Confusão

Prévia do PSDB está suspensa por tempo indeterminado

Aplicativo falhou, votos foram lacrados em urna e nova data será marcada

21 de Novembro de 2021 - 19h20 Corrigir A + A -
 (Foto: Divulgação - DP)

(Foto: Divulgação - DP)

O domingo (21) foi bastante conturbado nas prévias do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) para definir o candidato à presidência da República. Por problemas no aplicativo de votação, ela foi suspensa no meio da tarde, os votos computados foram lacrados em uma urna pelo partido e uma nova data será marcada.

Este imbróglio acentuou ainda mais a desconfiança e desacordo entre o pelotense Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, e o paulista João Dória, governador de São Paulo, os principais concorrentes da sigla.

Desde as primeiras horas da manhã, filiados relataram dificuldades em acessar o aplicativo. O período de votação, previsto inicialmente para ocorrer entre as 7h e as 15h, foi estendido, em um primeiro momento, até as 18h.

Os relatos de apoiadores do pelotense que estão em Brasília é de que o clima era de muita confusão no auditório Ulysses Guimarães, onde a cúpula partidária marcou a convenção.

Durante a tarde, aliados de Eduardo Leite foram os primeiros a levantarem publicamente a possibilidade de um adiamento da prévia para os dias seguintes. O governador gaúcho participou de uma reunião com a cúpula de partido e os dois oponentes na prévia - além de Dória, o ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio.

Virgílio e Dória cogitaram fazer uma coletiva ao fim da tarde, mas retrocederam. Às 18h, o presidente nacional do PSDB, Bruno Araújo, que havia minimizado o problema no aplicativo pela manhã, atenderia à imprensa em Brasília, mas não o fez. O partido permaneceu em silêncio e em reuniões fechadas.

 A campanha de João Dória pediu para a votação continuar no próximo domingo, 28, quando seria realizado um eventual segundo turno da prévia. Por outro lado, a de Eduardo Leite defendeu a possibilidade de as prévias acontecerem em fevereiro do ano que vem. Por nota, Leite manifestou que pessoalmente não concorda em deixar para 2022, apesar do posicionamento de seu grupo de apoio, e disse que a votação pode ser concluída nas próximas 48 horas.

Ao longo da última semana, pipocou na imprensa que aliados de Leite estariam tentando adiar a votação marcada para ontem, o que foi negado pelo governador gaúcho. Tanto Dória quanto Leite demonstram, publicamente, confiança que sairão vencedores das prévias.

Pouco depois das 18h, o partido divulgou em nota que encerrou a votação presencial em Brasília, na qual participaram governadores, senadores, deputados federais e membros da executiva nacional. A votação por aplicativo foi considerada "pausada" e será marcada "uma nova data para os filiados que não puderam votar neste domingo".

Às 20h, está marcada nova reunião a portas fechadas entre os candidatos das prévias e a direção do partido. Estão aptos a votar 44,7 pessoas, em um contexto de mais de 1,3 milhões de filiados ao partido.

O diretório do PSDB em Pelotas lançou nota no fim da tarde lamentando a falha do aplicativo de votação na prévia nacional, assinada pelo presidente do partido no município, Flávio Ferreira.

Na nota, consta que o problema no aplicativo “além de frustrar a expectativa de definição do candidato, também causa dano à imagem do partido”. O diretório municipal solicitou “que a executiva nacional não poupe esforços em apurar o ocorrido, cobrar os responsáveis e, com maior transparência e celeridade possível trazer à luz o fato e a solução encontrada para as prévias”.

Quem são os candidatos

 Arthur Virgílio, 76 anos, é ex-prefeito de Manaus, cargo que ocupou duas vezes, entre 1989 e 1992 e entre 2013 e 2020. Foi, também, senador pelo Amazonas entre 2003 e 2011, deputado federal e ministro no governo FHC. É crítico ao apoio de deputados federais do PSDB ao governo de Jair Bolsonaro e, sem chances de vencer as prévias, está mais alinhado à candidatura de João Dória.

 Eduardo Leite, 36 anos, é o governador do Rio Grande do Sul desde o dia 1º de janeiro de 2019. Foi vereador de Pelotas entre 2008 e 2012, prefeito da cidade entre 2013 e 2016, quando recusou a candidatura à reeleição. Ficou dois anos estudando gestão pública em Nova York e em São Paulo, antes de ser eleito governador. Se não for o candidato tucano, deve encerrar o mandato no Piratini e ficar dois anos sem cargo político.

 João Dória, 63 anos, é o governador de São Paulo, eleito em 2018 no Estado, após rompimento político com o seu “padrinho’ Geraldo Alckmin. Antes, foi eleito prefeito da capital paulista, cargo que deixou em 2018 para concorrer ao Palácio dos Bandeirantes. Fez campanha a Jair Bolsonaro no segundo turno das eleições presidenciais, mas logo rompeu e tornou-se um dos principais inimigos políticos do presidente.


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