Sabatina

"Queremos chegar na média de Pelotas"

Ao Diário Popular, vice-governador Ranolfo Vieira Júnior fala sobre redução de homicídios e se coloca como possível sucessor de Leite

08 de Outubro de 2021 - 18h54 Corrigir A + A -
Governador em exercício esteve no Diário Popular na manhã desta sexta-feira

Governador em exercício esteve no Diário Popular na manhã desta sexta-feira

O vice-governador do Rio Grande do Sul e secretário de Segurança Pública, Ranolfo Vieira Júnior (PSDB), esteve em Pelotas na quinta e na sexta-feira. Além de participar da cerimônia de entrega da medalha do Mérito Rural, na Expofeira, o governador em exercício por conta da viagem de Eduardo Leite (PSDB) à Europa manteve agenda institucional de reuniões na Câmara de Vereadores e na prefeitura, onde foi recebido pelo vice-prefeito Idemar Barz (PSDB).

Recentemente filiado ao PSDB, o vice-governador foi entrevistado pelo Diário Popular em transmissão ao vivo pelas redes sociais sobre ações do governo estadual, pandemia, economia, funcionalismo, segurança e suas pretensões eleitorais para 2022 a partir da mudança para o mesmo partido de Leite, que não buscará a reeleição. Confira os principais trechos da entrevista:

Diário Popular - Nesses quase três anos de governo, o que foi possível cumprir das promessas de campanha? E o que falta?

Ranolfo Vieira Júnior - Temos uma agenda muito clara com o desenvolvimento econômico. Tivemos muitos avanços com a aprovação das reformas administrativas, estruturais e previdenciárias e também com a agenda de privatizações. Nesse momento, trabalhamos na concessão das rodovias estaduais que somam 1.132 quilômetros e tudo isso tem o objetivo de colocar o Estado nessa questão específica da competitividade com outras regiões do país. Recentemente também tivemos a confirmação de algo que trabalhamos desde 2019, que é a realização do South Summit 2022. Também temos o programa Avançar, que já é a colheita dos primeiros frutos dessas mudanças realizadas nos primeiros dois anos de governo. Nos últimos dez anos o RS investiu em média R$ 150 milhões em estradas e nós já anunciamos quase dez vezes mais, em torno de 1,3 bilhão. Na semana passada, R$ 113 milhões para inovação e tecnologias, R$ 250 milhões para a saúde, sendo R$ 55 milhões para o Hospital de Pronto-Socorro Regional. Nas próximas semanas teremos anúncios de investimentos na segurança pública, educação e na administração penitenciária. Existem áreas que ficaram para trás, talvez pela complexidade, como a educação, mas agora com esse investimento que deveremos anunciar semana que vem talvez a gente consiga reequilibrar e ter resultados positivos no próximo ano.

DP - O funcionalismo reivindica reajustes, especialmente os professores, que estão há sete anos sem aumentos. O governo manterá essa política até o seu final ou há espaço para atualizar os salários?

RVJ - Desde novembro conseguimos colocar os salários em dia, foram 57 meses atrasados, quase cinco anos. Recebíamos de maneira parcelada e atrasada e a nossa previsão é que siga em dia até o fim do ano. Semana passada conseguimos anunciar o 13º salário sem necessidade de empréstimo com o Banrisul. Esse empréstimo gerava em média R$ 130 milhões de juros para o Estado pagar ao banco. São anúncios importantes. Claro que temos várias reivindicações, mas temos a característica do diálogo e estamos fazendo isso com a educação e outras áreas. Não podemos perder e retornar àquele momento anterior, não adianta querer avançar acima da responsabilidade fiscal do Estado.

DP - O governo já anunciou que a partir de janeiro as alíquotas do ICMS voltarão aos patamares anteriores a 2015. A manutenção desse percentual elevado sempre foi apontada como essencial para o Estado manter as contas em dia. O que muda a partir de janeiro para manter os compromissos com arrecadação menor? O presidente Jair Bolsonaro tem criticado os governadores e culpado o ICMS dos estados pelo alto preço dos combustíveis. Até que ponto o senhor acha que é responsabilidade dos governadores a inflação dos combustíveis?

RVJ - É algo que vai acontecer a redução das alíquotas, ela já está em 17,5% e passará para 17%. Os combustíveis e a energia elétrica estão em 30% e passará para 25%. Devemos perder arrecadação, mas nos preparamos para este momento e temos certeza de que deveremos seguir para 2022 dentro desta realidade das contas em dia. Com relação à discussão nacional do combustível, o ICMS não aumentou no Estado, pelo contrário, vai diminuir. Então, a culpa não é dos governos estaduais. O problema não está no ICMS.

DP - Havia o compromisso do RS ter toda a população vacinável com a primeira dose até setembro. O que impediu que isso ocorresse?

RVJ - A pandemia é algo inusitado para todo mundo. Iniciamos em março com o primeiro caso confirmado e a partir disso criamos o Gabinete de Crise e trabalhamos com as bandeiras e com o sistema atual dos 3As. A vacinação é a saída para a pandemia e o RS sempre está entre os cinco Estados que mais vacinaram no Brasil. Estamos com mais de 92% com a primeira dose, ou seja, nos encaminhando para um momento bom e a dose de reforço também está avançando.

DP - Pelotas está há 74 dias sem homicídios. São 15 em 2021 em uma população de quase 350 mil habitantes. Rio Grande, com 140 mil habitantes a menos, tem 28 registros. Quase o dobro de Pelotas. O que explica essa diferença?

RVJ - Tivemos um estudo da criminalidade nos últimos dez anos. Dos 497 municípios, 23 concentraram 72% das mortes violentas, 91% de roubos de veículos e 90% de roubo a pedestres. Intensificamos o trabalho nesses municípios, com reuniões mensais. Nesses 23 municípios estão Pelotas e Rio Grande. Lá temos uma atenção maior. Vamos lançar o programa Avançar na Segurança com aquisição de centenas de viaturas e equipamentos e esses 23 municípios serão beneficiados. Rio Grande deverá receber um aporte significativo. Durante o governo Eduardo Leite admitimos, só na segurança, mais de oito mil servidores. Estamos com 872 novos soldados que entram para trabalhar na ponta em dezembro. Em Pelotas, nós tivemos uma redução nos homicídios, no primeiro ano do RS Seguro, de 49% e agora estamos com 25% sobre os 49%. Então Pelotas está muito bem. Nós queremos chegar nessa média em todo Estado. Estamos em 14,8 mortes por cem mil habitantes. Estamos portanto no caminho certo, longe do ideal, mas muito melhor do que estávamos antes.

DP - Recentemente o senhor trocou o PTB pelo PSDB. O que foi o principal motivador da saída e qual o motivo da escolha pelo PSDB? O governador Eduardo Leite foi eleito afirmando que não disputaria um segundo mandato e, agora, tenta viabilizar uma candidatura à Presidência da República. Como vice, é um nome natural para buscar a continuidade do trabalho. Gostaria de disputar o cargo de governador no ano que vem?

RVJ - Infelizmente o partido que eu estava filiado tomou um rumo diferente de tudo que já foi pregado pelo PTB, inclusive o presidente ofendeu ao Eduardo e a mim. Então, não tive outra saída a não ser a troca. Depois de muita conversa escolhi o PSDB e estou pronto para os novos desafios. Não quero encerrar a carreira em 2022. Me sinto preparado para suceder o governador, temos uma parceria e lealdade extrema, uma relação em prol do governo. Eu participo das decisões do governo, sei da situação do Estado e me sinto preparado, mas não é o que me move no momento, o que me move é enfrentar a pandemia, manter o Estado nos parâmetros fiscais atuais e reduzir os indicadores de criminalidade.


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