Crise

Endividado, Estado continuará pagando salários escalonados

Com dificuldades para estabelecer calendário, Eduardo Leite anunciou manutenção dos depósitos divididos em faixas salariais

31 de Janeiro de 2019 - 18h35 Corrigir A + A -

Por: Vinicius Peraça
vinicius.peraca@diariopopular.com.br 

Eduardo Leite 310119 - Gustavo Mansur

Governador disse que Estado possui grande déficit acumulado que dificulta regularização das contas (Foto: Gustavo Mansur)

Não deve ser no curto prazo que os 344 mil servidores públicos do Estado vinculados ao Poder Executivo voltarão a receber os salários em dia. Pior: pelo menos até o fim de fevereiro o funcionalismo continuará sem ter calendário definido de quando o dinheiro será depositado em conta todos os meses. Nesta quinta (31) o governo anunciou apenas as datas dos repasses referentes a janeiro, com previsão de conclusão somente no dia 14 de fevereiro.

Em entrevista coletiva no Palácio Piratini em que apresentou dados sobre a situação financeira do Estado, Eduardo Leite (PSDB) confirmou que foram depositados os salários de até R$ 1,1 mil. Com isso, 36.495 trabalhadores (10,6% do total) tiveram os compromissos quitados pelo Executivo. Para os demais, houve uma divisão em seis faixas a serem pagas entre os dias 11 e 14 de fevereiro (veja quadro abaixo).

"Gostaria de apresentar um calendário que pudesse ser cumprido todos os meses, mas a condição fiscal do Estado não permite isso", justificou o governador. Segundo ele, o compromisso é repetir a rotina de anunciar no último dia útil de cada mês as faixas salariais e datas dos depósitos. Contudo, alertou que em fevereiro, dependendo do fluxo de caixa, o período até a quitação total da folha pode ser mais extenso.

Promessa de campanha, a regularização dos salários do funcionalismo foi condicionada a soluções para alívio do caixa. Entre elas a negociação das dívidas com a União e os precatórios. "Temos a intenção de cumprir esse compromisso, embora algumas variáveis fujam do nosso controle. Apesar do tamanho do desafio, todas as questões estão mapeadas e acredito que a gente tem no horizonte como combatê-las e possa viabilizar o pagamento em dia dos servidores no primeiro ano", disse o secretário da Fazenda, Marco Aurélio Cardoso.

R$ 22 bilhões de déficit

Em uma longa exposição sobre as finanças, Leite afirmou que a previsão é de que as contas em 2019 fechem no vermelho em R$ 7 bilhões. "Significa que o Estado não teria recursos para pagar mais do que oito das 13 folhas de pagamento do ano", alertou.

Porém, o governador apresentou um cenário ainda pior. Conforme as projeções da Fazenda, uma eventual queda da liminar que permite o não pagamento das parcelas da dívida com a União e a cobrança de valores não repassados desde 2017, somada a restos a pagar do ano passado, podem acrescentar R$ 15,1 bilhões às dívidas. Com isso, o déficit saltaria para R$ 22,1 bilhões em 2019 e R$ 43 bilhões até 2022.

"Só não teremos isso se agirmos para equilíbrio fiscal. Por isso estamos fazendo um esforço de coordenação política. Não é uma agenda do governador. É do Estado e deve ser compartilhada com todos os entes e Poderes, dos deputados aos sindicatos, da União ao STF (Supremo Tribunal Federal), e vamos trabalhar em diferentes vias para reequilibrar as contas", apelou Leite.

Quanto e quando?

Confira o calendário de pagamentos dos salários de janeiro dos servidores:

31/01 - Até R$ 1,1 mil - 36.495 servidores
11/02 - Até R$ 2,25 mil - 117.644 servidores
12/02 - Até R$ 3,6 mil - 69.761 servidores
12/02 - Até R$ 5 mil - 49.310 servidores
13/02 - Até R$ 7,25 mil - 34.115 servidores
13/02 - Até R$ 11,5 mil - 25.012 servidores
14/02 - Acima de R$ 11,5 mil - 11.697 servidores


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