Entrevista

Lasier Martins defende mudança de regras no STF

Em visita à Zona Sul, Senador falou do projeto que apresentou em 2015, cujo texto ainda não foi para o plenário

16 de Junho de 2022 - 21h13 Corrigir A + A -
Em conversa com o Diário Popular, Lasier avaliou seu mandato e comentou as expectativas para as eleições. (Foto: Lucas Kurz - DP)

Em conversa com o Diário Popular, Lasier avaliou seu mandato e comentou as expectativas para as eleições. (Foto: Lucas Kurz - DP)

O senador gaúcho Lasier Martins (Podemos) esteve em municípios da Zona Sul nos últimos dias. Passou por Pelotas, onde visitou a Santa Casa para oficializar a entrega de emenda para custeio média e alta complexidade (MAC). Também passou pelo Parque Tecnológico para acompanhar o andamento da usina de energia fotovoltaica. Em conversa com o Diário Popular, avaliou seu mandato e comentou as expectativas para as eleições.

Diário Popular - Como o senhor avalia esta pré-campanha? A direita apresenta, a princípio, quatro candidatos. Como se destacar nesse cenário?

Lasier Martins - Estou conferindo a utilização das emendas, então tenho visitado muitos hospitais, postos de saúde e creches. É uma maneira de fazer contato com o eleitorado. Estou sendo muito bem recebido. Será uma campanha duríssima, com concorrentes muito fortes. Estou consciente que o campo centro-direita está muito numeroso, então quem vier pela esquerda terá vantagem. O voto vai ter que ser conquistado no debate, nas entrevistas, nos programas que vamos apresentar para conquistar o voto. Tudo vai depender do desempenho pessoal, para convencer o eleitor.

DP - Qual sua percepção desses oitos anos no Senado?

LM - Os quatro primeiros anos foram muito difíceis e frustrantes com a velha e má política dominando, com adversários muito viciados no patrimonialismo, no fisiologismo, como Renan Calheiros (MDB), Eunício Oliveira (MDB), Edison Lobão (MDB), Romero Jucá (MDB), aquela turma toda dominando completamente o Senado. E eu cheio de ideais, como um Dom Quixote, apresentando projetos transformadores e não tinha solução. Depois melhorou um pouco com a chegada de gente nova, na eleição de 2018, houve uma renovação de 43 cadeiras, das quais umas 15 ou 20 de gente muito sintonizada com as carências do país, mas ainda somos minoria. Eu tenho vários projetos aprovados, mas são projetos de pequena repercussão. [Não votados] como a mudança do sistema de indicação dos ministros, restabelecimento da prisão em segunda instância, o meu projeto para socorrer a Metade Sul, que vive muitas dificuldades. Também os gastos do Senado, que são exagerados e tenho uma proposta de reduzir R$ 500 milhões por ano. Crimes hediondos sem direito a progressão de regime, que já foi aprovado no Senado, o telemarketing abusivo, projeto meu que já foi aprovado no Senado e está parado na Câmara. Tenho mais de 90 projetos.

DP - Se reeleito, o que são suas prioridades?

LM - Vou continuar lutando para que esses projetos venham para a pauta no plenário. Tenho muitos projetos passados pelas comissões, mas não são votados no plenário até porque, pela posição que eu adotei lá, eu não tenho a simpatia dos presidentes do Senado, que são da ala da velha política, então eles não dão oportunidade.

DP - O que precisa ser feito para, de fato, haver a "nova política" que o senhor cita?

LM - Uma delas é mudar o sistema de indicação do Supremo Tribunal Federal (STF). Pois as decisões do Supremo repercutem na vida social e econômica de todos os brasileiros. Temos um Supremo que é aparelhado pelo PT e que é um tribunal ideológico e político. Por isso isso eu tenho a PEC 35 que muda o sistema de indicação, não sendo mais a vontade do presidente da República, mas uma comissão de juristas escolherá. O segundo ponto desta PEC é acabar com a vitaliciedade, fazer como fazem alguns países europeus. São mandatos fixos, minha proposta é de dez anos, para renovar a jurisprudência e acabar com essa viciada, já que o mundo está se transformando com novas tecnologias e os velhos lá do STF continuam arraigados a tempos passados. Quando abrir uma vaga, cria-se uma comissão permanente ou semi permanente integrada de vários representantes do Judiciário para estudar quem são os grandes juristas do Brasil e buscam três deles para formar uma lista tríplice e encaminhar ao presidente. Com isso, se tem mais chance de um Supremo imparcial e isento, coisa que hoje não acontece. Outra coisa é reduzir consideravelmente a distribuição de verbas para o parlamento porque até 30 anos atrás o parlamento não recebia dinheiro nenhum, hoje em dia ele cada vez retira mais verba do Executivo para administrar junto a suas paróquias eleitorais.

DP - Quanto ao apoio para presidente da República, qual sua posição?

LM - Parece que é inevitável, que não tem saída. Nenhuma terceira via conseguiu decolar, por mais que se esforce, e dificilmente vai aparecer daqui para frente. Em todo caso, ainda tem um tempinho. Se não ocorrer isso, vamos ter que escolher entre um sujeito que saqueou o dinheiro do Brasil e o outro, que embora tenha defeitos, ainda é melhor que o Lula (PT). O meu partido, por exemplo, vai liberar. Cada correligionário vota em quem quiser, mas há uma tendência de votar no Bolsonaro (PL). Aqui no Estado não decidimos ainda, estamos na expectativa da formação da aliança do PSDB com o MDB, assim existe possibilidade de ficarmos com o PSDB.


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