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Repasse à Eterpel enfrenta resistência na Câmara

Relator da proposta solicitou documentos à direção da Rodoviária para embasar parecer

23 de Novembro de 2021 - 19h25 Corrigir A + A -
Os vereadores demonstraram contrariedade ao projeto desde que foi apresentado na Casa por ser o segundo repasse de verbas à empresa pública neste ano (Foto: Jô Folha - DP)

Os vereadores demonstraram contrariedade ao projeto desde que foi apresentado na Casa por ser o segundo repasse de verbas à empresa pública neste ano (Foto: Jô Folha - DP)

A expectativa na Câmara de Vereadores de Pelotas é de aprovar na semana que vem a proposta encaminhada pela prefeita Paula Mascarenhas (PSDB) que permite o repasse de R$ 376 mil à Empresa do Terminal Rodoviário de Pelotas (Eterpel). No entanto, o vereador César Brisolara, o Cesinha (PSB), relator do projeto na Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR), solicitou documentação ao diretor-presidente da empresa, Cláudio Montanelli, que esteve no plenário ontem. A intenção é emitir o parecer na semana que vem.

Os vereadores demonstraram contrariedade ao projeto desde que foi apresentado na Casa por ser o segundo repasse de verbas à empresa pública neste ano. Montanelli foi chamado para apresentar as justificativas e argumentou haver perda de mais de 50% das receitas por conta da pandemia.

A movimentação da base aliada é pela aprovação do PL, mas já se iniciam conversas para uma privatização ou parceria público-privada da Eterpel. Os representantes da empresa que estiveram na Câmara, além de Montanelli, o diretor financeiro Jorge Vasquez, admitiram que o modelo do terminal terá que ser repensado, mesmo após a pandemia.

Os R$ 376 mil que devem ser repassados pela prefeitura serão usados para o pagamento dos salários de novembro, dezembro e o 13° dos 49 funcionários da Eterpel. Vasques indicou que os cálculos da empresa apontam que, com este novo aporte, a situação financeira deve permanecer sob controle até setembro do ano que vem, mantendo-se a média de aumento de 2% mensal da venda de passagens.

Alternativas

É quase consenso entre os vereadores que a Rodoviária de Pelotas precisará de um novo modelo no futuro. "Quando a empresa pública é insustentável, a única situação é a parceria público-privada ou a privatização", relatou Marcos Ferreira, o Marcola (PTB), líder do governo.

A líder do PT na Casa, vereadora Miriam Marroni, também falou em buscar um novo modelo para a Eterpel. "O atual é um modelo superado. Não traz o conforto para quem precisa e é muito oneroso. Merece um estudo e uma nova visão sobre uma nova Rodoviária", relatou.

O presidente da Câmara, Cristiano Silva (PSDB), conversou com Montanelli sobre a possibilidade da transferência do Legislativo para o segundo andar da Rodoviária pelo período de 30 meses, até a entrega da nova sede. Como forma de diminuir despesas, o piso está aos poucos sendo desocupado pela Eterpel e deve ser colocado para locação.

Outro ponto destacado pelos vereadores, especialmente por Marcola, é encaminhar uma moção para a proibição de os ônibus recolherem passageiros fora do terminal. Isto porque 8% da venda das passagens da Rodoviária vai para a Eterpel, o que não acontece com os bilhetes emitidos pelas empresas no interior do município, como por exemplo para quem embarca na avenida Fernando Osório na linha a São Lourenço do Sul. "Penso que se retirar essa possibilidade, muitas pessoas não vão ter como pegar os ônibus", ponderou Jair Bonow (PP). "Temos que fazer esse enfrentamento com as empresas de ônibus, dentro do município temos que regrar isso", rebateu Cesinha.

Vasques afirmou que em sido uma luta da Associação das Rodoviárias junto ao Daer, que administra as concessões, para que o embarque nas ruas do perímetro urbano tenham o repasse de verba para os terminais municipais.

Números

Em maio, a prefeitura repassou R$ 578 mil à Eterpel, com aprovação dos vereadores.

Segundo a empresa, houve queda de mais de 50% do fluxo de passageiros, principal fonte de receita, durante a pandemia: em fevereiro de 2020 foram mais de 80 mil viajantes, em março do mesmo ano o número caiu para menos de 60 mil e, em abril, despencou para menos de 20 mil.

Neste ano, desde junho, a venda de passagens vem aumentando: em outubro voltou ao número de mais de 50 mil passageiros.

As receitas caíram junto com o número de passageiros: a média mensal de R$ 432 mil antes da pandemia foi para R$ 153 mil no ano passado.


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