Estado

Governo promete R$ 55 milhões para açudes e poços

Investimento deve ser anunciado pelo governador Eduardo Leite para atender municípios em situação de emergência pela estiagem

29 de Junho de 2020 - 19h06 Corrigir A + A -
Municípios cobram apoio do Estado para garantir água a famílias na zona rural (Foto: Jô Folha - DP)

Municípios cobram apoio do Estado para garantir água a famílias na zona rural (Foto: Jô Folha - DP)

Por: Vinicius Peraça e Rafaela Rosa
vinicius.peraca@diariopopular.com.br
rafaela.rosa@diariopopular.com.br

Com acúmulo de prejuízos por conta da estiagem que durou praticamente todo o verão, os municípios da região devem começar a ver tomarem forma ações mais efetivas do Estado e da União. Nesta segunda-feira (29), representantes da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e das secretarias estaduais de Obras e Habitação e da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural garantiram aos prefeitos atendimento às demandas por açudes e poços.

Para dar conta das necessidades não só da região, mas de todo o Estado, o governador Eduardo Leite (PSDB) deve confirmar até o final da semana R$ 55,1 milhões em investimentos. A maior parte do valor (R$ 29,1 milhões) é de emenda da bancada federal gaúcha destinada à Funasa. Outros R$ 6 milhões são via Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR), R$ 10 milhões de recursos próprios do Piratini e outros R$ 10 milhões da Assembleia Legislativa.

A expectativa é que cada cidade da Zona Sul receba pelo menos um poço artesiano para abastecer famílias atingidas pela falta de água. As exceções serão Chuí e Santa Vitória do Palmar, que não estão entre as que têm situação de emergência homologada pela Defesa Civil. Segundo a superintendente estadual da Funasa, Karla Rech, todas as demais foram contempladas com R$ 70 mil para a obra, que ficará a cargo do Exército. 

“A Funasa vai dar o sistema, que inclui perfuração, encanamento, reservatório, sistema elétrico para funcionamento. Quando o Exército terminar o poço estará pronto, dando água. Faltará apenas a rede, que cabe ao município”, explica. A meta é abrir pontos de captação não só na Zona Sul, mas em todos os 413 municípios em situação de emergência. Trabalho que será dividido entre Funasa e Estado.

Pedido é por mais agilidade

Embora a boa nova fosse aguardada pelos prefeitos, que reclamam de demora no apoio contra a seca, o prazo para entrega dos poços não agradou a todos. A previsão é que as primeiras perfurações comecem em janeiro de 2021 e que os trabalhos sejam finalizados em março. O que, para a prefeita de Turuçu, pode provocar novos transtornos. “Vamos passar o verão todo, que é uma época de seca, e teremos os poços somente em março, quando está chegando o inverno e as chuvas começam. Isso indica que podemos ter problemas novamente”, alerta Selmira Fehrenbach (MDB).

Além dos poços, estão no pacote de apoio do Estado o pagamento de horas-máquina para atendimento em áreas rurais e construção de cerca de 1,2 mil açudes. No entanto, esta última ação deve ser mais rápida em comparação aos poços. De acordo com o secretário da Agricultura, Covatti Filho, o objetivo é concluir os reservatórios ainda no inverno para que passem a acumular água para o verão.

Perda bilionária

Conforme relatório da Emater, a estiagem provocou perdas na região de Pelotas que chegam a R$ 1,2 bilhão. A cifra leva em conta quebras nas lavouras e prejuízos de produtores de gado de corte e de leite.

Algumas das principais culturas tiveram metade da safra - ou mais - comprometida. A perda da soja alcançou 47,95%, a do milho silagem 47,43%, a do milho grão 66,42%. Já a colheita do feijão foi reduzida em 54,52% e a do tabaco 29,6%. Além disso, 3.674 famílias ficaram sem água potável. “Muito difícil essa situação. Não houve ainda retorno para os municípios da Zona Sul nessa questão da estiagem”, lamenta o prefeito de Arroio Grande e presidente da Associação dos Municípios da Zona Sul (Azonasul), Luís Henrique Pereira (PP).

 


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