Eleição 2020

Enquanto oposição tenta união, governistas lutam pelo vice

Sem consenso sobre formação de frente, esquerda estuda candidaturas para enfrentar Paula, que acumula opções de vice na chapa

25 de Maio de 2020 - 09h01 Corrigir A + A -

Por: Vinicius Peraça
vinicius.peraca@diariopopular.com.br 

Sem certezas com relação à data da eleição municipal por conta do coronavírus, os partidos em Pelotas têm optado pela discrição nos movimentos. Ao contrário de períodos pré-eleitorais anteriores, em 2020 o trabalho de costura ocorre de forma mais silenciosa e, até, constrangida. Embora em constante articulação, alguns dos principais partidos evitam falar no assunto e tratam - publicamente - como prioridade o acompanhamento da crise de saúde.

Mesmo com o resguardo oficial, no entanto, os últimos dias têm sido de tentativas de encaminhamentos de apoios e espaços nas chapas que se formarão. Tanto pelo lado da prefeita Paula Mascarenhas (PSDB), quanto entre quem tenta evitar sua reeleição.

Tradicional adversário da coligação tucana, o PT teve duas semanas de ruídos e ajustes internos sobre sua pré-candidatura. Após sinalizar desistência, Ivan Duarte conversou com dirigentes locais e estaduais da sigla e confirmou a intenção de concorrer. Com isso, Luciano Lima, ex-presidente do diretório que pretendia disputar a indicação, recuou.

Condição apontada até então por Duarte para participação em uma chapa majoritária, a formação da frente de esquerda com PT, PDT, PSB, PSOL e PCdoB tem se mostrado pouco provável apesar da insistência petista. Ainda que tenham se reunido na sexta-feira, dia 15, os líderes não conseguiram entrar em acordo e se deram prazo até esta semana para definir se continuam as tratativas.

oposicao

"Estamos tentando consolidar um grupo, mas mesmo que não ocorra já defini pela disputa ao Executivo", afirma Duarte. Segundo ele, não buscar a indicação petista à prefeitura seria "um desastre muito grande". A expressão pode ser traduzida como o receio de que, com sua saída, voltasse a ganhar força uma possível candidatura de Fernando Marroni. O deputado estadual e ex-prefeito, contudo, mantém-se em silêncio. "Por respeito aos filiados ao PT Pelotas", diz a assessoria, "vai realizar os debates apenas internamente".

Esquerda dividida

Com cinco partidos, a tendência atual é de que a pretensa frente de esquerda se fragmente em três partes. De um lado PT e PCdoB, de outro PDT e PSB e, sozinho, o PSOL. "Ainda não está claro o perfil e o programa dessa possível frente, elementos fundamentais para tomada de decisão do PSOL. Assim, hoje, a tendência é de candidatura própria", explica o secretário-geral Helder Oliveira.

No PDT, que cogitou liderar chapa com o vereador Marcus Cunha ao lado de Ivan Duarte, trata-se também de uma possível indicação do advogado Reginaldo Bacci como pré-candidato ao Executivo, tendo como parceiro um indicado do PSB. Porém, os socialistas também não descartam tentar a prefeitura. "Vamos insistir até o final em ter nossa candidatura e uma coligação com o PDT, que é nosso aliado prioritário tanto aqui como a nível nacional", diz o presidente do PSB, Tony Sechi.

Cartas na mesa, à escolha

Enquanto a oposição tenta formar uma ou mais chapas competitivas, a prefeita Paula Mascarenhas assiste de camarote ao acúmulo de opções para sua chapa. Mesmo que oficialmente os nomes ainda não tenham sido indicados pelos partidos, as cartas estão na mesa. E são pelo menos seis.

governo

As principais seguem postas pelo PTB. Atual aliado da prefeita, o partido se divide entre a continuidade de Idemar Barz e a mudança por Alexandre Garcia, presidente do Sanep. O entendimento é que ambos os nomes contam positivamente à chapa, visto que Barz tem sintonia com o trabalho da prefeita, enquanto Garcia é bem avaliado no governo pela gestão na autarquia de saneamento e ganhou visibilidade a partir das obras recentes. Também conta a favor do segundo a possibilidade de mais tempo na carreira política, ganhando projeção no Executivo para vôos futuros. Outro trunfo do PTB pelotense para se manter como vice é a parceria estadual com os tucanos, sendo vice de Eduardo Leite.

Porém, outra sigla também tem dois nomes pleiteando o segundo gabinete da prefeitura. No PP, o presidente e vereador Roger Ney é candidato a compor a chapa do PSDB. O progressista, inclusive, definiu que não tentará novo mandato na Câmara. Porém, tem como concorrente interno o recém filiado Fabrício Tavares que, ao lado do ex-prefeito Fetter Júnior, pressiona por protagonismo ao lado da prefeita. "A única possibilidade de apoiarmos a Paula é ocuparmos a vaga de vice-prefeito. Caso contrário, deveremos ter candidatura própria", sustenta Tavares. O presidente Roger Ney, no entanto, adota tom mais ponderado e diz que é cedo para abordar o assunto.

Completam o sexteto de opções mais próximas o Cidadania (ex-PPS) e o PSL. Sem um nome preferencial, o primeiro aposta na relação com a prefeita. "Fidelidade. Sempre estivemos juntos. E sempre somos os primeiros a declarar apoio", diz o presidente Valter Poetsch. Eleita vice de Leite enquanto filiada ao PPS, Paula esteve na sigla desde que trabalhou como assessora do ex-prefeito Bernardo de Souza.

Já o PSL coloca à disposição de Paula um duo poderoso: dinheiro e tempo de TV. Assessor especial do Executivo e presidente do partido, Henrique Pires ofereceu seu nome à prefeita e anunciou desincompatibilização do cargo no próximo domingo (31) para que possa concorrer a vice. Para a escolha, confia que poderá pesar o fato de o PSL ter a polpuda receita de R$ 189 milhões do Fundo Eleitoral para subsidiar campanhas no país. O que significa 38% a mais que PP, e quase cinco vezes mais que Cidadania e PTB. "Com a pandemia, será a primeira vez que o candidato não poderá abraçar eleitor, beijar criança, apertar mão. O grande ativo será o tempo de rádio e TV. E será a primeira eleição com financiamento público. Tudo terá que ser do fundo partidário, com novas regras”, argumenta Pires.

marceloPré-candidato "não político"

À margem da dualidade situação versus oposição, o Podemos tenta encontrar alianças. Ainda em construção na cidade, o partido confia que conseguirá viabilizar apoios à pré-candidatura do jornalista Marcelo Oxley. Segundo ele, outras siglas como MDB, DEM, PSC e Patriota foram contactadas para uma possível coligação, mas não há definições. "Nos alegra um pouco a chance de que as eleições ocorram em dezembro. Vai ser completamente diferente. O senador Lasier Martins estará aqui para participar da campanha. Ele fez 66 mil votos aqui para o Senado e virá nos ajudar", projeta Oxley.

Com as convenções partidárias mantidas até então para o período entre 20 de julho e 5 de agosto, restam apenas dois meses para que todas as agremiações façam suas costuras.

 

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