Racha interno

PT abre processo de expulsão de Marcola

Comissão executiva acatou representação de filiados que acusam o vereador e vice-presidente do partido de não seguir orientação em votação das PPPs

04 de Outubro de 2019 - 21h08 Corrigir A + A -

Por: Vinicius Peraça
vinicius.peraca@diariopopular.com.br 

Vereador reclama do trâmite do processo de expulsão e promete recorrer (Foto: Lenise Slawski - Câmara de Vereadores)

Vereador reclama do trâmite do processo de expulsão e promete recorrer (Foto: Lenise Slawski - Câmara de Vereadores)

A comissão executiva do diretório municipal do PT de Pelotas aceitou abrir processo de expulsão contra Marcos Ferreira, o Marcola. O vereador e atual vice-presidente da sigla vem sendo acusado por filiados de infidelidade partidária por não votar contra o projeto que abre caminho para a contratação de parcerias público-privadas (PPPs). O parlamentar foi o único ausente na sessão do dia 17 de setembro, quando a proposta da prefeitura foi aprovada pela Câmara.

A decisão de levar adiante o afastamento de Marcola foi unânime entre os oito integrantes da executiva em reunião nesta sexta-feira (4). O próprio vereador defendeu o início do processo. No entanto, houve discordância no rito a ser seguido. Por cinco votos a três, a maioria optou por votação direta no diretório, sem análise prévia da Comissão de Ética do partido. Ele promete pedir a revisão do trâmite assim que for notificado formalmente sobre o processo de expulsão.

Marcola terá terá dez dias para apresentar defesa. Os argumentos serão avaliados pela executiva petista e o parecer sobre o caso será votado pelos 38 integrantes do diretório. Se afastado, poderá recorrer às instâncias partidárias em níveis estadual e federal.

"Não podem dizer que votaria a favor"

Apesar de já ter declarado receber convites e manter contato com integrantes de outros partidos, Marcola diz rejeitar a hipótese de deixar o PT. "Se tivesse interesse em sair, aceitaria o rito sumário. Mas vou recorrer. Sou filiado desde 1988. Nunca votei contra deliberação partidária e não seria dessa vez. Não podem dizer que votaria a favor das PPPs se eu estava afastado com atestado médico", argumenta.

O petista reconhece que o clima não é favorável a sua permanência e reclama dos rumos do partido. "Um processo dessa forma fica com cara de perseguição ao PT de vila. Meu mandato não é de sindicato, é ligado às comunidades. No fim, a direção do partido está votando pela expulsão do seu vice-presidente."

O que diz o partido

O presidente do PT nega haver motivação pessoal de filiados contra Marcola. Segundo Luciano Lima, o processo de expulsão é baseado nos posicionamentos políticos do vereador. "O PT busca representar toda a classe trabalhadora, nossos sindicalistas moram nas vilas e bairros, não há essa separação. O PT não é um abrigo de mandatos, mas uma política. Se mandatos não estão afinados com essa política, não há sentido para o partido", aponta. O dirigente diz ainda que o rito escolhido para analisar o caso preserva o direito de defesa de Marcola.


Comentários


Diário Popular - Todos os direitos reservados