Pressão e ruptura

Empresários deixam Comitê de Crise após bandeira vermelha

Representantes da Aliança Pelotas questionam posição da prefeita Paula Mascarenhas favorável ao fechamento temporário do comércio

05 de Julho de 2020 - 20h20 Corrigir A + A -

Por: Vinicius Peraça
vinicius.peraca@diariopopular.com.br 

* Matéria atualizada às 22h12min para acréscimo de informações

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Prefeita e empresários têm mantido contato constante por videoconferência, mas anúncio de restrições abalou relação com a Aliança Pelotas (Foto: Rodrigo Chagas - Ascom)

O domingo em que a prefeita Paula Mascarenhas (PSDB) consolidou posição de não recorrer ao governo do Estado para reverter a bandeira vermelha do Distanciamento Controlado foi marcado por um racha no Comitê de Crise do município. Integrantes da Aliança Pelotas, entidade que reúne as principais associações empresariais da cidade, afirmaram estar deixando o comitê diante da decisão de restringir as atividades comerciais.

O afastamento do colegiado formado pela prefeita em março para debater ações relacionadas ao coronavírus se deu tão logo Paula confirmou que respeitará as restrições determinadas pelo decreto estadual. Com a classificação vermelha (risco alto para Covid-19), grande parte do comércio e serviços terão que fechar ou operar com regras mais rígidas a partir da próxima terça (7).

Presidente do Sindicato dos Dirigentes Lojistas (Sindilojas), Renzo Antonioli critica o que considera ação exagerada diante da capacidade do sistema de saúde local. "Não existem questões técnicas hoje em Pelotas que impeçam o comércio de funcionar. Temos somente 23% dos leitos de UTI ocupados. Portanto, temos 77% de leitos vagos. Pelotas ainda hoje, no cenário nacional, é uma das cidades com melhor desempenho no controle da disseminação do vírus", argumenta.

O empresário diz que foram apresentados à prefeita dados técnicos produzidos pela Aliança indicando condições de manutenção da cidade com regras da bandeira laranja. Contudo, diante da negativa, informaram o desligamento do Comitê de Crise. "Ela não conseguiu nos dar um contraponto que justificasse não recorrer da decisão. Não existe esse argumento. No momento em que trouxemos todos nossos dados e preocupação tecnicamente e mesmo assim não surtiu efeito, talvez não tenhamos mais como contribuir com o Comitê de Crise. Nesse momento a gente acha que nossa participação não tem muito significado", completa.

O que diz a prefeita

Paula disse respeitar o posicionamento dos empresários, mas lamentou a saída do Comitê de Crise. Segundo ela, a permanência do diálogo entre todos os setores é importante para que a cidade consiga "consertar os estragos" após o fim da pandemia. A prefeita reforçou a necessidade de adotar regras mais rígidas para as atividades na cidade como tentativa de reduzir o ritmo de avanço do coronavírus e minimizar impactos sobre o sistema de saúde.

"A minha responsabilidade é de pensar no todo. Não dá pra pensar só em um segmento. Sei o quanto a economia é importante e gera riqueza e todos precisamos disso. Mas nesse momento, diante de todo o contexto de falta de leitos em Rio Grande, da falta de anestésicos em todo o Brasil e no Estado que não é diferente, da dificuldade de formar equipes médicas e ampliar leitos... Diante de tudo, isso achei que era hora de retrocedermos um pouco. Não posso esperar o momento do colapso para tomar decisão", defendeu.

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