Entrevistas - eleições 2016

Miriam prioriza discussão sobre saúde em plano de governo

Como prioridade, Miriam insistiu na necessidade de contratar médicos e discutir a carreira desta categoria do funcionalismo

02 de Setembro de 2016 - 06h29 Corrigir A + A -
Como prioridade, Miriam insistiu na necessidade de contratar médicos e discutir a carreira desta categoria do funcionalismo (Foto: Paulo Rossi - DP)

Como prioridade, Miriam insistiu na necessidade de contratar médicos e discutir a carreira desta categoria do funcionalismo (Foto: Paulo Rossi - DP)

Após ocupar espaços na Câmara de Vereadores e na Assembleia Legislativa e chegar a mais de duas décadas de trajetória política, Miriam Marroni (PT) afirma estar preparada para ser prefeita de Pelotas. Ao lado de Luis Carlos Mattozo (PCdoB), a petista rompe a sucessão de candidaturas de Fernando Marroni (PT) à prefeitura para buscar o retorno dos governos de esquerda no Executivo. O segundo capítulo da série de entrevistas do Diário Popular com os candidatos na disputa eleitoral deste ano traz o debate do principal eixo de governo, a análise sobre o momento atual do partido e outros temas.

Como prioridade, Miriam insistiu na necessidade de contratar médicos e discutir a carreira desta categoria do funcionalismo. Para isso, disse que irá fazer o que for necessário para garantir o atendimento nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), além de propor a instalação de mais dois postos de saúde para atender os loteamentos Vila Governaço e Passo do Salso. A entrevista com a candidata foi realizada na sede do Jornal, com duração de uma hora, e teve os questionamentos direcionados pelo editor-chefe Pablo Rodrigues, o coordenador de Redação Jarbas Tomaschewski, a coordenadora de produção Débora Borba e pela equipe de reportagem.

Confira abaixo video com entrevista da canditata.

Diário Popular - Por que quer ser prefeita de Pelotas?

Miriam Marroni - Porque acho que é o maior orgulho uma pessoa que nasce em um lugar, ela sempre está enxergando o lugar e as pessoas com quem ela convive. Acho que não tem para um político que ocupa o cargo de vereador, de deputado, não ocupar o cargo maior, do Executivo, que é diferente. Ocupar o cargo que faz, o cargo que tem poder de realizar. Acho que isso é um sonho. O Legislativo é superimportante, obviamente. Tive a maior responsabilidade e gosto, mas é muito diferente quando tu olhas o lugar onde tu moras, o lugar onde tu vives e podes ter ideias diferentes e achar que tu podes fazer melhor. Nasci aqui, minha família toda é daqui, meus amigos são daqui, minhas relações são aqui, eu acredito nesta cidade. Esta cidade tem tudo, a gente precisa despertar esta cidade, mas ela tem tudo. Primeiro, a gente tem o dever. Um político que não queira ser prefeito da sua cidade, não cumpre a vida política como ela representa.

DP - O que o PT, com a tua candidatura, traz algo de novo?

MM - Primeiro, a luta pelo simples. Dar às pessoas a condição de cidadania, dar o direito de ter médico no posto, o direito de ter transporte de qualidade, de ter creche, de ter escola, de limpeza pública. Primeiro o arroz com feijão precisa ser cumprido e, junto com isso, tem que ser bem feito. Eu não posso trabalhar limpeza pública bem feita com 300 trabalhadores apenas. (...) Por outro lado, enxergar esta cidade que eu dizia que tem tudo. Pelotas tem uma série de serviços, comércio, de iniciativas, algumas que nem a gente sabe. Empresas de programação que estão vendendo programas para a Alemanha, se relacionam com o mundo europeu. Outro tema que é novidade e nos estimula bastante, que trabalhei quando estive no governo Tarso, é o Arranjo Produtivo da Indústria da Saúde. Pelotas já se notabilizou por isso.

DP - Como, na prática, o governo municipal pode ajudar neste desenvolvimento empresarial?

MM - Ele tem que ser o indutor, seja ele municipal, seja estadual, o governo tem que se enxergar. Ele é o articulador, ele é o organizador, ele planeja a cidade junto com as iniciativas. Mas ele tem que se sentir assim, não pode esperar que batam à porta. O governo tem que capacitar, o polo tecnológico é iniciativa que precisamos viabilizar. Pelotas é o polo do conhecimento, tem duas universidades, tem Instituto Federal. Temos a matéria-prima, como é que a gente não se organiza?

DP - Achas então que este trabalho básico - citado como "feijão com arroz" - está sendo mal feito?

MM - Acho. A iluminação, arrumar, limpar, nos bairros. Quem cuida de casa sabe que tu limpas um dia e tem que limpar o outro. Não existe limpar de 15 em 15 dias. O lixo é um problema seríssimo em qualquer lugar. Na época do nosso governo, a gente tinha 600 operários trabalhando na limpeza pública, hoje temos 300. Não dá conta, principalmente nos bairros.

DP - O PT está sofrendo um desgaste em nível nacional que culminou no processo de impeachment. Te preocupa esse desgaste do PT, que ele possa bater também em nível local?

MM - É um processo muito triste, muito doído, não só pro PT, mas para outros partidos também. A todo momento temos notícia do ambiente da política, acho que o PT quando governo, o foco foi mais no governo. Mas não é uma particularidade do PT, é um desgaste da política como um todo. Porque coloca todo mundo junto, acho que é muito ruim para o país. Em nome da disputa, desrespeitaram a democracia e as representações que ela constrói. Acho que nestas eleições nós temos o dever de mostrar o processo de investigação e de tirar de baixo do tapete esta questão histórica da corrupção. É uma ferida que dói, mas ela precisa ser aberta. (...) Obviamente, meu partido não é de santo, temos pessoas que nos envergonham. Mas nem por isso, isso nos tira da luta, do ideal, do sonho. Pessoas cometeram erros, mas a instituição está aí.

DP - Uma das propostas no plano de governo é realizar concurso público para contratar mais médicos. Como enxergas a questão das UBSs?

MM - Saúde, não adianta, não tem como não priorizar. Pesquisa mostra isso, a vida mostra isso, a queixa das pessoas mostra isso. E ela se concentra assim, na falta de quem detém o conhecimento diretamente, que é o médico. Ele é o centro desse atendimento, por isso dissemos que vamos enfrentar este problema custe o que custar, porque ali está o centro do problema. A Unidade Básica é o início da doença. Se a população não tiver o atendimento quando começa a doença, ela piora rapidamente e acaba no leito do hospital, que é três a quatro vezes mais caro. Além de ser uma questão humana de evitar a fragilidade da doença, tu tens que atacar ela. Ela sai mais cara depois. Posto é tudo. E agora estou convencida que a equipe toda é um conjunto, mas quem dá a receita é o médico. Mas, obviamente que vamos discutir a questão da carreira. Esta carreira que está aí, realmente não vamos ter como atrair, porque ele é um profissional diferenciado, raro no mercado. Vamos rediscutir e vai ter médico. A gente não tem dinheiro para tudo, não estou vendendo ilusões. Agora, têm coisas que tem que decidir. Temos 50 postos e terão médicos nos 50 postos. E tem que ter um posto na Vila Governaço e no Salso, nós olhamos o mapa e onde que se localizam, tem que, talvez, ter um redimensionamento.

DP - Neste ano, temos duas mulheres concorrendo à prefeitura de Pelotas. Como percebes esta participação feminina?

MM - Independentemente de sermos adversárias, é inegável o que significa pro país duas mulheres concorrerem à prefeitura numa cidade onde isso nunca aconteceu; está chamando a atenção. Então isso é muito importante, nós temos uma responsabilidade ainda maior. Diante de uma cultura de desigualdade de gênero, que a gente convive com algo primitivo. É algo primitivo a superioridade do macho sobre a fêmea, do poder ainda do macho, isso não é discurso de feminista, isso é dado científico. Temos a Maria da Penha, as delegacias para mulheres, as casas de acolhida, isso não é à toa, esse fenômeno social e cultural da diferença de poder entre homens e mulheres infelizmente persiste. Estamos criando uma série de políticas públicas, mas ainda é algo que falta. E aí vem nosso papel, nós duas procurar e trabalhar, chamar atenção para esses espaços de poder, ocupar esses espaços de poder, ter opinião, isso mostra uma ideia de igualdade e capacidade das mulheres. Eu quero motivar as mulheres, empoderar as mulheres para que elas se sintam em uma situação de igualdade e não de superioridade. Temos um papel muito bonito e às vezes me dou conta disso, para chamar mais atenção, porque tem o preconceito.

Miriam Paz Garcez Marroni
60 anos
Ocupação: deputada estadual
Grau de instrução: Superior completo
R$ 130.310,26
Total em bens

Acompanhe na edição da próxima segunda-feira (5 de setembro) a entrevista com a candidata Paula Mascarenhas (PSDB), da coligação PSDB/PMDB/PTB/PSD/PPS/PSB/SDD/PSC/PV/PRB/PR


Comentários


Diário Popular - Todos os direitos reservados