Confusão

Discussão sobre a vacinação contra a Covid-19 marca sessão da Câmara

Vereadores Anselmo Rodrigues e Miriam Marroni trocaram farpas depois de um vídeo exposto

21 de Outubro de 2021 - 18h44 Corrigir A + A -
Vereadores protagonizaram uma discussão após exibição de vídeo antivacina (Foto: Divulgação - DP)

Vereadores protagonizaram uma discussão após exibição de vídeo antivacina (Foto: Divulgação - DP)

A desavença sobre a validade da exigência do passaporte vacinal gerou confusão na sessão desta quinta-feira (21)  na Câmara de Vereadores de Pelotas. Os vereadores Anselmo Rodrigues (PDT) e Miriam Marroni (PT) protagonizaram uma discussão após o pedetista exibir um vídeo antivacina, de um veterinário de Santa Maria que contesta a validade dos imunizantes e discursa contra os estudos científicos. Na tribuna, ao ser confrontado sobre a exibição do vídeo, Rodrigues mandou, aos gritos, que a petista calasse a boca.

A parlamentar conta que ainda não avaliou se irá formalizar uma queixa na Comissão de Ética, pois acredita que uma conversa entre a presidência da Casa e o vereador já pode resolver o impasse. "Essa postura não é só comigo, ele tem feito isso. Ele grita com todo mundo", diz. Sobre o conteúdo do vídeo, ela enfatiza que a pandemia ainda não acabou e lembra da importância do passaporte vacinal. "A Câmara exige a vacina. Tem decreto estadual e municipal do passaporte e ele está desrespeitando uma decisão unânime da Casa. É lamentável um médico agir com essa postura", aponta

Durante a discussão, o vereador Jurandir Silva (PSOL) se somou ao discurso de Miriam. Ele interviu no momento em que ela foi xingada e criticou a postura do ex-prefeito. "O que é bastante inadmissível é que uma parlamentar tenha recebido um 'cala boca' de outro parlamentar e eu intervi nesse momento porque achei bastante inadequado", explica. Silva enxerga a postura e os discursos de um vereador como uma questão de responsabilidade pública, por isso avalia que usar a tribuna para desinformar seja inaceitável. "Mentir e divulgar informações falsas que afetam um conjunto da população não é liberdade de expressão, é crime. Então, eu entendo que a gente não pode aceitar pacientemente que se cometam crimes", diz.

Sobre o episódio, o pedetista diz que não desrespeitou Miriam, apenas revidou. "O meu espaço foi invadido, desrespeitado. O espaço me pertencia e eu fui atropelado e eu não atropelo ninguém. A resposta que eu dei foi em detrimento da agressão que eu recebi", diz. Segundo ele, o vídeo foi exposto porque é o assunto do momento no país e, sendo assim, merece destaque. "Eu não aceito que sejamos obrigados por lei a fazer alguma coisa com o nosso corpo que não concordamos", fala, referindo-se à obrigatoriedade da vacina. Mesmo assim, afirmou já ter tomado três doses do imunizante e ser um "defensor ferrenho" da prevenção e da liberdade.

Postura da presidência

O presidente da Casa, Cristiano Silva (PSDB), acredita que o respeito é obrigatório e "cada um sabe o que tem que fazer, eu não tenho como controlar". O parlamentar destaca que a responsabilidade do que é falado na tribuna é de cada vereador e que nem tudo que é discutido no local é de aceite de todos. Sobre não ter interrompido Anselmo Rodrigues durante a passagem do vídeo, ele admite que o erro dele, enquanto presidente, foi não ter controlado o tempo. "Eu nunca interrompi, sempre faço sinal com o relógio", fala.

Discussão sobre novo regramento interno

Na tribuna, o líder do governo na Câmara, Marcos Ferreira, o Marcola (PTB), sugeriu que o regimento interno da Casa precisa ser revisto. Na ocasião, o parlamentar pediu que os 21 vereadores se reúnam na terça-feira para avaliar esta questão. O presidente do Legislativo concorda que é necessário uma série de mudanças no regimento, porém não acha adequado que seja criada uma regra que exija que a presidência olhe os conteúdos divulgados pelos parlamentares enquanto estão na tribuna. "Alguns podem entender como filtro e outros como cerceamento. Eu respeito cada posição, posso não concordar, mas respeito", enfatiza.


Comentários


Diário Popular - Todos os direitos reservados