Fôlego

Prefeitura repassa R$ 555 mil para cobrir prejuízo da Eterpel

Operando no vermelho desde fevereiro, Rodoviária recorreu a injeção de recursos do Executivo para manter em dia o pagamento de funcionários

24 de Junho de 2020 - 18h43 Corrigir A + A -

Por: Vinicius Peraça
vinicius.peraca@diariopopular.com.br 

Situação da empresa piorou consideravelmente a partir de março, quando surgiram os primeiros casos de Covid-19 e o movimento desapareceu (Foto: Jô Folha - DP)

Situação da empresa piorou consideravelmente a partir de março, quando surgiram os primeiros casos de Covid-19 e o movimento desapareceu (Foto: Jô Folha - DP)

Em crise financeira grave desde o começo da pandemia de coronavírus, a Empresa do Terminal Rodoviário de Pelotas (Eterpel) buscou socorro nos cofres do Executivo. Nesta quarta-feira (24), a Câmara de Vereadores aprovou por unanimidade, em regime de urgência, projeto apresentado pela prefeita Paula Mascarenhas (PSDB) que repassa R$ 555.329,00 para ajudar a cobrir despesas.

Amargando déficits em sequência desde fevereiro, a situação da empresa piorou consideravelmente a partir de março, quando surgiram os primeiros casos de Covid-19 e medidas de isolamento foram adotadas. Segundo a Eterpel, o movimento despencou mais de 70% na comparação com janeiro (pré-pandemia), passando de 89.188 passageiros no mês para 18.798 em abril e 26.237 em maio. Queda que se refletiu nas receitas: enquanto no começo do ano a Rodoviária registrou superávit de R$ 61,2 mil, o balanço mais recente disponível fechou no vermelho em R$ 196,3 mil.

Diretor presidente da empresa, Cláudio Montanelli afirma que, sem o repasse do Executivo, os 54 funcionários teriam a quitação dos seus salários comprometida já a partir do próximo mês. Em relatório usado para justificar a necessidade da injeção de recursos públicos, a Eterpel indica receita de R$ 121,8 mil em maio. Entretanto, somente a folha de pagamento custa mensalmente R$ 185,1 mil.

"Vínhamos em boa situação, fazendo melhorias na estrutura e mantendo reservas. Foi esse recurso que nos manteve até aqui depois do começo da pandemia. Mas recentemente tivemos que deixar de pagar alguns fornecedores e tributos para poder manter salários em dia. Felizmente houve o entendimento da prefeitura e da Câmara sobre a situação da empresa e dos trabalhadores e a proposta foi rapidamente aprovada", explica Montanelli.

Prazo para recuperar fôlego

Pelo texto do Executivo aprovado pelos vereadores, o governo fará o repasse à Rodoviária como forma de ampliação do capital social da empresa. Serão três depósitos de R$ 185,1 mil. O primeiro deles, referente a junho, deve entrar na conta da empresa até a próxima terça-feira. Os demais serão feitos no final de julho e de agosto.

Conforme o governo, o objetivo é que, com um trimestre de aportes para cobrir salários, a Eterpel consiga reorganizar as dívidas com fornecedores e possa voltar a operar normalmente. Apesar do autorizar o socorro financeiro, a prefeita não esconde o desconforto por ter que usar dinheiro do município para cobrir o prejuízo. Paula diz que pretende retomar a discussão sobre a desestatização da empresa através de Parceria Público Privada (PPP) ou privatização. No ano passado o assunto chegou a ser tratado em reuniões com o governo do Estado.

"Está na hora de enfrentar esse tema e discutir publicamente se o município deve ou não ter uma empresa que venda passagens de ônibus. Porque é recurso público, recurso dos contribuintes de Pelotas que está sendo repassado para sustentar uma empresa que vende passagens de ônibus. Não vejo isso como algo que seja defensável", argumenta.


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