Eleição 2020

Decisão do PP pode realinhar coligações

Ao anular resultado de convenção e indicar Fetter Jr. para disputa à prefeitura, progressistas provocam movimentação também na chapa governista

10 de Setembro de 2020 - 21h11 Corrigir A + A -

Por: Vinicius Peraça
vinicius.peraca@diariopopular.com.br 

Apontado pelo PP estadual como candidato, Fetter busca formação de coligação (Foto: Rafa Marin - Divulgação)

Apontado pelo PP estadual como candidato, Fetter busca formação de coligação (Foto: Rafa Marin - Divulgação)

Não foram somente os progressistas que acompanharam a reunião de quarta (9) à noite que julgou recurso contra o vereador e presidente do diretório de Pelotas, Roger Ney. Políticos e filiados de outras siglas também observaram atentamente o encaminhamento dado pela Comissão Executiva estadual do PP que reverteu a convenção municipal e apontou o ex-prefeito Fetter Jr. como candidato do partido à prefeitura. Resultado que, a partir de agora, movimenta tanto quem já faz parte da chapa governista quanto aqueles que vêm se mantendo sobre o muro, à espera de um cenário menos incerto.

Imediatamente após encerrada a votação que por 31 votos a 4 considerou inválida a inscrição de Roger Ney na convenção e sua indicação como vice de Paula Mascarenhas (PSDB), contatos foram acelerados nos bastidores. Vitorioso entre os líderes estaduais do PP, Fetter Jr. se apressou em anunciar a retomada de conversas para ampliar o conjunto de partidos ao seu lado. "Temos manifestações escritas de oito partidos que querem se coligar conosco. Pretendo agora fazer contato com todos eles e propor reunião imediatamente para organizar os próximos passos", projeta.

No momento, Fetter conta com duas confirmações (PRTB e PV) e o apoio de parte do Cidadania, já que oficialmente o presidente da agremiação diz continuar no governo e apoiar os tucanos. Entre as outras legendas que estariam na mira surgem Avante, Patriota, PL, PROS e DEM. 

Parceiros preferenciais para compor a candidatura como vice, os democratas confiam que, encerrado o impasse interno do PP, será possível fechar acordo. "O PP sempre foi um parceiro estratégico. Evidente que dentro do DEM há disposição de apresentar candidatura própria. Mas se o objetivo é ganhar formando uma frente de centro democrático, temos que juntar forças já no primeiro turno", avalia Matteo Chiarelli, presidente do DEM.

Pretendidos por Fetter, próximos de Paula

Dos oito partidos vislumbrados no momento por Fetter Jr. para uma possível coligação, pelo menos dois - além do dividido Cidadania - mantêm proximidade também com o governo atual: PL e PV. O primeiro integra a atual base de sustentação de Paula na Câmara e o segundo fez parte da coligação vencedora em 2016. Logo, enquanto o progressista busca as alianças, a campanha da atual prefeita trabalha para não perder adeptos.

"Continuamos unidos. As pesquisas nos mostram que este conjunto tem boas chances nas urnas e confiamos nisso. Acreditamos que o grupo unido até agora continuará parceiro", diz Gilberto Cunha. Embora o presidente do PSDB evite falar em dissidências, admite que se mantém vigilante, embora à distância, às ações progressistas e seus reflexos no cenário eleitoral. Principalmente a possibilidade real de perder o vice da chapa após semanas de pesquisas e concorrências entre nomes que levaram à escolha por Roger Ney. 

"Enquanto não há nada oficial tanto do ponto de vista do PP quanto do próprio Roger Ney, segue tudo como está. Se por acaso se confirmar mudança, vamos reunir os partidos e discutir o que fazer, quem será o vice", resume Cunha.

PTB pode recuperar vaga

Atual dono da cadeira de vice, mas preterido de continuar na tentativa de reeleição, o PTB também aguarda os próximos capítulos da briga progressista. Com discurso semelhante ao tucano, o presidente Agostinho Meirelles diz prestar solidariedade a Roger Ney e manter o "projeto original" de coligação com o PP de vice. Contudo, admite que se houver confirmação da candidatura adversária encabeçada por Fetter, seu partido surge como favorito a permanecer como vice de Paula.

"Caso haja impedimento, vamos discutir no grupo os próximos passos. Todos se organizaram entre os possíveis vices, inclusive Alexandre (Garcia) e Idemar (Barz), de que as candidaturas ficariam mantidas se houvesse mudança de rumos no PP. Caso haja, pré-candidato a ocupar a vaga de vice na majoritária não falta", afirma.

Roger Ney prepara recurso

Inconformado com a derrota sofrida na Executiva estadual, Roger Ney deve contestar a decisão que anulou a convenção pelotense. O vereador sustenta que o julgamento promovido por líderes do PP levou em conta interesses políticos da cúpula partidária e desconsiderou acordos locais firmados pelo partido. Também sustenta que cumpriu as regras estabelecidas pelo próprio presidente do PP gaúcho, Celso Bernardi, e fiscalizadas por observadores enviados ao evento que o indicou como vice.

"Quem fez o julgamento foram pessoas que não conhecem a realidade de Pelotas, não sabem do tratado em Pelotas. Falaram muito em prevalecer uma pré-convenção que foi, inclusive, anulada pela Justiça", reclama. Se optar por recorrer, o vereador pode apelar aos membros do diretório estadual ou à instância nacional do PP.

 

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