Vazamento

Novos diálogos revelam influência de Moro na escolha de procuradores para interrogatório de Lula

Diálogos entre juiz e procuradores teriam resultado na retirada de Laura Tessler do depoimento do ex-presidente Lula

20 de Junho de 2019 - 21h44 Corrigir A + A -

Por: Redação
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O jornalista Reinaldo Azevedo, em parceria com o site The Intercept, apresentou nesta quinta (20) novos trechos de conversas entre os procuradores Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da operação Lava Jato, e Carlos Fernando dos Santos Lima. O diálogo teria ocorrido logo após troca de mensagens entre Dallagnol e o então juiz Sérgio Moro.

Em seu programa na rádio Band News FM, Azevedo apresentou diálogos que demonstram que a sugestão de Moro de “treinar” a procuradora Laura Tessler, considerada fraca pelo então julgador de processos da Lava Jato, gerou consequências: o MPF exclui Tessler da segunda audiência do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em que foi chamado a prestar esclarecimentos. O episódio contraria declaração dada pelo atual ministro da Justiça durante sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado na última quarta-feira (19).

As novas mensagens divulgadas mostram que Dallagnol e Santos Lima, hoje aposentado, discutiram a escala das audiências após o coordenador da força-tarefa compartilhar com o colega mensagem de Moro tecendo críticas à procuradora Laura Tessler, conteúdo este que já havia sido revelado no último dia 9. Segundo as conversas publicadas pelo The Intercept, Moro teria escrito: "Prezado, a colega Laura Tessler de vcs é excelente profissional, mas para inquirição em audiência, ela não vai muito bem."

Ainda de acordo com a reportagem do site, Moro teria se indicado a Deltan que Tessler fosse submetida a treinamento para fazer audiências. Indagado sobre a sugestão pelo senador Nelsinho Trad (PSD-MS), Moro afirmou, durante audiência no Senado, na quarta (19): "Não tem nada de anormal nessas comunicações". De acordo com o ministro, essa demanda não interfiriu nos trabalhos do MPF. "Tanto que essa pessoa continua e continuou realizando atos processuais e audiências", disse.

Contudo, após receber as mensagens de Moro por meio do aplicativo Telegram, Deltan teria entrado em contato com Carlos Fernando e ambos decidiram que Tessler não deveria estar sozinha na audiência do ex-presidente Lula. Dois meses depois, quando o depoimento ocorreu, a procuradora não compareceu, sendo substituída por outros dois integrantes do MPF, o que evidenciaria a interferência do então juiz nos procedimentos adotados pelos investigadores da Lava Jato.


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