Pré-campanha

Em Pelotas, Ciro Gomes diz que "algo diferente precisa ser feito"

Pedetista reuniu-se com apoiadores, recebeu elogios e xingamentos no Centro e palestrou na Faculdade de Direito da UFPel

10 de Junho de 2022 - 20h07 Corrigir A + A -

Pré-candidato do PDT à Presidência da República, Ciro Gomes esteve na sexta-feira (10) em Pelotas para uma série de compromissos visando a disputa eleitoral de outubro. O ex-governador do Ceará e ex-ministro de diferentes governos foi recebido por militantes e aliados, circulou pelo centro da cidade, cumprimentou apoiadores e, também, enfrentou alguns protestos. Em entrevista coletiva no fim da tarde, repetiu críticas a Lula (PT) e Bolsonaro (PL), principais adversários, e defendeu uma ruptura na polarização entre ambos.

Ciro chegou à cidade no começo da tarde e por volta das 13h20min foi ao Centro acompanhado pelo pré-candidato pedetista ao Piratini, Vieira da Cunha, onde era aguardado por um grupo com cerca de 30 apoiadores. O político cumprimentou quem passava pela rua e parou para conversar com os comerciantes de uma tradicional banca de frutas na esquina das ruas Sete de Setembro e 15 de Novembro.

Na sequência, participou do programa 13 horas, da Rádio Universidade. Durante cerca de uma hora e meia, falou sobre temas como distribuição de renda, crise econômica e educação. Também reforçou o tom crítico ao ex-presidente Lula e ao atual presidente, Jair Bolsonaro. "Lula e Bolsonaro se igualam", resumiu.

No Café Aquários, após o programa, Ciro conversou com funcionários e clientes, recebendo assédio de quem estava no local. No entanto, o pré-candidato também teve que lidar com a hostilidade de alguns. Entre os xingamentos, ouviu frases xenófobas, como "volta para o Nordeste" e "cangaceiro". Um café chegou a ser arremessado e acabou respingando em apoiadores do pedetista.

Lançamento de pré-candidaturas e coletiva

No horário dedicado a encontrar-se com políticos do partido e lançar as pré-candidaturas à Assembleia Legislativa dos pelotenses Marcus Cunha e Cristina Oliveira e à Câmara dos Deputados de Reginaldo Bacci, o ex-governador do Ceará discursou aos militantes, explanando sua série de propostas. A coletiva de imprensa, marcada para às 16h, ocorreu pouco depois das 18h.

Em seus discursos recentes, o pré-candidato fala das pesquisas eleitorais divulgadas e sobre a possibilidade de chegar ao segundo turno. Em Pelotas, não foi diferente. "As pesquisas mostram que 30% não aceitam nenhum. Quando você olha mais profundamente, 15% dos 45% de Lula votam nele por uma razão, pois dizem que é o único que derrota Bolsonaro. E 9% dos 25% de Bolsonaro é por acreditar que ele não deixará o PT voltar, então dá 52%", calcula. Questionado sobre como buscar esse eleitor, Ciro aponta que será através do diálogo com o brasileiro. "Trabalhando, indo para o chão e procurando o povo. Paciência, humildade, respeito e agradecendo ao espírito democrático da imprensa regional brasileira, que é um exemplo, na contramão da grande mídia."

Mesmo com o cenário atual semelhante com o de 2018, já que apresentava Bolsonaro em primeiro lugar, Fernando Haddad (PT) em segundo e ele em terceiro, o pedetista disse acreditar que a virada é possível devido aos últimos quatro anos de governo. "A crise brasileira se agravou de uma forma mais profunda do que a revelada em 2018, pois nessa época ainda tínhamos o rescaldo político comovente do impeachment da Dilma [Rousseff] e as pessoas não tinham percebido que o Bolsonaro é um estelionato, uma promessa mentirosa. Hoje, essa crise tomou uma profundidade e o testemunho popular que algo precisa ser feito de diferente no Brasil é amplo. Se tivermos persistência podemos derrotar os dois."

O encerramento da agenda em Pelotas foi com uma breve visita à Fenadoce e uma palestra no auditório da Faculdade de Direito da UFPel. Na oportunidade, Gomes falou sobre a situação financeira do Estado e apresentou seu projeto aos presentes. A palestra recebeu o título de "Dívida do Estado do Rio Grande do Sul e a importância de um projeto de desenvolvimento para a Metade Sul".


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