Balanço

Custo com Covid-19 chega a R$ 22,6 milhões em Pelotas

Recursos federais, estaduais e de fundos do município têm sido usados em leitos, equipamentos médicos e materiais para equipes de saúde

14 de Julho de 2020 - 20h57 Corrigir A + A -

Por: Vinicius Peraça
vinicius.peraca@diariopopular.com.br 

Balanço foi apresentado durante reunião do secretário da Fazenda, Jairo Dutra, com a Comissão de Saúde da Câmara (Foto: Paulo Ferreira - Câmara de Vereadores)

Balanço foi apresentado durante reunião do secretário da Fazenda, Jairo Dutra, com a Comissão de Saúde da Câmara (Foto: Paulo Ferreira - Câmara de Vereadores)

Em pouco mais de três meses desde os primeiros casos do coronavírus em Pelotas, foram aplicados R$ 22,6 milhões no combate à pandemia e atendimento a pacientes infectados. O balanço foi apresentado nesta terça-feira (14) pelo secretário da Fazenda, Jairo Dutra, à Comissão de Saúde da Câmara.

Convidado a mostrar os números depois que parlamentares reclamaram de falta de informações, Dutra afirmou que até o momento a prefeitura recebeu R$ 26,3 milhões específicos para enfrentamento à Covid-19. Do total que entrou nos cofres, 86% já foi utilizado ou está empenhado (comprometido) em pagamentos. No entanto, segundo cálculos da Fazenda, outros R$ 20 milhões estão previstos para os próximos meses.

Principal motivo para a prestação de contas, o valor repassado pelo Ministério da Saúde à prefeitura foi bastante questionado. Na semana passada, os governistas Fabrício Tavares (PP) e Anderson Garcia (PTB) cobraram mais clareza sobre o uso do dinheiro. Nesta terça, somente o progressista estava entre os 11 vereadores que acompanharam a exposição dos dados.

Conforme Dutra, dos R$ 44,4 milhões anunciados pelo governo federal para Pelotas após aprovação de socorro financeiro pelo Congresso Nacional, apenas parte é para ações contra o coronavírus. A maior fatia das parcelas mensais de R$ 11,1 milhões serve para compensar perdas com a crise. “Essa informação de R$ 44 milhões somente para saúde não conferem. São valores da Lei Complementar 173, que destina quatro parcelas de R$ 1,2 milhão que vão metade para saúde e metade para assistência social. Os outros R$ 9,9 milhões são recursos livres”, explicou.

Aluguel de leitos e hospital de campanha

Alvo de críticas frequentes na Câmara, o número de leitos de UTI e o gasto com o hospital de campanha foram alvo de cobranças à secretária de Saúde, que participou da prestação de contas. Roberta Paganini justificou a demora na disponibilização de mais vagas de tratamento intensivo com a necessidade de alugar 30 novos leitos e enfrentar atraso na entrega. Além disso, indicou adaptações que precisam ser feitas no hospital que receberá a estrutura. “Entendemos que a possibilidade de alugar os leitos era uma garantia para a necessidade de ampliação que precisávamos. Não tínhamos a garantia de conseguir comprar estes equipamentos.”

Sobre a enfermaria iniciada no ginásio do Sesi e que permanece sem conclusão e uso há três meses, Roberta defendeu a instalação diante de incertezas sobre a pandemia no momento da contratação. Contudo, indicou que não deve haver renovação do acordo.

Mais detalhes

Presidente da Comissão de Saúde, Marcos Ferreira (PTB) pedirá ao Executivo detalhes de compras e contratos da prefeitura voltados à Covid-19. Uma nova audiência com a secretária de Saúde e técnicos foi marcada para o dia 28 para atualizar dados da estrutura de saúde.

Além de Ferreira, acompanharam a audiência desta terça Enéias Clarindo (PSDB), José Paulo Benemann (PSDB), Zilda Bürkle (PSDB), Fabrício Tavares (PP), Éder Blank (PTB), Daiane Dias (PL), Antônio Peres (PSB), Marcus Cunha (PDT), Ivan Duarte (PT) e Fernanda Miranda (PSOL).

Quanto, de onde e em quê foi usado o dinheiro

- R$ 11.325.264,03
Fundo Nacional de Saúde

Materiais de higiene, EPI, Centro Covid, funcionários, hospital de campanha, atenção primária, aluguel de leitos, testes rápidos, sacos para óbitos e outros itens

- R$ 4.681.054,73
Auxílio a hospitais Min. da Saúde

Santa Casa, HUSFP, Beneficência Portuguesa e Hospital Espírita

- R$ 3.668.000,00
Emendas parlamentares

EPI (UBS, HUSFP e HE-UFPel), Santa Casa, Beneficência Portuguesa, Hospital Espírita e custeio Pronto Socorro

- R$ 1.305.817,53

Fusem*

Materiais de higiene, EPI, Centro Covid, hospital de campanha e respiradores

- R$ 877.000,00
Fundo da Câmara

Respiradores

- R$ 719.750,00
FMAM **

EPI

- R$ 56.400,00
Fundo Estadual de Saúde

EPI

* Fundo para a Sustentabilidade do Espaço Municipal
** Fundo Municipal de Proteção e Recuperação Ambiental


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