Eleições 2022

Fábio Ostermann cumpre agenda em Pelotas

Deputado falou sobre a expectativa para a eleição e votações recentes do Novo no Congresso e na ALRS

09 de Maio de 2022 - 13h11 Corrigir A + A -
Parlamentar vai tentar uma vaga no Congresso no pleito deste ano (Foto: Lucas Kurz - DP)

Parlamentar vai tentar uma vaga no Congresso no pleito deste ano (Foto: Lucas Kurz - DP)

Com agenda em Pelotas, o deputado estadual do Novo, Fábio Ostermann esteve no Diário Popular para uma entrevista exclusiva. O parlamentar falou sobre os planos para conquistar uma vaga no Congresso, as expectativas do partido em ano eleitoral e também sobre a recente polêmica do Novo ter votado contra o Piso da Enfermagem. Confira:

Diário Popular: Quais foram os compromissos na Zona Sul?
Fábio Ostermann: Tive alguns compromissos do caminho pra cá. Tive reunião com algumas lideranças e apoiadores em Camaquã e aqui em Pelotas uma ação de prestação de contas do mandato, divulgando um material que, diferentemente de outros, imprimi do meu próprio bolso para evitar más interpretações em relação a uso de estrutura para fins eleitorais. Temos também encontros com algumas lideranças e à noite uma palestra [na última sexta-feira] para apoiadores e pessoas que acompanham nosso mandato, falando um pouco sobre o que a gente tem feito na Assembleia e o que a gente tem visto pelo Estado.

DP: Quais os planos para esse ano eleitoral sendo pré-candidato ao Congresso?
FO: Sou pré-candidato a deputado federal. Nunca gostei da ideia de ficar muito tempo enraizado no mesmo lugar. Até vejo com certa estranheza alguns colegas que estão há sete, oito mandatos. Venho de uma geração que busca fazer a diferença, então também tenho que trazer outras pessoas para ingressarem e fazerem a diferença. Dentro do Novo, que é um partido ainda pequeno, a gente tomou a dianteira em um primeiro momento. A gente tem que incentivar outras pessoas a virem e uma forma de eu incentivar é abrir espaço, também buscando um salto mais alto. Desde o início do meu mandato venho buscando tornar possível uma candidatura a deputado federal. Com minha votação em 2018 eu já teria sido eleito a federal, com mais de 48 mil votos. Estando na Assembleia e vendo o quão limitadas são as nossas atribuições - e o quão espremida acaba sendo a nossa competência entre as competências municipais e federais - reforcei esse anseio de buscar colaborar na pauta de temas que a gente vê sendo discutidos lá em cima, na minha opinião, não com a devida seriedade. Temas estruturais que mexem na vida de todos os brasileiros, como a reforma administrativa e a tributária.

DP: Na última semana, o Novo votou contra o Piso da Enfermagem. Qual o posicionamento do partido no Estado sobre isso?
FO: Esse foi mais um exemplo de uma proposta supostamente bem intencionada, mas que vai trazer consequências não tão positivas. Em primeiro lugar porque não há previsão de recursos para custear esse aumento de despesa, que vai ser pro setor público, no que diz respeito aos hospitais públicos, pro setor privado, no que diz respeito aos hospitais privados, mas essencialmente ao pagador de impostos.

Obviamente os custos do Sistema Único de Saúde (SUS) vão aumentar. Hoje a tabela SUS já está altamente defasada. Estive conversando recentemente com o pessoal da Santa Casa de Pelotas e me disseram que uma das maiores preocupações é a defasagem da tabela SUS, os atrasos no IPE - mas pelo menos o IPE paga um valor razoável -, e que isso acaba os deixando reféns de emendas parlamentares, de repasses extraordinários.

Isso acaba prejudicando a continuidade do trabalho. O que vai acontecer com esse piso é uma elevação artificial do salário de uma categoria. Eu defendo, evidentemente, o máximo de valorização dos profissionais das áreas fundamentais. O Novo é muito firme em dizer que precisa economizar em outras áreas para gastar em saúde, segurança, educação e infraestrutura, só que não estamos deixando de gastar nas outras áreas. A gente acabou de ter em 2021 um aumento de R$ 5 bilhões no fundão eleitoral. O cobertor é curto, não dá pra ficar votando coisas sem imaginar que terá repercussões. Além de que a ideia de estabelecer um piso pode parecer uma ideia boa, porque afinal de contas todo mundo gostaria que profissionais que cuidam da vida das pessoas tivessem uma remuneração maior, mas não é assim que funciona na economia.

DP: A bancada do Novo também votou contra o aumento geral dos servidores no RS. A justificativa é a mesma?
FO: Nesse caso nossa bancada foi a única a votar contra. Foram somente dois votos contra e 48 a favor. Votamos contra porque consideramos que foi uma medida injusta. Em primeiro lugar com o servidor que ganha menos, pois o servidor que ganha R$ 1,5 mil vai ganhar R$ 90,00 de aumento, já o que ganha R$ 33 mil vai ganhar R$ 2 mil de aumento e vai ser ocupado R$ 1,5 milhão de espaço fiscal para dar esse aumento desproporcional que favorece a elite do funcionalismo público. Então, ao dar esse aumento, a gente vai perder o espaço de mais para frente dar um aumento mais digno para quem ganha menos. Não foi por insensibilidade com o servidor.

DP: Luiz Felipe D’ávila é pré-candidato à Presidência e Ricardo Jobim ao Piratini. Essas candidaturas serão firmadas? Há chance de coligação?
FO: Se alguma candidatura que representasse nossos valores e ideais a gente até poderia cogitar a possibilidade de coligar, mas não há nada nem perto disso. Não vejo porque abrir mãos das nossas candidaturas, nossas ideias, para que a gente possa fazer a diferença nas eleições. Inclusive conseguir um espaço importante para divulgar nossas candidaturas a deputado e quem sabe beliscar uma eleição para presidente e governo do Estado. É difícil um partido pequeno alcançar esses espaços, mas a gente está confiante na solidez das nossas ideias, na qualificação dos nossos pré-candidatos. Estamos confiantes nos resultados que vêm por aí.


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