Pandemia

Decreto reabre academias e impede mão de obra de fora de Pelotas

Novo documento publicado pela prefeitura inclui regras locais complementares ao distanciamento controlado adotado pelo Estado

13 de Maio de 2020 - 13h33 Corrigir A + A -

Por: Vinicius Peraça
vinicius.peraca@diariopopular.com.br 

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Apesar das regras da bandeira laranja indicada pelo Estado, Paula optou por manter regras extras para controle da Covid-19 (Foto: Gustavo Vara - Ascom)

A partir desta quarta (13), academias de ginástica, ginásios esportivos e clubes sociais poderão retomar as atividades em Pelotas. A definição foi anunciada pela prefeita Paula Mascarenhas (PSDB) em entrevista coletiva em que detalhou adaptações locais ao decreto estadual que estabeleceu o modelo de distanciamento controlado.

Pelas regras complementares apontadas pela prefeita no decreto municipal 6.276, também foram determinadas restrições mais rígidas em comparação àquelas indicadas pelo Estado para a bandeira laranja em que se enquadram Pelotas e região. A cor é a segunda na escala de quatro níveis de controle social adotados para os municípios. As normas extras se referem a dois pontos: a contratação de trabalhadores de fora da cidade e a capacidade máxima de pessoas em igrejas e templos religiosos.

No caso da mão de obra, a partir de agora ficam proibidas admissões não só de pessoas de outros estados, mas também de outras cidades gaúchas que estejam sob bandeira que represente alerta mais grave que Pelotas. Hoje, este impedimento atingiria apenas trabalhadores com origem na região de Lajeado, que conta com nível vermelho de alerta por conta da disseminação do novo coronavírus. Além disso, a proibição dos contratos é válida para qualquer tipo de atividade. Até então, somente construção civil e obras públicas eram atingidas.

“Isso vai contra nossa forma de acolher as pessoas de fora e a hospitalidade pelotense que a gente se orgulha, mas são tempos diferentes. Na hora que chegam muitas pessoas, grupos de trabalhadores de regiões onde a incidência do coronavírus é maior, existe o risco das pessoas trazerem o vírus, até assintomáticas, e impactarem na curva de ocupação dos nossos leitos”, justifica a prefeita.

Com relação à ocupação de templos, igrejas e outras sedes de cultos religiosos, o Executivo optou por manter a regra que vinha sendo aplicada, mais rígida que a indicada pela bandeira laranja. No modelo estadual, os locais poderiam funcionar com até 25% da lotação máxima. Contudo, em Pelotas nenhum destes espaços poderá ultrapassar o limite de 30 pessoas.

Conforme Paula, técnicos epidemiologistas alertaram que, mesmo em templos com capacidade muito superior e regras de distanciamento, haveria risco de contágio elevado. "Mesmo que houvesse regras para pequenos e grandes, colocar 200 pessoas seria uma aglomeração. É um risco. Se entra uma pessoa assintomática não é uma ou duas pessoas que serão infectadas", argumentou.

O novo decreto recomenda ainda que todos os estabelecimentos adotem o uso de termômetros digitais infravermelho para aferir a temperatura dos clientes na entrada.

Academias

Conforme o decreto estadual, em locais com bandeira laranja e sem restrições locais, academias, ginásios e clubes sociais já poderiam reabrir, desde que com apenas 25% dos funcionários e atendimentos reduzidos, com capacidade máxima de um aluno a cada quatro metros quadrados de área.

Entretanto, as regras locais exigem ainda das academias que funcionem com um professor por aluno. Em áreas com pesos livres, o espaço individual de cada aluno deverá ser delimitado com fitas. Apenas metade dos aparelhos voltados a treinos cardiorrespiratórios poderão ser usados e com distanciamento. A academia terá ainda que informar seus usuários para a necessidade de levarem suas toalhas para auxiliar na higiene e reduzir riscos de contágio pela Covid-19 e os vestiários para banhos deverão ficar fechados.

No caso dos ginásios e centros esportivos, poderão ser praticados apenas esportes individuais. Ficam permitidas atividades entre professores ou instrutores e alunos, desde que sem contato físico.

Os treinos dos clubes de futebol ficaram vedados, sendo permitido apenas o funcionamento das áreas administrativas. Segundo Paula, a medida, além de evitar aglomerações, vai ao encontro da regra que impede a atuação de trabalhadores de fora da cidade, já que muitos atletas estão em outras regiões do Estado com suas famílias.

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