Eleições 2018

Quem é Jair Bolsonaro, o novo presidente do Brasil?

Chamado de "mito" por seus eleitores, o homem que irá assumir o comando do país em janeiro de 2019 é uma figura polêmica

29 de Outubro de 2018 - 17h31 Corrigir A + A -

Por: Michele Ferreira
michele@diariopopular.com.br 

A trajetória política de Bolsonaro é marcada por declarações polêmicas (Foto: Agência Brasil - DP)

A trajetória política de Bolsonaro é marcada por declarações polêmicas (Foto: Agência Brasil - DP)

Com informações da Agência Brasil

Jair Messias Bolsonaro, 63, é capitão da reserva do Exército Brasileiro. Há 30 anos deixou de vestir a farda para defender os interesses da classe dentro da Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro e, posteriormente, na Câmara dos Deputados, onde assumiu sete mandatos consecutivos. Sua trajetória política até o momento foi marcada por polêmicas envolvendo o direito das mulheres, das pessoas negras e da comunidade LGBT+, além de discursos exaltando a Ditadura Militar (1964-1985) e práticas da época. A pedido do Diário Popular, a socióloga Elis Radmann analisa a figura do novo presidente da República e suas condições de governabilidade.

Como se formou o mito?
Elis Radmann explica que a indignação social com a precariedade dos serviços públicos e a falta de credibilidade na classe política e nas instituições ajudam a entender o porquê Jair Bolsonaro acabou ganhando tanto espaço, apesar do perfil controverso. Agarrado a pautas que passam pela punição a criminosos e cruzam por combate à corrupção, ética e moralidade, o capitão da Reserva fez com que outras reivindicações tradicionais, como saúde, educação e infraestrutura perdessem peso.

“É um discurso que ganha eco dentro de uma sociedade indignada e insatisfeita, que passa a fazer uma avaliação emocional. Para de discutir prioridades e propostas”, enfatiza Elis. Prova disso é que alguns temas, como a Reforma da Previdência - represados entre as discussões do governo federal para 2019 -, sequer esquentaram o debate durante o período eleitoral, como se não estivessem nas mãos do novo presidente da República.

Condições de governabilidade
Três segmentos devem ajudar a garantir a base de Bolsonaro no Congresso Nacional. Com o apoio de ruralistas, de evangélicos e de integrantes da chamada bancada da bala, o novo presidente deve ganhar um voto de confiança ao menos até o final do primeiro ano de mandato - projeta Elis Radmann. As cobranças da oposição deverão vir em temas como geração de emprego e renda, agilização para retomada de obras paradas e avaliações de pontos da Reforma Trabalhista - aprovada no Governo Temer, mas que ainda precisam ser rediscutidos, como a insalubridade envolvendo mulheres grávidas.

Em quase 30 anos, apenas dois projetos aprovados
Um fato rumoroso marca o início da vida pública de Bolsonaro. Em 1987, reportagem publicada pela revista Veja informou que havia um plano denominado “Beco Sem Saída” para explodir bombas em banheiros da Vila Militar, da Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende (RJ), quartéis e locais estratégicos do Rio. O objetivo seria protestar contra os baixos salários. O então capitão publicara um artigo em que reivindicava a melhoria dos soldos - o que lhe rendeu, posteriormente, punição disciplinar.

Na ocasião, Bolsonaro foi identificado como fonte da reportagem, que exibia croquis feitos a mão supostamente pelo próprio militar. Ele negou as acusações, recorreu ao Superior Tribunal Militar (STM) e foi absolvido. Em 1988, foi para Reserva. Já conhecido e identificado inicialmente como porta-voz de reivindicações militares, iniciou então a carreira política no Rio de Janeiro.

Com a pauta ampliada para segurança e temas “contra a ideologia esquerdista”, foi eleito sete vezes deputado federal, permanecendo quase três décadas no Congresso Nacional, período em que apresentou mais de 170 projetos, mas teve apenas dois aprovados. Foi o mais votado no Rio para a Câmara em 2014, obtendo 464 mil votos. 


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