Luta diária

Presença feminina ainda é pequena na política

Audiência na Câmara prestou homenagem às mulheres e debateu a participação feminina no poder

08 de Março de 2018 - 19h29 Corrigir A + A -
Mulheres lotaram o plenário Bernardo de Souza. (Foto: Glem Azevedo - Camara de Vereadores - Especial - DP)

Mulheres lotaram o plenário Bernardo de Souza. (Foto: Glem Azevedo - Camara de Vereadores - Especial - DP)

“O lugar de uma mulher é onde ela quiser” dizia um dos cartazes na manhã de ontem na Câmara de Vereadores. Por iniciativa da vereadora Daiane Dias (PSB), a casa realizou uma audiência pública em homenagem às mulheres por seu dia.

Em Pelotas, as mulheres são mais de 53% da população. No Poder Legislativo, elas são 19%. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar de ter eleito a primeira prefeita da história da cidade, Paula Mascarenhas (PSDB), a participação feminina em espaços de poder ainda é muito baixa.

O recado foi dado: para ter mais mulheres na política, são necessárias mais políticas públicas inclusivas, mudanças no planejamento dos partidos e na consciência coletiva do eleitorado sobre a importância da participação igualitária em todos os espaços. A especialista em ciência política, Rosângela Schulz, crê que a mentalidade de atrair 30% de mulheres a fim de atender a legislação já começa errada.

“É preciso criar condições para as mulheres se efetivarem e não só cumprir a regra - é um espaço negado pra gente”, afirma.

Um exemplo dado por Rosângela são as reuniões no período da noite de partidos políticos. O exemplo é um fato pequeno, explica. No entanto, não atenta ao fato de muitas mulheres terem jornada tripla com trabalho, estudos, cuidar dos filhos, além do medo de sofrer assédios à noite .

Como solução ao problema, Rosângela, que é professora na área de ciência política da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), acredita ser necessário criar mecanismos, como a reserva de cadeiras para mulheres ou através de listas fechadas que contemplem esta participação.

Segurança para as mulheres

Entre janeiro e março foram mais de 500 chamados só na Guarda Municipal (GM) para atendimentos de casos de agressão a mulheres, segundo o secretário de Segurança Pública, Tenente Bruno (PTB). Ele garantiu que, em 2018, a GM terá uma patrulha Maria da Penha.

A delegada Maria Angélica Gentilini da Silva, da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), lembrou de dona Cleusa Maria Jardim Munhoz, assassinada na quarta-feira, no loteamento Sanga Funda,pelo companheiro. Este foi o terceiro caso de feminicídio em 2018 em Pelotas. Até fevereiro, a delegacia registrou 516 boletins de ocorrência, uma média superior a oito casos por dia. “Quem ama não mata”, manifestou Maria Angélica em seu discurso.

Semana da mulher vai até domingo
Ontem o dia foi de mobilizações das mulheres, com uma vasta programação organizada por órgãos, pelo Conselho da Mulher e pela prefeitura municipal. A programação da Semana da Mulher vai até o domingo com atividades pulverizadas em diferentes bairros da cidade como blitz rosa, tribuna da mulher na Esquina Democrática, caminhada rosa e domingo cultural.

A ideia da presidente do conselho, Luciana Custódio, é levar a informação para quem ainda desconhece as políticas e divulgar a Rede de Enfrentamento à Violência contra a Mulher.

“Sou uma mulher negra da periferia na presidência do conselho, e eu sempre digo: conselho bom é conselho na rua”, diz Luciana. O tema deste ano é Mulheres: nem uma a menos e a programação completa pode ser vista abaixo.

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