Investigação

Procurador aceita iniciar processo que pede extinção do PT

Ação é baseada em depoimentos da Lava Jato; partido considera causa ultrajante e diz que se trata de perseguição à oposição

04 de Abril de 2020 - 20h47 Corrigir A + A -

Por: Redação
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Em nota, Gleisi Hoffmann diz que admissibilidade do processo é resultado de perseguição política (Foto: Sergio Silva - Agência PT)

O vice-procurador-geral eleitoral Renato Brill de Goés deu parecer favorável a uma ação pelo cancelamento do registro do Partido dos Trabalhadores. A manifestação foi entregue no dia 27 sobre requerimento alegando que, durante a operação Lava Jato, "restou demonstrado que o PT recebeu recursos de origem estrangeira", violando o inciso I do art. 28 da Lei dos Partidos Políticos.

“Diante de tal contexto, forçoso reconhecer a existência de indícios suficientes do recebimento, por parte do Partido dos Trabalhadores – PT, ora requerido, via interpostas pessoas, de recursos oriundos de pessoas jurídicas estrangeiras (Keppel FELS e Toshiba), inclusive para pagamento de despesas contraídas pelo próprio Partido, a evidenciar, em tese, interesse direto da instituição partidária e não apenas de dirigente seu, circunstância que autoriza o prosseguimento do feito quanto à hipótese do inciso I do art. 28 da Lei dos Partidos Políticos, com a inauguração de sua fase de instrução”, argumentou o vice-procurador.

No parecer favorável ao processo de extinção do PT, Góes solicitou ainda oitiva José Alberto Piva Campana e Rafael Ângulo Lopes, que foram citados no depoimento de Alberto Youssef. O vice-procurador afirma que o doleiro "relatou ter intermediado o pagamento de cerca de R$ 800 mil em espécie, a pedido do diretor da empresa japonesa Toshiba, ao Partido dos Trabalhadores, vinculado a contrato referente à execução de obra no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj)".

PT nega acusação

Em nota sobre o caso, o PT diz considerar a admissibilidade do processo de extinção do partido por parte do vice-procurador "ultrajante e fantasiosa". O texto assinado pela presidente Gleisi Hoffmann afirma que não há provas ou indícios de que a sigla tenha recebido recursos do exterior e classifica a decisão de Góes como "arbitrária e política" para perseguir adversários de Jair Bolsonaro. "O Ministério Público pode querer calar a voz da oposição, atendendo aos desejos do governo, só isso justifica a admissão de um pedido esdrúxulo e ilegal como este", finaliza.


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