acaba sendo uma matriz de desenvolvimento, é que precisamos estudar de novo o modelo de desenvolvimento da Metade Sul. A gente vê que aqui existe muito mais pobreza do que no resto do Estado e isso é retrato de um modelo que sobrevive em decorrência do agronegócio, mas a gente não encontra, por exemplo, a mesma força de beneficiamento de produtos em todo o resto da Metade Sul. As pessoas têm que compreender que essa não é uma receita específica para cá, mas para o Estado inteiro. O Rio Grande do Sul hoje atrapalha as pessoas, ele faz o favor de criar dificuldades para quem quer gerar emprego. Precisamos deixar que as empresas de inovação possam nos ajudar com soluções tecnológicas e para digitalização, precisamos de mais velocidade e dinamizar processos burocráticos. Não tem sentido a gente ter conhecimento tecnológico de ponta na indústria de inovação e trabalhar com dinossauros em alguns setores do Estado, isso é inadmissível e acaba estourando na economia e na geração de empregos.

DP - Já comentaste que algumas ideias do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), serviriam de inspiração para sua gestão. Quais?
RJ - A Minas que o Zema pegou era muito parecida com o Rio Grande do Sul de agora. Eram 24 secretarias em Minas, se tornaram 12. No RS são 25. Temos secretarias que são completamente inúteis, como a de Relações Institucionais e Internacionais. Com todo respeito, não vejo a necessidade de uma secretaria dessas. Tem também a de Articulação e Apoio aos Municípios, que seria uma secretaria política. Muita gente acha que escolher secretário e ter secretarias significa investir em solução de problemas, mas não é apenas alguém para receber e conversar. O que importa mesmo é trabalho técnico. O Zema rompeu outra mentalidade, que todo mundo achava que era impossível, quando ele disse que iria fazer processo seletivo para escolha de todos secretários e que a prioridade seria técnica. O resultado foi tão forte que a população começou a notar e defender o governo.

DP - Vocês são conhecidos por firmar candidaturas próprias e não optar por coligações. Por que essa postura diante da atual conjuntura?
RJ - Qual partido abre mão do fundo partidário eleitoral para coligar com a gente? Estamos sozinhos nessa. Todo mundo diz que o Novo é intransigente, mas não. A gente é intransigente com os nossos princípios, nós não aceitamos usar dinheiro do povo para fazer campanhas políticas. Não interessa se não vai ser uma campanha cheia de dinheiro, com todas as estruturas e contratações caras. Acredito que sejamos a única instituição política no Brasil que nega dinheiro. Semana passada entregamos R$ 87 milhões ao TSE. Então, quando se fala em coligações, a gente pergunta quem é que quer fazer isso também para conseguir se aproximar da gente.

DP - Por que resolveste entrar na política?
RJ - Não é a primeira vez que concorro. Já estive no PSDB em 2004 e concorri a vice-prefeito de Santa Maria. Na época vi muita coisa que simplesmente me afastou. Vi muito carguismo, ninguém falava em resolver problemas, então me afastei e comecei um trabalho institucional na OAB. Depois conheci o pessoal do Novo e percebi que eu não estava sozinho. É muito diferente ser recebido para fazer política no Novo do que em qualquer outro partido, pois o ambiente é diferente, os princípios são diferentes e acabei entrando no partido em 2018.


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