Pandemia

Paula pede diálogo a empresários

Prefeita reclamou de declarações consideradas desleais e apelou a integrantes da Aliança Pelotas que reconsiderem saída de Comitê de Crise

07 de Julho de 2020 - 19h31 Corrigir A + A -

Por: Vinicius Peraça
vinicius.peraca@diariopopular.com.br 

Opção por fechar comércio foi justificada pelo aumento de internações (Foto: Gustavo Vara - Ascom)

Opção por fechar comércio foi justificada pelo aumento de internações (Foto: Gustavo Vara - Ascom)

Passados dois dias da ruidosa saída da Aliança Pelotas do Comitê de Crise municipal sobre o coronavírus, Paula Mascarenhas (PSDB) pediu ao empresariado que reconsidere a decisão. O apelo foi feito nesta terça-feira (7), no começo da tarde, durante palestra por videoconferência à Associação Comercial de Pelotas (ACP).

Convidada originalmente para falar sobre o aniversário da cidade e apontar projeções diante do cenário de pandemia, a prefeita acabou alterando a abordagem por conta da ruptura com o empresariado. Polêmica ampliada depois que a Aliança publicou carta aberta com duras críticas à opção do governo de não recorrer ao Estado para evitar a bandeira vermelha no Distanciamento Controlado. Escolha que determinou o fechamento do comércio e serviços na cidade por duas semanas.

No texto, a entidade empresarial acusa a prefeitura de não homologar leitos de UTI disponíveis na cidade. A Aliança afirma ainda que o Executivo age com “indolência”, prejudicando a ampliação da estrutura de saúde e a manutenção de medidas menos restritivas de controle à Covid-19. Paula negou a existência de leitos não credenciados e apontou o trecho da carta como “ofensivo e injusto”.

A prefeita também rebateu manifestação em que os empresários indicam surpresa com a publicação de edital para seleção de novos profissionais de saúde “transcorridos 108 dias do primeiro decreto” de distanciamento social. Segundo Paula, o município iniciou contratação de médicos, enfermeiros e técnicos em março e que o edital citado pela Aliança não foi lançado pelo governo. “Aceito todos os tipos de crítica. Só não aceito deslealdade. Algumas pessoas sabiam que este chamamento não era da prefeitura, pois foi colocado no Comitê de Crise por outra instituição.”

Divergências

Questionada pelo presidente da ACP, Mauro Bom, sobre a razão de não tentar convencer o Palácio Piratini a manter o município na bandeira laranja, com o comércio aberto, a prefeita ressaltou o aumento nos índices de internação hospitalar e as seis mortes em duas semanas. No entanto, comprometeu-se a monitorar diariamente os resultados dos novos bloqueios e reavaliar as restrições caso haja melhora na situação.

“Peço a todos que a gente volte a se unir. Que os empresários que se retiraram do Comitê de Crise e Conssedi (Conselho Superior Socioeconômico de Desenvolvimento e Inovação), que estavam lá para ser ouvidos… Pelotas precisa de vocês. Não se retirem da mesa de diálogo. Vamos fazer com que o pensamento divergente seja produtivo de novos cenários. Mas não vamos nos retirar. Vamos enfrentar isso juntos”, disse.

Empresários se reúnem hoje

Amadeu Fernandes nega que haja rompimento da Aliança Pelotas com a prefeita. Contudo, para o coordenador da entidade, as justificativas para o fechamento das atividades levam em conta “argumentos emocionais ao invés de técnicos”.

Nesta terça, após conversar com outros empresários sobre o pedido feito pela prefeita para retorno ao Comitê de Crise e ao Conssedi, Fernandes decidiu marcar reunião extraordinária para o final da tarde de quarta. “Esse pedido vai ser avaliado e isso vai acabar em bom termo. O entendimento é melhor para todos. Não queremos tomar decisão precipitada, sem fundamento e debate maior. Queremos que as coisas funcionem bem para todos os lados”, ponderou.


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