Começo dos embates

Na Assembleia, Eduardo defende retirada de plebiscito para privatizações

Ao tratar do tema na abertura do Legislativo, governador enfrentou as primeiras manifestações de servidores

05 de Fevereiro de 2019 - 16h45 Corrigir A + A -

Por: Vinicius Peraça
vinicius.peraca@diariopopular.com.br 

Eduardo Leite AL 050219 - Itamar Aguiar Palacio Piratini

Leite voltou a defender privatizações e mudanças no funcionalismo, enfrentando primeiros protestos das galerias (Foto: Itamar Aguiar - Palácio Piratini)

O governador Eduardo Leite (PSDB) apresentou aos deputados estaduais na tarde desta terça (5) algumas das principais propostas que pretende levar à Casa. Em discurso de 35 minutos durante sessão especial de abertura do ano Legislativo, reforçou a intenção de promover alterações na previdência e carreira dos servidores e apelou aos parlamentares para que aprovem proposta de retirada da exigência de plebiscito para privatização de estatais.

Embora não tenha protocolado a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) tratando do fim da consulta pública, afirmou que o texto será entregue até quinta-feira (7). Criticado pela oposição por acabar com a votação popular sobre o tema, o projeto é defendido por Leite. O governador argumenta que a decisão deve ser dos deputados com base em análise dos dados técnicos e econômicos.

“O plebiscito levado à população sem análise de custos operacionais, oportunidades de mercados e alterações tecnológicas lança à consulta de todos e, consequentemente, à responsabilidade de ninguém. Entendo que a Assembleia precisa exercer a sua responsabilidade na decisão de temas complexos”, disse.

Nas galerias, representantes de sindicatos protestaram com vaias. Diante da primeira manifestação pública contrária, Leite pediu aos deputados que “ouçam também o silêncio da maioria que aguarda os resultados”.

Funcionalismo

Citando o diagnóstico das contas públicas apresentado na semana passada, o governador reiterou a intenção de promover mudanças no plano de carreira e na previdência do funcionalismo. “Nosso governo vai tratar, sim, da reestruturação da máquina pública para que caiba no orçamento do Estado o seu custo operacional e o sistema previdenciário.”

Cobrado por sindicatos e associações por não recebê-los Palácio Piratini desde o começo do governo, Leite promete iniciar esta semana uma série de reuniões. As primeiras entidades a serem ouvidas serão o Cpers (professores), Asdep (delegados), AsofBM (oficiais da Brigada Militar) e Fessergs (servidores em geral).

Repercussão

Tão logo a mensagem ao Legislativo foi concluída, as propostas começaram a gerar discussão no plenário.

“(O governador) Está utilizando fórmulas já tentadas no passado. Vender patrimônio público, cortar gastos em cima do funcionalismo e tentar renegociar a dívida já foi tentado. O que precisa ser feito é uma análise profunda dos incentivos fiscais, analisar o custo-benefício destes incentivos”, avaliou Pepe Vargas (PT).

Luciana Genro (PSOL) reclamou da proposta de mudanças no funcionalismo. “Não aceito que se peça sacrifícios aos de baixo enquanto os de cima não fizerem sacrifício dobrado.”

Houve também demonstrações de apoio. Líder do governo, Frederico Antunes (PP), reforçou o discurso de Leite apontando a necessidade de enfrentamento ao déficit. Deputado recém-eleito, Fábio Ostermann (Novo) classificou a mensagem do governador como “contundente e acertada”. “O parlamento tem uma responsabilidade porque medidas que criaram em parte o atual caos passaram por essa Casa. Chegou a hora de mudar esse cenário”, completou.

 


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