Seca no campo

Estado pede prorrogação de dívidas de atingidos pela estiagem

Governador e deputados apresentaram ao Ministério da Agricultura dados sobre prejuízos causados a municípios afetados pela falta de chuvas

12 de Fevereiro de 2020 - 19h11 Corrigir A + A -

Por: Vinicius Peraça
vinicius.peraca@diariopopular.com.br 

Tereza Cristina e comitiva RS 120220 - Carlos Silva MAPA

Grupo entregou à ministra informações sobre perdas com a estiagem e documento com demandas para minimizar os impactos aos produtores (Foto: Carlos Silva - Mapa)

Uma comitiva liderada pelo governador Eduardo Leite e pelo presidente da Assembleia Legislativa, Ernani Polo (PP), entregou na tarde desta quarta (12) à ministra da Agricultura, Tereza Cristina, um documento pedindo ao governo federal apoio no enfrentamento à estiagem no Estado. Ao todo, 115 municípios gaúchos notificaram a Defesa Civil sobre a crise enfrentada sobretudo por produtores rurais que tiveram lavouras e criações de animais impactadas pela falta de chuvas dos últimos meses.

A principal demanda apresentada pelo grupo foi para que a União autorize a prorrogação de prazos ou a repactuação de dívidas bancárias assumidas pelos agricultores para investimentos ou custeio da produção. A intenção é obter o adiamento de todos os débitos relacionados a crédito rural por pelo menos 120 dias, prazo considerado aceitável para que os produtores consigam minimizar parte dos prejuízos. Já para contratos de investimentos, o pedido foi pelo protelamento por um ano nas parcelas.

O documento, que também cobra da Defesa Civil que declare estado de emergência nas localidades atingidas, contou com a assinatura de representantes das federações das Associações dos Municípios do RS (Famurs), da Agricultura do Estado (Farsul), dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag) e de Cooperativas Agropecuárias (Fecoagro).

"Essa situação tem gerado perdas em diversas culturas, em praticamente todas as regiões, com prejuízos que variam de intensidade e se estendem para a pecuária de corte e leite em razão de os produtores não conseguirem fazer a silagem do milho com qualidade", disse o presidente da Assembleia.

Após o encontro, que durou pouco mais de uma hora e contou com a presença do secretário estadual da Agricultura, Covatti Filho, e de integrantes da bancada gaúcha no Congresso, Eduardo Leite afirmou que "a ministra se comprometeu a conversar com o ministro Paulo Guedes sobre o assunto".

Tereza Cristina afirmou à comitiva estar acompanhando as dificuldades dos municípios gaúchos. Ela sinalizou com a prorrogação dos contratos bancários e comprometeu-se a liberar recursos urgentes a pequenos produtores, mais atingidos pela estiagem. O anúncio oficial não tem data, mas, segundo a ministra, deve ocorrer nas próximas semanas.

Mais uma cidade decreta emergência

Nesta quarta, Pinheiro Machado entrou para a lista de cidades que decretaram emergência na Zona Sul do Estado, se tornando a décima a oficializar a crise provocada pela falta de chuvas. Segundo o prefeito José Antônio da Rosa (PDT), as perdas chegam a 40% nas lavouras de soja e milho, além de 20% na pecuária. No interior do município, pelo menos 100 famílias enfrentam as maiores dificuldades com a seca.

"São basicamente pequenos agricultores, assentamentos, que estão com escassez de água para os animais e até para beber. No momento estão se virando, recorrendo a vizinhos que cedem um pouco do que têm. Mas se continuar assim, logo teremos que recorrer ao abastecimento com caminhões", explica.

Por enquanto, nenhuma das cidades da região teve a situação de emergência homologada pelo governo do Estado. O reconhecimento formal é fundamental para que as prefeituras tenham acesso a apoio estadual e federal.

Além de Pinheiro Machado, também estão na lista à espera de apoio Amaral Ferrador, Canguçu, Capão do Leão, Cerrito, Morro Redondo, Pedro Osório, Piratini, Santana da Boa Vista e São Lourenço do Sul.


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